O Bitcoin está morto. Longa vida ao Bitcoin

Crise derruba mitos do bitcoin, mas faz surgir o ativo nu e cru

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(Shutterstock)

12 de março será um dia a ser lembrado por todos que acompanham o mercado de criptomoedas.

Com a queda de 40% do valor em dólar do Bitcoin, acompanhando a derrocada do mercado tradicional (S&P afundou quase 10%, Ibovespa 15% e por aí vai), também caiu por terra um dos grandes mitos em relação a ele: a ideia de que o Bitcoin (BTC) é uma reserva de valor, um ouro digital, a qual todos correriam em uma crise global.

Os números já não corroboravam essa visão. Um exemplo é a correlação do Bitcoin com o ouro, que nunca foi claramente positiva, como pode ser observado no gráfico abaixo. Diferentemente da correlação do BTC com as outras criptos, como o Ethereum (ETH), por exemplo, onde a correlação é muito próxima de 1.

Para quem não está familiarizado com correlação, ela mede a direção e a magnitude de movimento de um ativo em relação a outro. Se a correlação é +1 significa que os dois se moveram na mesma direção e na mesma magnitude (se um subiu 5%, o outro também subiu 5%); se for -1, é o contrário (se um subiu 5% o outro caiu 5%); e se for zero, os movimentos são independentes (um subiu 5% e o outro ficou parado, por exemplo).

Outro gráfico interessante mostra a correlação diária entre o Bitcoin e o S&P. Desde o começo de março, quando a crise se intensificou, ela vem sendo muito próxima de 1. Ou seja, o Bitcoin teve um movimento muito mais parecido com o S&P do que com o ouro.

Assim sendo, vê-se que o Bitcoin ainda não consegue cumprir duas das três características das moedas: ser reserva de valor e meio de troca. Não é preciso explicar por que ela não é meio de troca, já que é difícil encontrar um lugar que o aceite para pagamentos. Em relação à reserva de valor, o exemplo acima deixa isso claro.

Não há que se desprezar também o fato de que hoje há uma corrida desenfreada por dinheiro (cash). Todos os ativos entraram na mira de tiro para se fazer cash. Por isso, todos eles estão com correlação muito próxima de 1 nos últimos dias.

“Cash is king” é o mote do mercado. E cash em dólares! Isso pode distorcer minha análise, mas me baseio na correlação de longo prazo do BTC com o ouro.

Se nesse momento podemos matar o mito de que o Bitcoin é um ouro digital, isso quer dizer no futuro também será assim? Aí é que entra a maravilha do mundo: eu acho que não.

Um segundo momento dessa crise atual pode ser marcado por uma desconfiança em relação à manutenção do status quo do mercado financeiro, um sistema com uma rede de intermediários bastante complexa e de difícil manutenção.

Não é difícil imaginar algum elemento desse mercado sendo um elo fraco, que se subjugará à crise, por mais que os Bancos Centrais (BCs) do mundo inteiro estejam alertas a isso. Então, pode entrar no jogo uma característica incrível do Bitcoin: ser peer to peer (sem intermediários).

Outro cenário é que, após a enxurrada de dinheiro que os BCs estão emitindo e a estabilização do sistema, tenhamos um período prolongado de inflação (esse é o sonho e a torcida de qualquer Banco Central nos últimos dez anos). Assim, ativos como o Bitcoin poderiam performar muito bem.

Se tivesse que fazer uma aposta hoje, não descartaria o cenário de um elo importante do sistema financeiro quebrar, mas não acredito que esse seja o de maior probabilidade. Os BCs entenderam o problema que isso pode causar com o caso da Lehman Brothers em 2008, e devem socorrer todos e qualquer um.

Agora, quanto à inflação, eu sinceramente rezo para que ela venha. Se ela não vier, os cenários que consigo ver são certamente mais doloridos e incertos para o mundo todo. O problema é que, nos últimos dez anos, inflação está mais difícil de encontrar do que cabeça de bacalhau.

Em resumo, cai o mito e surge o ativo nu e cru.

O Bitcoin morreu. Longa vida ao Bitcoin!

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Gustavo Cunha

Profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro brasileiro e ex-diretor do Rabobank Brasil, escreve sobre inovação e os impactos dela no mercado financeiro (essencialmente Blockchain, criptomoedas e Fintechs). É experiente palestrante que concilia prática e teoria nos seus estudos para o doutorado (PHD) na Universidade do Porto (Portugal).