Libra, o primeiro experimento global em larga escala de Open Innovation

Open Innovation é uma forma de lidar com inovação onde você utiliza, além dos recursos internos da empresa, recursos externos a ela

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Quanto mais estudo e discuto sobre a Libra, mais fascinado fico com os vários aspectos desse projeto. Já tratei dos efeitos de longo prazo, e também de tudo que sabemos sobre como serão constituídas as reservas que darão o colateral para os tokens. Agora vou olhar o projeto sobre o prisma da inovação; não a inovação que ela trará para o mercado, mas sim a inovação na forma de inovar.

A associação Libra é, até onde tenho conhecimento, o maior projeto de Open Innovation mundial. Open Innovation é uma forma de lidar com inovação onde você utiliza, além dos recursos internos da empresa, recursos externos a ela.

Já é bastante difundido dentre os vários modelos de estruturas inovadoras que, para termos inovações não incrementais, as áreas de inovação não devem estar hierarquicamente posicionadas nas linhas de negócio existentes nas empresas, pois caso sejam assim posicionadas, possivelmente haverá inovações incrementais, mas nenhuma que coloque o negócio atual em risco.

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Isso é um problema grave, já que novos modelos de negócio surgem a todo momento e seus desdobramentos podem acabar com muitos modelos de negócio atual. Ou seja, como se diz por aí, “se você não está pensando em como destruir o seu negócio, alguém está”.

Voltando para os projetos de Open Innovation, a forma de se fazer isso começa com a publicação de algumas diretrizes (visão) e algumas definições iniciais em relação ao modelo de negócio, estrutura jurídica, forma de entrada de novos participantes, entre outros aspectos.

Publica-se este documento para todos e chama a comunidade interessada para dar feedbacks. Nenhum projeto do Open Innovation é apresentado finalizado, e com tudo definido. Vários são os aspectos a serem discutidos e a participação de todos envolvidos vai moldando o produto final.

O que temos na Libra é exatamente o que descrevi no parágrafo acima. Tomando a Reserva Libra como exemplo, ainda não estão definidas as moedas, os títulos públicos e privados que farão parte, onde serão custodiados esses títulos, dentre vários outros aspectos importantes para sua concepção.

Sobre a tecnologia, os programadores que analisaram o código que está no GitHub afirmaram que provavelmente ele represente menos de 50% do código necessário para se colocar a solução em produção. Sobre a associação, já se sabe que devemos crescer dos atuais 28 membros para algo próximo de 100. Sobre a regulamentação e modelo de negócio, ainda temos vários aspectos que estão sendo discutidos, tais como, privacidade de dados e adequação às regras locais do usuário.

Em resumo, o que a Libra fez foi lançar uma visão sobre como poderia ser a infraestrutura do mercado financeiro mundial, tendo menos da metade dos aspectos definidos, e chamou toda a sociedade mundial para discutir o modelo final.

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As vantagens de se fazer inovação assim são enormes, e englobam não somente a atração de mentes brilhantes do mundo inteiro para opinar, discutir e ajudar no desenvolvimento do produto final, mas também diminui a rejeição já que grande parte acaba sendo feita em conjunto.

Como disse no início do artigo, desconheço um projeto mundial que tenha atraído tanta atenção, e colocado o mundo para discutir um mesmo assunto, como o projeto da Libra. Parabéns para a associação por ter utilizado tão bem essa forma de inovar, e que isso sirva de exemplo para várias empresas que ainda continuam a tratar inovação como uma coisa eminentemente interna, ou no máximo de algumas parcerias.

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Gustavo Cunha além desse blog é professor do curso dólar para investidores da infomoney.

Gustavo Cunha

Profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro brasileiro e ex-diretor do Rabobank Brasil, escreve sobre inovação e os impactos dela no mercado financeiro (essencialmente Blockchain, criptomoedas e Fintechs). É experiente palestrante que concilia prática e teoria nos seus estudos para o doutorado (PHD) na Universidade do Porto (Portugal).