Tristeza é estar sozinho de si

A tristeza sempre traz consigo os sentimentos de solidão, falta, insuficiência.

Wilson Marchionatti

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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Podemos sentir falta de um familiar, de um amor, de um cargo, de um objeto, de um animal. Essa falta nos faz sentir sozinhos, e com isso vem a tristeza.

A reação natural a essa solidão é tentar substituir aquele ser, objeto ou situação por outro que preencha a nossa solidão. Mas isso não é possível, não é assim que nossa constituição física e psicológica funciona.

Imagine um filho que perdeu uma mãe, ou um casal que se separou. O filho lembra da mãe como um símbolo de cuidado, a pessoa com a qual podia contar em qualquer situação. O casal lembra um do outro como parceiros que despertavam o sorriso e atração um do outro.

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Em ambos os casos, aquele filho e o casal têm todas as chances de acabar com a solidão e recuperar o que foi perdido, mas não conseguirão se o objetivo for encontrar um substituto.

Isso acontece porque quando nos sentimos sozinhos, como se algo faltasse, não sentimos falta de algo externo a nós. A falta que sentimos é de nós mesmos. O filho sente falta da mãe, porque era por meio dela que ele vivenciava seus próprios sentimentos de afeto e família, ou seja, por meio dela, o filho aprendeu e praticou algumas das maiores virtudes humanas.

O casal não sente falta um do outro, mas sim das atitudes e sentimentos que conseguiam cultivar com o convívio do casal. O homem pode sentir-se sozinho por estar temporariamente impossibilitado de praticar gestos românticos pela mulher que convivia, caso isso seja algo importante no seu caráter. A mulher igualmente pode sentir-se sozinha, porque não tem mais alguém para dar e receber carinho, se isso também for uma atitude importante em sua personalidade.

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Não sentimos solidão porque falta algo externo. Sentimo-nos sozinhos de nós mesmos. Sentimos falta de praticar virtudes que alguma pessoa, ser ou coisa motivava em nosso dia-a-dia. Perceber que a falta que sentimos é de algo em nós mesmos, e não de algo externo, é uma diferença muito grande.

Podemos nos sentir sozinhos até estando acompanhados. Por exemplo, uma viagem com amigos que não despertam qualquer virtude em nosso comportamento. Podemos chamar isso de solidão a dois, a três, em grupo.

E podemos nos sentir sozinhos até por termos nos livrado de algo ruim, como um relacionamento tóxico ou um amigo que nos faz mal. Nesse caso, a presença de outra pessoa talvez despertasse em nós comportamentos ruins, verdadeiros vícios, sem os quais nos sentimos sozinhos e até tristes. Submeter-se a esse tipo de companhia significa abandonar a si próprio. É aceitar ficar longamente sozinho de você mesmo. Um caminho muito comum para milhões de pessoas que literalmente desistem da felicidade por casamentos infrutíferos, trabalhos degradantes ou más companhias.

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Em todos os casos de solidão, basta perceber que na verdade você está sozinho de si. Basta ver que se algo ou alguém falta na sua vida, você não deve substituí-lo, mas sim continuar praticando as boas atitudes que praticava na companhia desse algo que falta.

Se sua solidão é a perda de um trabalho, trabalhe o dobro.

Se sua solidão é falta de dar flores para a namorada, dê flores para uma amiga, para a vizinha, ou até para uma estranha na rua.

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Se sua solidão é não se sentir admirado, descubra formas de ser admirado. E admire-se.

Se sua solidão é falta de carinho, dê carinho.

A verdade é que muitas atitudes que nos fazem feliz, descobrimos por meio de outras pessoas, situações, coisas, as quais passam e não permanecem para sempre em nossas vidas. Disso vem a impressão de solidão, que na verdade surge de algo em nós que deixamos de fazer, e não de algo externo. Mas se você focar em manter as atitudes que despertam o melhor em você, independente do que continua lá fora cercando sua vida, você estará preparado para estar sempre acompanhado de si, e pronto para conectar-se com coisas novas que se reconstroem a todo instante.

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Acompanhe-se não de coisas externas, mas do que você faz de melhor. E aguarde a companhia do mundo. É o único seguro contra a solidão.