Como Afastar a Raposa do Galinheiro?

Estima-se que, hoje em dia, o futebol movimente recursos financeiros da ordem de U$ 250 bilhões por ano, com as suas promoções, custeio de plantéis e nos investimentos ou publicidades associadas diretamente a essa modalidade esportiva. É uma montanha enorme de dinheiro, capaz de fazer inveja às nossas aflitas autoridades monetárias.
Por  Rubens Menin
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Ao contrário do que muita gente pensa, o futebol é o esporte mais popular do mundo, ou seja, é aquele com maior número de adeptos, praticantes e aficionados em todo o globo. Essa popularidade extravasou dos continentes originais, Europa e América do Sul, e passou a alcançar multidões na África e na Ásia, já ombreando com outras modalidades esportivas até mesmo nos EUA. Estima-se que, hoje em dia, o futebol movimente recursos financeiros da ordem de U$ 250 bilhões por ano, com as suas promoções, custeio de plantéis e nos investimentos ou publicidades associadas diretamente a essa modalidade esportiva. É uma montanha enorme de dinheiro, capaz de fazer inveja às nossas aflitas autoridades monetárias.

No entanto, no lugar de ser vista apenas como a solução para as demandas decorrentes da grande variedade de gastos exigidos na prática do velho esporte bretão, na formação de atletas e no custeio das equipes, a dinheirama arrecadada passou a representar, ela própria, um grande problema para o futebol.Isso porque despertou a cobiça de um número absurdamente grande de dirigentes gananciosos e mal-intencionados, que se lançam sobre o butim em todas as esferas, desde as simples agremiações até as instituições maiores. Passaram a ser freqüentes os escândalos em que esses dirigentes são pegos com a mão na botija por desvio de dinheiro, gestão fraudulenta ou desmandos equivalentes. Neste ano, as sociedades de todo o mundo ficaram perplexas com a magnitude das irregularidades e com a importância das pessoas afastadas, presas ou acusadas em instituições do porte da FIFA (órgão máximo do futebol mundial), da CONMEBOL (Confederação Sul-Americana de Futebol), da CONCACAF (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe) e da nossa própria CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Muitas dessas acusações, afastamentos e prisões alcançaram os presidentes e diretores das instituições mencionadas (gente acostumada a freqüentar os estádios de futebol, na abertura de copas e torneios importantes, ao lado de autoridades políticas e de chefes de Estado!).

Os brasileiros, mais do que qualquer outro povo, estão escaldados com a corrupção na administração pública e mostram a sua inconformidade em grandes manifestações e em críticas generalizadas. O que eles não esperavam é que essa indignação geral tivesse que ser estendida aos dirigentes do seu esporte favorito e àquelas atividades que são alegremente adotadas como fonte principal do seu lazer, da sua diversão e de suas próprias paixões esportivas. Mas isso está acontecendo agora, sem que se vislumbre uma luz no fim do túnel. O processo de sucessão na CBF, por exemplo, está sendo conduzido de forma a substituir dirigentes flagrados em ações criminosas por outros do mesmo grupo e de quem se espera a continuidade da delinqüência ou o acobertamento dos malfeitos de seus antecessores. Não pode ser assim. Precisamos de uma profilaxia mais ampla, afastando todo o grupo de dirigentes e pessoas que se acostumaram a fazer do futebol brasileiro o objeto da incúria e a fonte de benefícios pessoais inescrupulosos. Nem que, para isso, tenham que ser feitas manifestações de descontentamento tão amplas e claras quanto aquelas já organizadas com fins estritamente políticos e econômicos. Os brasileiros mostraram que, quando querem, sabem fazer isso.

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