Metaverso: é de comer, beber ou vestir?

NFTs e Web 3.0 são a base dessa nova organização digital que todos nós estamos já testando

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(Michael Tullberg/Getty Images)

Metaverso é a palavra da moda em tudo que é conversa que envolva tecnologia nos últimos meses. mas poucos sabem o que é e para que ele serve. Neste artigo, trago minha explicação do que acredito serem os pilares que envolverão o metaverso, seja ele o que venha a ser, nos próximos anos.

O metaverso para mim é uma conjunção de várias tecnologias (realidade virtual, blockchain, inteligência artificial etc.) para a criação de um ambiente digital em que conseguiremos ter a propriedade de itens no espaço digital de forma totalmente descentralizada.

Sua base é um modelo econômico baseado em Blockchain e non fungible tokens (NFTs). Estes últimos estão permitindo testes com modelos de negócios que não eram possíveis antes e isso será a base de sustentação econômica do que chamamos de metaverso.

Por meio de NFTs já estão sendo testados modelos de negócio nos quais o proprietário de um NFT de quadro, por exemplo, ganha um percentual de todas as transações futuras que envolvam aquela obra de arte. O artista, em vez de ganhar somente com a primeira venda do seu quadro, fica com um fluxo de caixa futuro.

Agora imagine se estendermos isso para a música? Um grupo lança sua música via NFT e automaticamente ganha um pouco sobre toda vez que essa música for tocada/usada? Isso tudo de forma descentralizada. Qual será o papel do Ecad nesse cenário? Será que ele vai ter algum? No caso de música, ainda não tenho conhecimento de nenhuma plataforma usando isso, mas se você que está lendo já sabe algo nesse sentido, adoraria saber.

Citei esses dois exemplos de uso de NFTs, mas há inúmeros. Desde o campo de games, como os Axies do jogo Axie Infinity, até as propriedades de terras virtuais do Decentraland ou ativos virtuais do Sandbox

Os NFTs serão um pilar muito importante do que chamamos de metaverso. Eles permitem essa propriedade de ativos ou, em outras palavras, criam escassez em um mundo digital em que a regra é a abundância. Só com eles conseguimos reproduzir no campo virtual e de maneira descentralizada muito do que estamos acostumados a ter no mundo real.

Outro pilar importante do metaverso é a descentralização. Podemos ir para um metaverso centralizado, que parece ser a intenção do Facebook ao mudar seu nome para Meta? Sim, podemos. Mas a tecnologia de hoje e o que chamam de Web 3.0 nos permite ir para estruturas similares de maneira descentralizada.

E aqui cabe outra explicação. O que vem a ser Web 3.0?

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Vejo isso como uma forma evolutiva da internet. Começamos com a Web 1.0, em que a grande evolução foi nos colocar todos online, vendo notícias do outro lado do mundo em websites, comprar algo de outra cidade ou país para ser entregue em casa e por aí vai.

Seguiu-se a isso a Web 2.0, em que criamos comunidades digitais online. E aqui não há como separar isso do fenômeno do Facebook, Instagram, WhatsApp, LinkedIn, Discord, etc. Ficamos online com nossos amigos que, inicialmente, eram os mesmos do mundo físico. Hoje já temos amigos nos dois mundos, alguns dos quais nunca demos propriamente um aperto de mão ou um beijo no rosto.

A próxima evolução, e que já está acontecendo, é a Web 3.0. Nela estaremos todos conectados em um ambiente virtual gerenciado por nós, via comunidades, onde teremos os nossos avatares, com a roupa que quisermos, morando onde quisermos, trabalhando, fazendo dinheiro e por aí vai.

Parece um mundo distante e uma ficção que aterroriza muitos de nós. Mas não vejo assim, de forma alguma. Se vermos as gerações mais novas, elas já estão muito acostumadas com esse mundo. E a pandemia fez com que todos nós migrássemos para ele também.

Quem aqui, nos últimos meses, não passou algum dia mais tempo na frente da tela do celular ou do computador do que na frente de pessoas?
Grandes desafios se colocam à frente dessas mudanças que estão acontecendo. Aqui cito alguns para pensarmos juntos:

Qual será o papel do Estado (centralizado) nessa mudança? Haverá um de/para das propriedades digitais para o mundo real? Como serão tributadas as vendas de propriedades no metaverso? Como saber qual avatar é de quem? Haverá uma corrida no mundo real para países com melhor qualidade de vida, internet mais rápida? Como ficam as atuais empresas de tecnologia? Elas vão tentar fazer seus metaversos centralizados ou aderir aos ambientes descentralizados?

O que não falta na minha cabeça são perguntas e dúvidas sobre esse novo mundo que está se formando, e isso é o que é mais fascinante.

Usando uma citação que encontrei no livro sobre a atuação dos Bancos Centrais no entreguerras que estou terminando de ler (e recomendo fortemente para quem tem interesse no assunto):

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“Quem começa com certezas, deve terminar com dúvidas; mas quem se contentar em começar com dúvidas pode terminar com certezas” (Francis Bacon)

Onde continuamos…

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Para quem quiser ir além:
Artigo: Muito além do NFT: metaversos, Web3 e o futuro digital – MIT Technology Review (mittechreview.com.br)
Artigo: E se o metaverso não for um lugar? – MIT Technology Review (mittechreview.com.br)
Artigo: Grayscale Metaverse Report November 2021 (slideshare.net)
Filme: Ready Player One (filme) – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)
Livro: Lords of Finance: The Bankers Who Broke the World | Amazon.com.br
Axie Infinity
The Sandbox Game – User-Generated Crypto & Blockchain Games
Welcome to Decentraland

Gustavo Cunha

Sócio da gestora de ativos digitais Resetfunds, e do portal de educação Fintrender. Profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro brasileiro, foi ex-diretor do Rabobank Brasil, e está há mais de 5 anos no mercado cripto. Escreve sobre inovação e os impactos dela no mercado financeiro (essencialmente Blockchain, criptomoedas e Fintechs). É um experiente palestrante que concilia prática e teoria nos seus estudos para o doutorado (PHD) na Universidade do Porto (Portugal)