5 motivos por que estou otimista com a Bolsa

De juros menores no exterior a valuations atrativos: o mercado de ações tem apresentado boas oportunidades que vão além do efeito político

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Março foi um mês positivo para a bolsa. O Ibovespa subiu 17%, maior alta mensal desde outubro de 2002, mês em que o ex-presidente Lula foi eleito. Mera curiosidade. Não vemos relação entre os fatos, senão o fato de as ações estarem nas mínimas nos períodos imediatamente anteriores.

Apesar de reconhecermos nossa absoluta e total incapacidade de prever o futuro no front político, um tema em que tudo pode mudar a qualquer momento e que está “fazendo preço”, estamos positivos por uma soma de fatores que listamos abaixo:

1) Previsão de juros menores nos países desenvolvidos – O movimento do BoJ – Banco do Japão – de anunciar juros negativos, junto com mais expansionismo monetário na Europa e menores previsões de alta nos juros americanos, para nós, poderia levar ao movimento de risk on, que, basicamente, é a busca por mais retorno mesmo que isso signifique correr mais riscos. No caso, não é a busca por mais retorno, mas sim a busca por algum retorno.

2) A menor volatilidade da nossa moeda – O investidor estrangeiro não precisa estar no Brasil. Ele compara nosso país com vários outros, e por muito tempo, mesmo apresentando um dos maiores juros do mundo, a volatilidade extremamente elevada de nossa moeda em comparação com outros países não compensava o investimento. O investidor estrangeiro não quer acertar no ativo mas entregar na desvalorização cambial, logo, o Real ter encontrado um nível entre R$3,90 e R$4,10 por dólar e ter ficado por ali provavelmente animou quem estava esperando uma janela de entrada.

Um bom exemplo que une os dois pontos acima é o anúncio, no dia 26 de fevereiro, do China Development Bank negociando emprestar US$ 10 bilhões para a Petrobrás. Dia 26 foi a sexta-feira que decidimos aumentar nossa exposição direcional, logo antes de o rally começar, e um dos motivos foi essa notícia.   

3) A volta das commodities – Pensando simples, a volta das commodities pode ser lida como “a economia global não está tão ruim como pensávamos”. Como exemplos, petróleo subiu mais de 7%, minério mais de 8% mesmo já tendo subido bastante em fevereiro. Essa percepção ajuda no risk on.            

4) Os valuations baratos – Em fevereiro, algumas ações estavam em valuations, digamos, assimétricos. Como exemplo, podemos citar Bradesco valendo o mesmo valor de seu patrimônio líquido, o que significa que o mercado estava precificando retornos sobre seu patrimônio iguais ao seu custo do capital, o que discordamos. Outro exemplo é Ecorodovias, que chegou a negociar nas nossas contas a uma taxa de retorno de inflação + 20%! Esse fato vale um pouco menos agora depois da alta, porém, olhando para o histórico, ainda acreditamos que os valuations estão abaixo da média histórica.

5) As expectativas baixas – O gráfico abaixo diz tudo. Explicamos: A linha azul é nosso querido Ibovespa. Agora imaginemos que você compre exatamente uma carteira do índice. Hoje você gastaria aproximadamente R$50 mil e levaria 288 ações de Itaú, 243 de Bradesco, 313 de Ambev e assim por diante.

A linha laranja representa quanto de lucro o mercado espera um ano a frente para essa carteira. Por exemplo, no começo do gráfico, você gastaria R$70 mil para comprar uma carteira que o mercado esperava que lucraria algo como R$6,6 mil um ano à frente. Importante: Por que olhar para frente? Vamos fazer o paralelo com um imóvel que você compra para receber a renda do aluguel. O aluguel do ano passado pouco importa, pois essa renda ficou para o antigo proprietário. Importa o futuro.

O recado é claro: Estamos nas mínimas em relação a expectativas de lucros. 

 

Por todos os motivos listados, considerávamos uma aposta positiva no final de fevereiro como assimétrica, que se confirmou. Ao longo do mês chegamos a diminuir nossa posição, mas na última segunda voltamos a aumentar a exposição por acreditar que tempos melhores virão.

João Luiz Braga