Você deveria ser remunerado para usar o Instagram

Produzimos uma quantidade enorme de dados todos os dias, mas não somos pagos por eles. Existe um movimento que deseja rever isto

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(Shutterstock)

Imagine um mundo em que você seria remunerado para navegar no seu feed do Instagram ou fazer uma pesquisa no Google.

Parece delírio, não? Mas existe fundamento para esta visão – e ela poderia ser a chave para criar a polêmica renda básica universal.

O conceito se chama individual data ownership, ou privacidade individual de dados e eu o conheci no TEDWomen deste ano, realizado na Califórnia. O evento é uma mostra de todo o talento e criatividade das mulheres.

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Em sua palestra, a especialista em inteligência artificial Jennifer Zhu Scott trouxe a importância dos dados que produzimos diariamente.

Ao desbloquear o seu smartphone, você já começa a produzir dados. As músicas que você escuta, as séries que assiste, os passos que dá, os lugares que frequenta… tudo vira bits para a coleção das informações que gigantes da tecnologia têm sobre nós.

Duvida? Então veja todas as informações que o Google tem sobre você. Existe uma função que nos permite ver todos os dados que a gigante dos buscadores tem armazenadas sobre cada um de nós.

Esses dados valem bilhões – que o diga o Facebook, por exemplo, que faturou US$ 17 bilhões no terceiro trimestre deste ano. A rede social utiliza as informações que postamos para vender anúncios personalizados.

Mas apesar de produzirmos estes dados todos, não somos remunerados por eles. E existe um movimento que deseja rever isto.

Scott, que também é investidora em startups, criou um movimento para que nós sejamos recompensados pelos dados que geramos diariamente. “Trata-se de um novo modelo econômico, que empodera não apenas as empresas, mas também os indivíduos”, disse ela no palco do TEDWomen.

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Já existem iniciativas deste gênero em funcionamento. A Delphia, uma fintech canadense, permite que pessoas invistam na bolsa de valores usando apenas os seus dados como “dinheiro”.

Os usuários conectam as suas informações pessoais ao sistema e respondem a questionários diários sobre seu comportamento para a empresa analisar – em troca, recebem comissões e podem usar estes recursos para investir em ações.

Na China, milhões de empreendedores oferecem suas informações pessoais para conseguir acesso a uma linha de microcrédito como a Dumiao.

Existem apps que permitem a doação de dados para ajudar pesquisas médicas e científicas. Outros para remunerar usuários que assistem a anúncios com o acesso a paywalls de portais de notícias. Nos EUA, já existem marketplaces que garantem a venda segura dos dados individuais, como o Wibson.

Então surge a pergunta inevitável: quanto valem as nossas informações pessoais?

Muita gente pode se sentir desconfortável com a noção de vender seus dados. No entanto, damos essas informações de graça para empresas bilionárias.

Zhu Scott estima que cada um de nós produz algo entre US$ 1 mil e US$ 2 mil anualmente em dados e informações pessoais – e, se fôssemos remunerados, poderíamos resolver a questão da renda básica universal.

Essa ideia polêmica vem sendo implementada e discutida em diversos países europeus, ainda sem consenso. A privacidade individual de dados poderia ser a resposta.

Depois de assistir à fala de Zhu Scott, ficou claro como boa parte do debate global sobre privacidade é, no fundo, uma questão econômica que interessa a todos que acessam a internet.

Está na hora de acompanharmos o debate e ficarmos de olho nas soluções que devem surgir. Nosso bolso agradece.

Carol Sandler

É fundadora da plataforma online Finanças Femininas e da TV Carol Sandler, a primeira TV digital de uma influenciadora brasileira, além de sócia e diretora de conteúdo da Ella's Investimentos. Também é autora do livro Detox das Compras e coautora de Finanças Femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos.