Como o adiamento dos IPOs das empresas mais promissoras pode impactar a sua estratégia de investimentos

Durante muitas décadas, o acesso a empresas privadas de alto crescimento tem sido restrito apenas a investidores institucionais ou de altíssima renda. Entretanto, este cenário vem mudando com o surgimento de novas opções para acessar este mercado tão exclusivo

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(Getty Images)

Nada remete mais ao sucesso de uma empresa do que a imagem mental de empreendedores tocando o sininho ao fazer o IPO na Bolsa.

No entanto, este acontecimento icônico está ficando cada vez mais raro no principal mercado de inovação do mundo, os EUA.

Vemos hoje uma mudança massiva no cenário de investimentos, com empresas mais promissoras permanecendo com seu capital fechado por muito mais tempo e, consequentemente, atrasando sua abertura de capital.

Por exemplo, a idade média das empresas desde sua fundação até abrirem seu capital em 2020 era de 12 anos, contra 5 anos em 2000.

Além disso, das mais de 200 empresas que possuíam status de unicórnios (empresas privadas com valor de mercado acima de US$ 1 bilhão) até 2020 nos EUA, cerca de um sexto tem média de idade de mais de 13 anos e obtiveram o status de unicórnio há cinco anos ou mais.

Não é à toa que investidores estão preocupados com o fato de que as empresas privadas que mais crescem nos EUA estão passando por sua fase de desenvolvimento mais acelerado – e de maior geração de retorno – fora do alcance dos investidores de Bolsa.

E por que as empresas estão demorando mais para abrir capital na Bolsa?

Há várias razões pelas quais as empresas estão ficando privadas por mais tempo. Uma delas é que há altos custos envolvidos para listar uma empresa na Bolsa.

Há também uma exigência grande de governança e transparência, exigindo que a companhia publique suas demonstrações financeiras trimestralmente. Esse fardo é pesado para as empresas em fase de crescimento acelerado, que invariavelmente preferem dedicar seus recursos para o desenvolvimento do negócio em vez de atender exigências regulatórias que acompanham a abertura de capital.

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Além disso, as empresas listadas sofrem a pressão constante de atingir as expectativas trimestrais de acionistas e analistas, muitas vezes mudando seu foco para o curto prazo, numa tentativa de satisfazer aos anseios do mercado.

Outro ponto relevante é que estas empresas podem acessar capital abundante de diversas fontes, por isso não precisam mais necessariamente fazerem um IPO para levantarem capital substancial e financiarem seu crescimento. Este último ponto é especialmente verdadeiro para as empresas da “Nova Economia”.

Para se ter uma ideia, na última década, fundos de Capital de Risco e Private Equity investiram uma quantidade considerável de capital nas empresas privadas mais promissoras nos EUA. Somente no primeiro semestre de 2021 foram investidos US$ 269 bilhões, superando em muito os investimentos totais de 2020 que foi da ordem de US$ 251 bilhões.

Além do fato de as companhias mais promissoras estarem atrasando seus IPOs, o número de empresas negociadas nas Bolsas dos EUA caiu drasticamente nos últimos 30 anos.

No final dos anos 1990, havia mais de 8 mil empresas listadas nos EUA. Na primeira metade de 2021, havia um pouco mais de 4 mil empresas listadas, de acordo com estudo da Universidade da Florida. Essa mudança de cenário significa que os investidores terão que buscar exposição a empresas privadas em seus portfólios se quiserem acessar oportunidades de alto crescimento.

Além disso, o tamanho do mercado de empresas de capital fechado é enorme. Só nos Estados Unidos, existem aproximadamente 20 mil empresas privadas com receitas anuais de mais de US$ 100 milhões em comparação com apenas 3 mil empresas abertas na Bolsa com mesmo patamar de receita, de acordo com a plataforma Capital IQ.

Durante muitas décadas, o acesso a empresas privadas de alto crescimento tem sido restrito apenas a investidores institucionais ou de altíssima renda. Entretanto, este cenário vem mudando com o surgimento de novas opções para acessar este mercado tão exclusivo.

Um exemplo são as empresas de investimento em Venture Capital listadas em Bolsas pelo mundo. Elas trazem em seu portfólio acesso a negócios disruptivos de alto crescimento para qualquer investidor de Bolsa, independentemente da disponibilidade de recursos que tem para investir.
Esses veículos de investimento são atraentes porque oferecem uma solução única para investidores obterem exposição aos mercados privados ao mesmo tempo que oferecem liquidez e governança de Bolsa.

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O adiamento crescente de IPOs de empresas promissoras e a diminuição do número do companhias listadas são fenômenos que estão presentes muito antes da pandemia e não há sinais de mudanças nesta tendência.

Ao menos agora, investidores de Bolsa também podem capturar parte dessa criação de valor ao incluírem em suas carteiras empresas em estágio Pré-IPO, diversificando seus portfólios da mesma forma que os maiores investidores do mundo fazem há décadas.

Carlos Pessoa

Carlos Pessoa é diretor de Relações com Investidores da G2D Investments