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Uma das dúvidas mais recorrentes para quem não é colecionador ou ainda não é familiarizado com o colecionismo numismático diz respeito à avaliação de cédulas e moedas. Nesses casos, o valor de um item é fruto de uma combinação de dois critérios: a quantidade cunhada — um fator relativamente fácil de mensurar — e o seu estado de conservação — que é, por definição, um assunto mais subjetivo, sujeito às interpretações de diferentes colecionadores.
Com o objetivo de minimizar essas divergências na avaliação, o numismata William Herbert Sheldon desenvolveu, em 1948, o que hoje é chamado de escala Sheldon. Trata-se de um método que atribui uma pontuação numérica de 1 a 70 às peças, sendo 1 o grau mais baixo, enquanto 70 representa o grau máximo de conservação — ou seja, uma moeda que chegou até nós exatamente nas mesmas condições em que foi cunhada. Nessa avaliação, são examinados o desgaste, a presença de impactos, arranhaduras, a nitidez dos relevos e o brilho original, entre outros critérios.
Desde os anos 1980, empresas de certificação, como a Numismatic Guaranty Corporation (NGC) e a Professional Coin Grading Service (PCGS), vêm utilizando a escala Sheldon na avaliação de cédulas e moedas. Já as empresas internacionais de leilões exigem que as peças estejam certificadas antes de serem levadas a leilão — aumentando assim a transparência nas negociações, a confiança nas transações e, consequentemente, o valor das peças junto a colecionadores e investidores.
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Conseguimos um exemplo claro dessa valorização das peças a partir do aumento na pontuação da escala Sheldon, por meio de uma busca nos sites de leilão. Uma moeda de 960 réis brasileira — os chamados patacões — é negociada, em média, por US$ 200 quando classificada como AU58 (soberba/flor de cunho). Quando recebe uma avaliação MS61 (flor de cunho), seu valor sobe para cerca de US$ 350; se atingir o grau MS64, passa a ser cotada entre US$ 800 e US$ 1,300. Ao atingir MS66, essa mesma moeda já chegou a ser vendida a US$ 4,000.

“A graduação utilizando a escala Sheldon proporciona a globalização da numismática. Isso quer dizer que licitantes, em qualquer lugar do mundo, estão aptos a tomar decisões de compras de US$ 10 mil, US$ 100 ou até US$ 500 mil sem precisar examinar fisicamente o item, baseando-se puramente na combinação de informações oferecidas por nós e pela graduadora”, afirma Cristiano Bierrenbach, sócio da Heritage Auctions.
Segundo Bierrenbach, o leilão é um dos raros exemplos do livre mercado na prática, onde o comprador é quem efetivamente define o preço. Ele destaca que, sendo um modelo que proporciona uma enorme exposição às peças junto a um vasto número de interessados, é possível atender tanto às necessidades do vendedor, maximizando o valor obtido na transação, quanto às do comprador, que adquire o item pelo melhor preço de mercado, vencendo do segundo interessado por um pequeno incremento de valor.
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“Se temos um item único, que é particularmente difícil de avaliar, como é que sabemos que o seu preço é justo para os dois lados? É exatamente o leilão que proporciona essa definição, sendo fruto de um autêntico free market”, acrescenta Bierrenbach.
Veja abaixo um exemplo de moeda considerada comum e vendida a mais de US$ 330 mil por conta da sua graduação MS62.
