A Importância dos Stakeholders

Junto com a palavra, importamos o conceito, que floresceu e mostrou os seus resultados nos mercados de países que se desenvolveram antes de nós. No âmbito desse movimento, começamos a perceber que uma empresa não sobrevive proficuamente, com estabilidade e sustentavelmente, se considerar apenas os interesses imediatos de seus acionistas, ou seja, se perseguir somente a lucratividade a qualquer custo (como costumava ser o método gerencial praticado até o século passado).

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Mantive, propositadamente, uma palavra importada no título deste tópico. Essa opção não resultou apenas da inexistência de uma expressão simples em português para expressar a mesma ideia e nem do fato de que o uso desse termo está sendo cada vez mais comum no ambiente acadêmico e na mídia especializada nacional. Na realidade, fiz a opção pelo uso dessa palavra pelo simbolismo que vejo na importação dos próprios conceitos de gestão que ela representa.

Com efeito, existe uma revolução embutida nesse conceito desde que a palavra inglesa foi cunhada por Robert Freeman para indicar todos os públicos, segmentos e setores interessados em, envolvidos com, ou afetados por um determinado projeto, empreendimento ou iniciativa. No caso de uma empresa, instituição ou organização, os “stakeholders” abrangem desde os acionistas, dirigentes e colaboradores, como também os fornecedores, clientes, investidores, associações empresariais, sindicatos, repartições e órgãos governamentais, além das comunidades e públicos diretamente afetados pelos respectivos empreendimentos e atividades. Considerar toda essa variada (e quase sempre conflitante) multiplicidade de interesses está no cerne da difícil arte da gestão moderna.

Junto com a palavra, importamos o conceito, que floresceu e mostrou os seus resultados nos mercados de países que se desenvolveram antes de nós. No âmbito desse movimento, começamos a perceber que uma empresa não sobrevive proficuamente, com estabilidade e sustentavelmente, se considerar apenas os interesses imediatos de seus acionistas, ou seja, se perseguir somente a lucratividade a qualquer custo (como costumava ser o método gerencial praticado até o século passado).  Evidentemente, este continua sendo um importante objetivo a considerar.  Mas, a ponderação certa da sua importância no cotejo harmonioso e justo com todos os demais tipos de interesse acabou por dar origem ao conjunto de métodos com os quais o moderno mercado empresarial brasileiro já se acostumou e que geralmente é tratado com o rótulo mais amplo de sustentabilidade socioambiental, conquanto esse também me pareça ser um termo impróprio (conforme já tive oportunidade de conceituar no tópico “Responsabilidade Socioambiental”, que publiquei neste blog em outubro do ano passado).  

O fato concreto na nossa realidade atual é que qualquer empresa de porte precisa se constituir em uma parceria honesta e justa com todos os seus “stakeholders”, tratando-os com ética e respeito. É essa parceria que garantirá a sustentabilidade da empresa e a ajudará no cumprimento de sua missão, como um conjunto harmonioso, justo e socialmente necessário. Entender bem e exercitar esse conceito é dar consequência prática às formulações teóricas que costumam ser estabelecidas no planejamento estratégico da maior parte das empresas nacionais (algumas seduzidas pelas técnicas modernas de gestão e de governança corporativa, mas sem lhes alcançar integralmente o sentido e o propósito). 

Rubens Menin