A Geração Z acha que Lady Gaga é coisa de Millennial?

Fato é que essa figura, considerada estranhíssima por muitos, foi a trilha sonora de uma infância hiperconectada

Luiz Menezes

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E para quem disse que ela não viria, ela veio sim! A cantora Lady Gaga já desembarcou no Brasil e muitas pessoas estão empolgadas para finalmente vê-la se apresentar em um show gratuito na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, especialmente depois do fatídico episódio do cancelamento do show no Rock in Rio, em 2017. Porém, engana-se quem pensa que Lady Gaga possui apenas fãs Millennials, afinal, a Geração Z, que são pessoas de 15 a 29 anos, cresceu com a cantora.

Talvez estivesse tocando ‘Just Dance’ na maternidade no dia que nascemos, na festa de 15 anos da nossa prima mais velha ou na rádio da van escolar. Talvez estivesse passando o clipe de ‘Bad Romance’ na MTV quando chegamos da escola no ensino fundamental. O fato é que essa figura, considerada estranhíssima por muitos, foi a trilha sonora de uma infância hiperconectada, enquanto desbravávamos o canal VEVO no YouTube e as contradições da adolescência.

Enquanto uma parcela da GenZ nunca compreendeu a artista de fato, outra parcela se tornou grande fã de seu trabalho, acompanhando suas metamorfoses: cantora country, pianista de jazz, atriz dramática, e agora de volta ao ápice da esquisitice fashion. Parece que o lançamento do seu novo álbum, intitulado ‘Mayhem’, traz de volta uma Lady Gaga que surgiu com o objetivo de quebrar tabus e mostrar que dá para ser autêntico quanto tudo parece ser a mesma coisa.

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De acordo com dados buscados pelo InstitutoZ da Trope (consultoria de Geração Z e Alpha da qual sou fundador), 77% da base de seguidores de Lady Gaga se encontra na faixa etária de 18 a 34 anos, sendo 35% entre 18 e 24 anos e 42% entre 25 e 34 anos. Mas a verdade é que a audiência que fala, comenta e produz conteúdo sobre a Gaga é mais da metade composta por pessoas entre 18 e 24 anos, ou seja, é a faixa etária que corresponde a GenZ que repercute a cantora na mídia.

Diante desta realidade, cada vez mais as marcas entendem que Lady Gaga impacta sim os novos consumidores, e constroem estratégias assertivas para se comunicarem da melhor maneira com essas pessoas, à medida que investem e patrocinam iniciativas como o ‘Todo mundo no Rio’. A verdade é que as marcas querem se conectar com todas as gerações, sempre buscando rejuvenescer e também estarem associadas a momentos culturalmente relevantes para o nosso país.

Aos 38 anos, Lady Gaga afirma que apesar de alguns a considerarem “velha para o pop”, ela está só começando. A motivação por entregar trabalhos de qualidade fez com que se tornasse uma das únicas artistas a alcançar o primeiro lugar na Billboard Hot 100 em três décadas distintas. Nos anos 2000: ‘Just Dance’ (2009) e ‘Poker Face’ (2009). Em 2010: ‘Born This Way’ (2011) e ‘Shallow’ com Bradley Cooper (2019). E em 2020: ‘Rain On Me’ ft Ariana Grande (2020) e ‘Die With A Smile’ ft Bruno Mars (2025).

Diante disto, podemos constatar que a artista é muito relevante no cenário mundial, inclusive foi um dos critérios estabelecidos por Eduardo Paes, atual prefeito do Rio de Janeiro, para a escolha de Lady Gaga. Segundo ele, os shows que irão acontecer nesse formato precisam ser de figuras mundialmente relevantes, com o propósito de projetar o Rio e o Brasil internacionalmente. Porém, neste sentido, fica uma a pergunta: como medir a relevância da cantora no Brasil? 

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Hoje em dia, para as novas gerações, uma das maiores provas que um cantor está com uma música em alta, além de tocar nos lugares, é quando os brasileiros transformam o ritmo da canção para forró, funk, pagode, entre tantos outros estilos musicais. E isso já aconteceu com algumas músicas de Lady Gaga: Paparazzi Bad RomanceAlejandroApplauseShallowAbracadabraDisease, entre outras. Uma única playlist no Youtube, intitulada ‘Músicas Internacionais Versão Forró 2025’ soma mais de 2 milhões de visualizações. Segundo o Google Trends, as versões forró tiveram um pico de 100% de interesse da audiência no início da pandemia em 2020. 

Outra forma de selar a influência da cantora com os nativos digitais é o quanto ela serve de insumo para memes na internet. Acredite, existem milhares: desde o icônico tweet ‘Brazil, I’m devastated’, quando precisou cancelar o show no Rock in Rio até a imagem do Windows 10, que muitos fazem a associação com o personagem Gru (do filme Meu Malvado Favorito) com Lady Gaga, brincando por causa do formato do nariz.

Essa relação das novas gerações com a cultura de memes foi tema de uma pesquisa conduzida pelo InstitutoZ da Trope, em coautoria com o Saquinho Mídias Criativas. O objetivo foi entender quais são as motivações da Geração Z brasileira em consumir memes e como as comunidades dentro da internet se relacionam. Os dados apontaram que 80% da Geração Z acredita que os memes facilitam a conexão entre pessoas.

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Neste sentido, podemos perceber que a GenZ valoriza conexões genuínas e que Lady Gaga é uma das poucas artistas atualmente que consegue impactar e conversar com as diferentes gerações de forma tão eficaz, gerando conexão pela música, pela atuação, pela moda, pelo ativismo e até pelos memes nas redes sociais. Sua versatilidade chama a atenção e faz com que seja uma figura que é constantemente lembrada para muito além dos Millennials, construindo um legado atemporal e intergeracional.

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Luiz Menezes

Luiz Menezes é fundador da Trope, uma consultoria de geração Z e Alpha que ajuda marcas a rejuvenescerem suas estratégias de negócio através da creator economy. Aos 25 anos, Luiz é nativo digital, creator, apresentador, empresário e empreendedor. Presente no mercado e atuando na área de comunicação há 9 anos, o especialista acumula experiência em organização de eventos voltados à cultura pop e geek, prestação de serviços de marketing de influência e digital PR para grandes marcas, como Meta, Itaú, BRF, Mondelez, P&G, Oi, entre outras.