Eleições? Tô nem aí…

Aparentemente os investidores de fundos imobiliários não se preocupam tanto assim com as eleições ou com as pesquisas eleitorais e têm tido dias tranquilos nos últimos meses

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Nos últimos meses parece que toda a competência do “Sr. Mercado” se resume a responder frenética e irracionalmente a cada nova pesquisa eleitoral divulgada. Não existem mais análises fundamentalistas ou gráficas, nem cenários macroeconômicos. A volatilidade do Ibovespa é cada vez maior e o motivo é um só: pesquisas eleitorais. Afinal, como alardeado por aí, o Brasil vai acabar e já em 2015, ou não.

Irracionalidade dos mercados não é nenhuma novidade, em 2002 Daniel Kahneman e Vernon Smith foram os vencedores do prêmio Nobel de economia apresentando estudos sobre finanças comportamentais, que demonstram quanto as emoções interferem nas decisões econômicas (incluindo investimentos) das pessoas, deixando claro que estamos longe de ser investidores racionais. Se você se interessa pelo tema conheça a blog Penso, logo invisto – da CVM.

Mas nem todos os “mercados” reagem da mesma forma. Melhor dizendo, nem todos os ativos oscilam da mesma maneira e pelos mesmos motivos. Um portfólio bem diversificado deve considerar isso e buscar compor carteiras com ativos diferentes, com baixa correlação entre si. Nesse aspecto os fundos imobiliários demonstram uma característica importante: baixa correlação do IFIX em relação ao ibovespa (0,035). Isso significa que os retornos dos fundos imobiliários são muito pouco influenciados pelos retornos do Ibovespa. Os dois índices oscilam, mas por razões distintas.

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Veja abaixo um gráfico da variação do IFIX (azul) e do Ibovespa (amarelo) nos últimos dois anos.


 

Note que a linha azul, que corresponde ao IFIX, é notavelmente mais estável do que a linha amarela, do Ibovespa. Não me refiro aos altos e baixos, mas sim a aparência de reta da linha azul em comparação com a linha amarela, que mais parece um eletrocardiograma de um sujeito com cardiopatia grave!

Ao comparar apenas os últimos três meses, período em que as pesquisas eleitorais passam a influenciar mais o Ibovespa, a diferença fica ainda mais acentuada.

 

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Aparentemente os investidores de fundos imobiliários não se preocupam tanto assim com as eleições ou com as pesquisas eleitorais e têm tido dias tranquilos nos últimos meses. Portanto, se você está prestes a desenvolver uma cardiopatia grave por conta das oscilações do Ibovespa, converse com o seu planejador financeiro sobre a possibilidade de incluir fundos imobiliários no seu portfólio de investimentos. A combinação pode fazer bem ao seu patrimônio.

É claro que o resultado das eleições é importante e que a manutenção ou mudanças nas políticas econômicas trarão impactos (positivos e negativos) também aos fundos imobiliários, mas os investidores de FII parecem ser um pouco mais racionais e menos influenciados pelo toque das trombetas. Afinal, desde 1.500 já tivemos muitos governantes bons e ruins, períodos de crise e de bonança. Ao que consta, o Brasil resistiu a todos eles e não acabou. Não deverá ser diferente nos próximos milênios, seja lá quem for eleita ou eleito.

Os gráficos que ilustram o post foram gerados no portal InfoMoney.

Arthur Vieira de Moraes