Um dia no futuro

Eu não esperarei 2040 acontecer para chegar lá. E sim, sou hoje parte do mundo que ajuda a construir esse 2040. Esse futuro no qual acredito que estamos montando depende de nós e não cairá do céu

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Previsão futuro

Estamos em 2040! Um futuro nem tão próximo para termos plena visão de onde estaremos e nem tão longínquo para não chegarmos lá vivos. Somente 19 anos de onde estamos hoje!

Lá a descentralização de modelos de negócio impera, trazendo mudanças enormes para grande parte daqueles que tínhamos em 2021.

O mercado financeiro está totalmente descentralizado e global. DEFI impera e os reguladores encontraram uma forma, na maioria dos negócios, de regular e ter algum tipo de supervisão sobre as empresas que participam e são registradas nesse processo, se é que se elas ainda chamarão “empresas” a essa altura.

Isso fez com que o setor tivesse um impulso enorme dado pela adesão dos institucionais.

Anos antes, DEFI deixaria de ser um negócio de entusiastas em cripto para se tornar a espinha dorsal do mercado financeiro internacional. Praticamente todas as operações do mercado financeiro utilizam, de alguma forma estruturas, descentralizadas.

Em 2040, nomes e estruturas que nem existiam em 2021, dominam o mercado. Nossos investimentos são feitos de forma automática, por meio de nossos celulares, através de carteiras integradas a estruturas de DEFI.

A interface entre essas estruturas, complexas do ponto de vista financeiro, econômico e até de interconexão entre todos os agentes, está acessível de um modo fácil e inteligível a todos os cidadãos. Poucos sabem o que se passa por trás dos processos, riscos e fluxos, mas todos os utilizam no seu dia a dia.

Nesse cenário, o risco cibernético se torna o maior risco de qualquer negócio. Ser hackeado, ter seu sistema bloqueado, e por aí vai, é O risco que ninguém quer correr e que pode destruir um negócio em segundos.

O dinheiro em papel. Ah! O dinheiro em papel! Ele virou peça de museu e as gerações mais novas só o conhecem em visitas a eles. Museus (físicos e virtuais) estão lá para todos verem a forma super ineficiente que os “antigos” usavam o dinheiro.

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Energia é um dos recursos mais escassos e valorizados nesse cenário. A população mundial ainda continua a rejeitar a utilização de energia nuclear, com base nos desastres que ocorreram com algumas usinas que foram feitas com base na tecnologia da década de 1970 (mais de 70 anos antes), mas cada vez menos.

Alguns governos começam a ter essa fonte de energia como predominante e isso lhes dá uma vantagem competitiva importante – o que faz com que muitos comecem a reconsiderá-la.

O trabalho remoto, que teve um grande impulso com a pandemia de 2020, se torna presença constante em todas as empresas fazendo com que haja um êxodo considerável das grandes cidades, que viram provedoras de serviço e não mais cidades-moradia. As imediações dessas cidades e lugares mais afastados, com bom acesso físico e à internet, viram o desejo de consumo de todos.

A educação passa por uma transformação enorme. Aulas regulares como temos hoje desaparecem e são trocadas por experiências pessoais e virtuais (o uso de realidade aumentada está em todo lugar). O conteúdo está presente gratuitamente em todos os lugares e a educação foca em capacitar as pessoas a ter visão crítica e ponderada, ser curioso e conhecer os mecanismos de pesquisa.

O trabalho também mudou de horário. Agora, cada um trabalha no horário que quer. Trabalhos manuais são, em larga escala, substituídos por robôs, o que traz um grande ganho de eficiência no processo. Isso faz com que muitos governos tenham que aderir a sistemas de renda básica para não marginalizar uma grande parte da população que não tem capacidade para se adequar a esse cenário.

A concentração de renda é um problema mundial. O eixo do poder político muda de Estados para empresas que, por serem descentralizadas, têm um escopo mundial e criam ambientes de discussão e governança globais.

Em termos geopolíticos, a disputa entre Ocidente e Oriente se mantem, mas com o pêndulo cada vez indo mais para o último. Discussões de privacidade e controle são comuns e a descentralização causa grande preocupação para o Oriente, mais controlador.

A vida nunca foi tão longeva, avanços da medicina, nutrição e correlatos fazem com que possamos viver mais de 100 anos com saúde e produtivos.

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Parece um cenário surreal e impossível para acontecer em 19 anos. Mas pense que há vinte anos Bitcoin, iPhone, Android, Skype, Zoom, Facebook, Twitter, Wikipedia e muitas outras coisas que hoje fazem parte integral do nosso dia a dia não existiam.

A velocidade com que a inovação ocorre e se torna parte da nossa vida é incrível. Nós, humanos, temos uma dificuldade grande de nos distanciarmos para analisar essas mudanças.

Eu não esperarei 2040 acontecer para chegar lá. E sim, sou hoje parte do mundo que ajuda a construir esse 2040. Trabalho, e me divirto, com esse objetivo em mente. Esse futuro no qual acredito que estamos montando depende de nós e não cairá do céu.

E você? Vai ser parte integrante ou marginalizada desse futuro que está logo aí a nossa porta?

Foram bases para esse texto:
McKinsey – top trends in tech
Life 3.0 – Being human in the age of AI
Sapiens – Uma breve história da humanidade
Infinite machine – How a How an Army of Crypto-hackers Is Building the Next Internet with Ethereum

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Gustavo Cunha

Profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro brasileiro e ex-diretor do Rabobank Brasil, escreve sobre inovação e os impactos dela no mercado financeiro (essencialmente Blockchain, criptomoedas e Fintechs). É experiente palestrante que concilia prática e teoria nos seus estudos para o doutorado (PHD) na Universidade do Porto (Portugal).