“AI-First”: todos querem ser, mas quem tem disposição?

O Brasil avança na adoção da IA, mas poucas empresas estão prontas para dar o passo mais importante: fazer da inteligência artificial o coração do negócio

Diogo França

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Uma pesquisa realizada pela SAS no ano passado apontou que o Brasil ocupa a 11ª posição no ranking mundial de adoção da inteligência artificial generativa. O dado revela uma crescente maturidade tecnológica, mas também levanta uma pergunta importante: estamos, de fato, entendendo o que significa viver na era das empresas AI-First?

O termo virou buzzword em apresentações de executivos, relatórios de tendências e campanhas de marketing. Mas o que realmente significa ser uma empresa AI-First? É só adotar ferramentas de IA? Ou estamos diante de uma transformação mais profunda e estrutural?

Ser AI-First não é colocar um chatbot no site da empresa. Nem se resume a automatizar processos com plataformas prontas. Ser AI-First é, antes de tudo, uma mudança de mentalidade. É reconhecer que a inteligência artificial não é um acessório tecnológico, mas um motor de vantagem competitiva que deve estar no centro das decisões estratégicas da organização.

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É por isso que, quando se trata de Inteligência Artificial, várias empresas querem ser, mas são poucas as que, de fato, estão dispostas a fazer muito mais do que só gerar imagens ou textos pelo ChatGPT. Ser AI-First significa incluir a IA no centro — do atendimento ao marketing, da ideação do produto ao financeiro.

A diferença entre usar IA e ser AI-First

Muitas empresas já usam IA de forma pontual: para prever demanda, recomendar produtos ou agilizar atendimento. Mas isso ainda é pensar com a lógica do AI-Also. Ou seja: usamos IA também – se der, onde couber, quando for conveniente.

O AI-First, por outro lado, começa com uma pergunta diferente: como a IA pode redesenhar este produto, serviço ou operação desde o início? E essa pergunta exige que os times de tecnologia, negócios e estratégia sentem à mesa desde o começo, repensando fluxos, métricas e entregas com base no que os algoritmos permitem hoje.

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IA como core business

Empresas AI-First não enxergam a IA como suporte. Elas a tratam como o núcleo do negócio. O Spotify, por exemplo, não é só uma plataforma de música – é um mecanismo de recomendação. A Tesla não é apenas uma montadora – é uma empresa de dados que aprende em tempo real com seus carros.

E o mais interessante: muitas dessas empresas começaram pequenas, mas escalaram justamente por serem AI-First desde o nascimento. O desafio agora é: como empresas estabelecidas, com estruturas mais tradicionais, podem migrar para esse novo modelo?

AI-First no Brasil: realidade ou buzzword?

Ferramentas abertas, APIs acessíveis, modelos pré-treinados e plataformas low-code/nocode derrubaram barreiras de entrada. Mas o pulo do gato continua sendo estratégico: onde usar, por que usar, com qual objetivo e como medir valor?

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No cenário brasileiro, ainda vemos muitas empresas no estágio do AI-Curious. Experimentam aqui e ali, fazem POCs (provas de conceito), mas ainda não integram a IA ao core das decisões. A boa notícia? Nunca foi tão acessível começar.

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Diogo França

Diogo França é Diretor da XP Educação, edtech que forma profissionais para o mercado financeiro, negócios e tecnologia. Economista pela UFPR, sua trajetória é pautada pela construção de produtos digitais e pela transformação estratégica de grandes empresas. É quem faz a ponte entre a visão de negócio e a execução tecnológica, garantindo que a educação entregue o que a economia real exige hoje