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Outro dia entrei em um mercado, agora, perto da Páscoa. Corredor cheio, ovos por
todos os lados, aquela montagem clássica. Mas tinha algo diferente: ninguém
estava escolhendo. As pessoas estavam procurando. E isso diz muita coisa.
Durante anos, o varejo funcionou de um jeito bem direto. A decisão acontecia ali, na
frente do produto. Era preço, embalagem, posição na gôndola. Principalmente na
Páscoa. Quem não tem a memória de andar pelo mercado olhando ovo por ovo
para escolher o que queria? Quem executava melhor, vendia mais nessa época.
Só que esse jogo virou.
Hoje, a maior parte das decisões não nasce mais na loja. Nasce antes, no celular,
no feed, em algum conteúdo do TikTok ou Instagram que chama atenção no meio de
tantos outros.
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Quando o consumidor entra no ponto de venda, ele já não está mais aberto como
antes. Ele entra com uma ideia na cabeça, no mínimo. Às vezes, com uma decisão
praticamente tomada.
Isso muda o papel da loja. E, consequentemente, muda o papel das franquias.
Franquia sempre foi sobre presença. Estar em muitos lugares, com padrão, com
escala, o que continua sendo relevante. Mas, sozinho, já não resolve. Porque
presença sem interesse não gera fluxo.
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Como você vai chamar a atenção do consumidor para a sua franquia antes mesmo
de ele chegar lá? Como tornar a experiência algo que desperte o interesse de ir até
o ponto físico, em vez de comprar pela internet, o que pode ser muito mais cômodo?
A pergunta deixou de ser “o que eu vou levar?” e passou a ser “onde eu encontro
aquilo que eu já decidi?”.
Essa mudança parece sutil, mas não é. Ela altera completamente onde a venda
começa. E, para quem trabalha com marca, produto e expansão, isso exige uma
revisão real de estratégia.
A gente vê isso na prática. A Chilli Beans está entre as maiores redes do país, na
11ª posição no ranking mais recente da Associação Brasileira de Franchising (ABF).
E alcançamos essa posição já sabendo que crescer em número de lojas não
garante, por si só, o sucesso. O que mais importa hoje é TER ATENÇÃO.
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Por isso, a dinâmica mudou. Antes, o jogo era disputar espaço físico. Hoje, é
conseguir aparecer e, mais do que isso, fazer sentido no meio de tanta informação.
E os diferenciais de produto são decisivos na escolha do consumidor. Por exemplo,
com o crescimento da busca por qualidade de vida, a valorização do wellness e de
um estilo de vida mais ativo, outras opções de alimentos se destacam, como ovos
sem açúcar e sem glúten.
Ou mesmo linhas mais premium, impulsionadas pelo aumento do preço do cacau e
pela queda da qualidade de muitos chocolates do mercado.
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Quem entendeu antes o desejo do consumidor e os movimentos do mercado se
destacou no jogo.
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