O custo de não se investir em cripto

Por que investir em cripto é mais do que buscar mais rentabilidade para seu patrimônio

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(Pixabay)

Mais um semestre se foi. Entre altas e baixas, o seguimento cripto foi o que teve a melhor rentabilidade nos últimos seis meses, com o Bitcoin, seu maior expoente, rendendo magníficos 20,82%, e se colocando como uma das melhores alternativas de investimento no período.

Mas isso já é passado. O que quero tratar aqui é do presente e futuro.

Sempre que vamos investir em algo diferente, temos a inercia de olhar pelo lado de quais fatores devem ser analisados, os porquês de fazê-lo. Mas poucas, ou pouquíssimas vezes, analisamos a outra face da moeda: o de não fazê-lo. E é esse lado que quero analisar aqui.

Vejo investimentos em cripto e setores de inovação como uma forma de se preparar para o novo mundo financeiro que está se formando.

Tal qual a mudança do rádio para a televisão e, depois, para os tablets e celulares, o mercado financeiro também está mudando. E em uma velocidade incrível.

Fazer investimentos nesses novos mercados, seja em cripto ou fintechs, é mais do que tentar rentabilizar mais seu patrimônio. É uma forma de aprender, se atualizar e, consequentemente, se adaptar para esse novo mundo que está se formando.

Talvez o que esteja dizendo será etéreo demais para entenderem (não podia deixar de usar essa referência à segunda maior cripto, o Ethereum 😉). Por isso, acho que vale um exemplo que presenciei recentemente.

Em uma conversa sobre criptomoedas com um amigo e diretor de um grande banco, fiz a pergunta que sempre faço quando falo desse assunto: você já comprou Bitcoin?

Sou partidário de que aprender na prática é sempre melhor do que ficar somente na teoria. No caso de cripto, isso se aplica muito mais, já que conceitos como custódia, intermediário, Clearing, entre outros, bastante presentes no mercado financeiro tradicional, tem aspectos muito diferentes nas criptomoedas.

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Dá para explicar na teoria como funciona? Lógico que dá. Mas fazer uma operação sozinho é uma experiência muito diferente e extremamente importante. É como ver um filme sobre Paris e efetivamente visitar Paris.

Eu tinha dúvidas sobre a resposta do meu amigo, já que suas perguntas me indicavam que o conhecimento que ele tinha do assunto não era tão superficial. Mas o que me surpreendeu foi a justificativa que ele usou.

A resposta foi não. E ele seguiu: a política de investimentos pessoais do banco não permite.

Ops. É mesmo. Quando fui diretor de banco, lembro dessa política e suas restrições eram enormes. Para comprar uma ação individual (Vale, Itaú ou qualquer outra) era necessário pedir autorização. E o mesmo ocorria para a venda.

Bem, se uma pessoa que trabalha no mercado financeiro, que é claramente o setor que está sendo mais impactado pelas criptos, não pode experimentar esse mercado, como ela vai se atualizar, conhecer e experimentar esse mercado? Qual o custo de oportunidade de estar em um setor que pode, daqui a alguns anos, ser um setor de venda de videocassetes (ou mesmo, mais atual, de vendas de DVDs) e não conseguir te atualizar?

Muitos dos meus ex-colegas de banco têm essas dúvidas e sinto um pouco a angústia deles. Aqui não há outra coisa a fazer a não ser pular na piscina de cabeça e acreditar, como eu, que o presente e futuro está na tecnologia.

O mercado cripto já deixou de ser experimental. O valor estimado dele está em aproximadamente US$ 1,5 trilhão, maior que o PIB do Brasil.

Outro aspecto que endossa isso é, por exemplo, o fato de o Mercado Bitcoin, maior exchange cripto brasileira, ser avaliado em aproximadamente US$ 2,1 bilhões, quase 10% do Itaú para se ter um parâmetro, e da Coinbase, maior exchange cripto americana, estar valendo mais do que o próprio Itaú.

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Um ponto interessante é que grande parte do corpo diretivo do Mercado Bitcoin veio da CETIP ou da B3. São pessoas que, como eu, eram do mercado financeiro tradicional e deram esse salto para o cripto.

Quanto a você, que não trabalha diretamente no mercado financeiro e não está engessado por políticas que não te permitem experimentar essas soluções, mercados e ativos, não há por que não o fazer. Sua decisão não implica em ter que trocar de emprego. É simplesmente respirar fundo e vir.

O custo de não o fazer é muito maior do que o de fazer. Talvez você vá errar, mas também vai aprender.

Não há grande fundador de fintech ou investidor que nunca tenha errado. O segredo é reconhecer o erro logo, aprender e seguir tentando. Focar na arvore, mas não perder de vista a floresta.

Se eu, e muitos outros estivermos certos, e o futuro do mercado financeiro for muito mais descentralizado, desintermediado e inclusivo, você já estará preparado para ele. Muito provavelmente, não só terá aprendido nesse processo, mas também rentabilizado melhor seu patrimônio.

O que acha? Vem discutir comigo…

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Gustavo Cunha

Profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro brasileiro e ex-diretor do Rabobank Brasil, escreve sobre inovação e os impactos dela no mercado financeiro (essencialmente Blockchain, criptomoedas e Fintechs). É experiente palestrante que concilia prática e teoria nos seus estudos para o doutorado (PHD) na Universidade do Porto (Portugal).