Porque cripto é tão volátil?

Cabe a nós sabermos navegar nesse universo e ajustar os investimentos com nosso apetite a risco. Hoje, já podemos investir em cripto com menos volatilidade do que em ativos tradicionais

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Toda vez que me deparo com essa pergunta, minha resposta sempre envolve uma pergunta de volta: “De qual cripto estamos falando?”

A categoria cripto envolve mais de 12 mil iniciativas com seus tokens próprios. São coisas tão diferentes quanto comparar avião, geladeira e um prédio: todos, de uma forma ou de outra, usam ferro, mas com funções muito diferentes.

Em cripto é igual. Temos o Bitcoin, que comumente é chamado de ouro digital por conta da sua escassez e, consequentemente, reserva de valor; o Ethereum, uma plataforma de blockchain para inovações na qual são emitidos a maioria dos 12 mil tokens; a Hathor, outra blockchain, de brasileiros inclusive, que possibilita a realização de inúmeras transações a custo zero; a Moss, também de brasileiros, com seu token de crédito de carbono MCO2, e por aí vai.

Tentando organizar as coisas para ter uma resposta mais objetiva à pergunta inicial, temos que separar cripto em algumas categorias. Eu geralmente separo em três, apesar de termos várias outras. O Bitcoin, os tokens comparáveis a startups e os referenciados a outros ativos. Vamos a eles

Começado pelos referenciados a outros ativos, temos as stablecoins referenciadas a moedas fiat (usdT, usdC, Brz, etc.) e as que se referenciam a outros ativos financeiros ou não, como tokens de direitos de times de futebol, precatórios ou imobiliários.

Nessa categoria, a volatilidade do token é herdada do seu ativo base. O “cripto” da história, em geral, é somente uma forma de dar acesso e facilitar negociações. Mas não me entendam errado: dar acesso e facilitar negociações tem um valor enorme no mundo conectado e global atual.

Nas startups temos a imensa maioria dos tokens. São iniciativas nas quais o token, de uma forma ou de outra, está relacionado ao sucesso da iniciativa.

São ações da empresa? Em geral não. Aqui, os conceitos do mercado financeiro tradicional não são de aplicação direta. Devido a formas de organização descentralizada (DAOs), uma parcela delas não tem acionistas, mas colaboradores-donos, que mudam na medida que os tokens mudam de mão.

Apesar de não existir esse “de-para” direto com os conceitos de finanças tradicionais, a visão de longo prazo se assemelha, visto que o token tende a subir à medida que a iniciativa tem sucesso.

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Nessa categoria, a volatilidade de preço desses tokens é realmente alta, assim como é o investimento em qualquer startup. A diferença é que essa startup está sendo avaliada a todo momento, 24/7, diferentemente das startups que não tem seus tokens, onde a precificação é feita a cada rodada de investimentos, como acontece com Nubank, Rappi, Guiabolso e outros. Se eles tivessem tokens, certamente seriam bastante voláteis.

Por fim, chegamos ao Bitcoin, que considero uma categoria a parte. O Bitcoin é o token representativo da Blockchain Bitcoin, uma rede de transmissão de dados (transações) que está de pé desde 2008 sem ter passado um único dia fora do ar e não ter havido nenhum episódio de hackamento ou alteração na rede. Praticamente 13 anos! Alguém de TI que está lendo me diga o valor que isso têm! Conversando com várias pessoas do setor de tecnologia, todos desconhecem um sistema que tenha tamanha resiliência. Isso, por si só já tem um valor.

Mas, focando no ponto da volatilidade do Bitcoin, ela tem três vertentes: a de ser também uma startup, no sentido de ser uma iniciativa única que requer que os usuários se acostumem com ela (questão de custódia, por exemplo); a de ter uma comunidade apaixonada; e a do fluxo de adoção. Esses três fatores fazem com que o preço varie à medida que eles se desenvolvam.

No momento em que escrevo, por exemplo, acabei de ver uma notícia de que a China determinou que toda transação relacionada a cripto é ilegal. Isso fez com que o Bitcoin caísse 4%, pois deve impactar a questão da adoção.

Concluindo, há criptos e criptos. Algumas são muito menos voláteis do que ativos tradicionais, as stablecoins por exemplo. Outras muito mais voláteis do que o próprio Bitcoin, que é sempre a referência que temos na cabeça.

Cabe a nós sabermos navegar nesse universo de cripto e ajustar os investimentos nele com nosso apetite a risco. Hoje, já podemos investir em cripto com menos volatilidade do que em ativos tradicionais.

Links interessantes:
Entendendo a Hathor Network (português)
Entendendo a Moss Earth (português)
Entendendo a Ethereum >> Ethereum: um playground para inovações | InfoMoney
Hathor Network
Moss.Earth: Preserve the Planet with Carbon Credits
Bitcoin ($BTC USD) News: China PBOC Says Crypto-Related Transactions Illegal – Bloomberg
Cryptocurrency Prices, Charts And Market Capitalizations | CoinMarketCap

Onde continuamos…

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Gustavo Cunha

Profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro brasileiro e ex-diretor do Rabobank Brasil, escreve sobre inovação e os impactos dela no mercado financeiro (essencialmente Blockchain, criptomoedas e Fintechs). É experiente palestrante que concilia prática e teoria nos seus estudos para o doutorado (PHD) na Universidade do Porto (Portugal).