Semana colocou o mercado cripto à prova – e ele passou no teste

Não só o Bitcoin não morreu nestes dias de alta volatilidade, mas também todo o ecossistema em volta dele suportou o movimento sem grandes percalços

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A morte do Bitcoin já foi anunciada 414 vezes segundo o site 99bitcoins, que faz esse acompanhamento. Nesta semana, o assunto voltou à tona com vários artigos e declarações nesse sentido.

O aumento de publicidade do tema Bitcoin foi facilmente notado durante o último ano. Com isso, surgiram discussões sobre o tema e novas sentenças de “morte” da moeda.

A parte boa disso é que mais pessoas estão considerando o Bitcoin como um ativo alternativo e investidores institucionais estão abraçando a criptomoeda como uma fonte de diversificação.

Além disso, a criação de produtos que façam a ponte entre o mercado financeiro tradicional e o cripto estão aparecendo o tempo todo (o ETF de Bitcoin da B3 é um bom exemplo)

Em relação ao episódio de volatilidade desta semana, o vejo com muito bons olhos. Não só o Bitcoin não morreu, mas também todo o ecossistema em volta dele suportou o movimento sem grandes percalços.

Considerando que o mercado vem crescendo sistematicamente em número de exchanges, iniciativas (hoje já temos mais de 9.000 tokens) e, principalmente, participantes (coloco aqui a imensa quantidade de pessoas físicas), é muito saudável saber que, em um movimento enorme como o que ocorreu nesta semana, tudo funcionou como deveria.

Digo isso porque, pela experiencia que tenho de mercado tradicional, sempre que houve uma grande mudança de rumos, isso trouxe várias repercussões.

Lembro, por exemplo, de alguns bancos quebrando e do aumento de risco sistêmico no mercado financeiro brasileiro quando rompemos com o câmbio fixo no Brasil, dos problemas enfrentados pelo Citibank e AIG em 2008 e por aí vai.

Difícil dizer se o mercado reagiu aos fatos ou foi o gerador deles. Mas momentos de alta volatilidade sempre estiveram associados a grandes riscos sistêmicos e quebra de grandes agentes.

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No caso de cripto, mais especificamente do que aconteceu nesta semana, a grande queda dos ativos não esteve associada a nenhum caso de quebra de alguma empresa-chave do ecossistema.

As exchanges, que podemos dizer que são os principais agentes em termos de infraestrutura de mercado, suportaram muito bem não somente as operações, mas também o imenso fluxo de indivíduos querendo acessar as plataformas ao mesmo tempo.

É bem verdade que algumas ficaram por algum tempo fora do ar, e isso é um ponto ainda a melhorar. Mas nenhuma das grandes corretoras ficou por muito tempo nessa situação.

À altura que escrevo, ainda não tenho os dados sobre a magnitude do aumento de acessos que essas exchanges tiveram, mas certamente eles foram muito significativos.

Outro ponto importante foram os mecanismos de liquidação de posições de derivativos, majoritariamente futuros, terem funcionado bem.

A Binance, por exemplo, permite uma alavancagem de até 125x em futuros. Há um mês, vi um relatório que estimava que por volta de 25% das posições em futuros utilizavam esse limite.

Uma falha nas liquidações desses contratos poderia levar uma exchange dessas à ruína, o que teria um impacto enorme no mercado.

Se formos para o lado das DEX (decentralized exchanges), só a Uniswap, que é a DEX com mais liquidez, movimentou em um dia mais do que a B3.

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E, como bem lembrou o Alexandre Vasarhelyi, sócio da BLP Asset, em seu post no LinkedIn, o custo de transação na Uniswap é de 0,3%. Nesse dia, as taxas de corretagem da rede Ethereum, que é a rede utilizada para registrar as operações, estavam na Lua.

As DEX como um todo negociaram em um dia mais do que US$ 11 bilhões. Estima-se que nas CEX (centralized exchanges) o volume negociado, somente em operações à vista, tenha sido superior a US$ 300 bilhões.

Para se ter uma referência, o volume médio de negociações da Nasdaq é de US$ 200 bilhões por dia.

Outro ponto bastante importante é que todos do mercado cripto já estão acostumados com alta volatilidade. Talvez não tão alta como a desta semana, mas já se espera uma volatilidade grande. E aqui vale a história do curto versus longo prazo.

Pegando as duas maiores cripto, Bitcoin e Ethereum, ambas caíram desde as máximas históricas por volta de 40%, grande parte nesta semana.

Esticando um pouco o horizonte, o Bitcoin voltou ao preço do começo de fevereiro de 2021. O Ethereum, ao preço de começo de maio de 2021.

Ou seja, praticamente devolveu uma parte do grande ganho que tiveram nos últimos meses, ou último mês, no caso do Ethereum.

Quando vejo isso, logo me vem a imagem de que o que está em jogo não é um movimento de curto prazo, mas sim um movimento de uma nova tecnologia que ainda passará por vários testes, que acabou de passar com sucesso por um importante e que tem uma grande perspectiva pela frente. A ver!

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Gustavo Cunha

Profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro brasileiro e ex-diretor do Rabobank Brasil, escreve sobre inovação e os impactos dela no mercado financeiro (essencialmente Blockchain, criptomoedas e Fintechs). É experiente palestrante que concilia prática e teoria nos seus estudos para o doutorado (PHD) na Universidade do Porto (Portugal).