DEFI: o que não te mata, te fortalece

As estruturas de código aberto de DEFI são um grande teste feito com a plataforma em desenvolvimento; isso gerará um sistema com grande resiliência e altamente antifrágil

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O caso mais noticiado sobre DEFI esta semana refere-se ao hack que ocorreu na plataforma Poly Network, de onde foram roubados cerca de US$ 600 milhões.

Um valor enorme. Até onde consegui averiguar, o roubo foi possibilitado por uma falha de assinatura em uma parte do protocolo, que permitiu ao hacker alterar as chaves públicas de envio dos tokens.

Na sequência do hack, a comunidade toda se movimentou, em tempo recorde, para bloquear as chaves públicas para onde os tokens foram enviados.

Como a Poly Network é um protocolo de interconexão entre várias blockchains, o hack aconteceu em três delas: Ethereum, BSC e Polygon. Se coordenar esse processo em uma única blockchain já é complicado, imagine em três.

Mesmo assim, no final do dia em que aconteceu o hack, grande parte das chaves públicas para onde os tokens foram transferidos estava bloqueada, impedindo o hacker de movimentar qualquer valor.

Concomitantemente a esse processo, começaram a surgir mensagens de envolvidos no Twitter pedindo que o hacker devolvesse os valores.

Na manhã seguinte ao ocorrido, o hacker anunciou que devolveria os valores para a Poly Network.

Se foi pelo apelo da comunidade, por ele ser um “white hat” (uma espécie de “hacker do bem”), por terem descoberto sua identidade, ou se ele, já que não conseguiria mais movimentar os valores, decidiu fazer uma saída honrosa, pouco importa. O que importa são os aprendizados que esse episódio traz.

A verdade é que DEFI é ainda um setor em formação, com vários testes sendo feitos em produção. Qualquer deslize gera fatos como os que aconteceram esta semana.

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No curto prazo, isso pode até parecer ruim e caótico. Mas, quando olhamos para um horizonte mais alargado, isso criará um sistema muito mais resiliente do que se ele fosse criado em um ambiente fechado.

Esse processo faz com que ocorra uma “seleção natural” dos sobreviventes, seguindo a lei do mais resiliente, ou seja, a lei de Darwin.

Outro ponto importante é que, à medida em que DEFI vai se amadurecendo, os mecanismos “institucionais” (se é que posso chamar a movimentação da comunidade por esse nome) vão sendo criados e, consequentemente, dando mais robustez ao setor como um todo.

Para nós, investidores, fica o alerta de que DEFI ainda está em formação. Esse hack não foi o primeiro e não será o último que veremos. Cabe a nós fazermos o trabalho de pesquisa, diversificar o risco entre os protocolos e ter o volume de investimentos adequado ao risco.

Aos empreendedores que estão montando essas plataformas, fica o alerta para terem o máximo de cuidado com o código e não pegar atalhos.

O acontecido acabou tendo um final relativamente feliz. Mas para a Poly Network essa história não termina aqui.

A vulnerabilidade encontrada coloca em xeque a segurança do protocolo. Fatos como esse afetam não somente o protocolo em si, mas a credibilidade dos seus fundadores.

Serão eles capazes de superar essa crise? Espero que sim. E que esse caso traga um aprendizado muito grande não somente para eles, mas para toda a comunidade.

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Longe de matar o mercado de DEFI, esse hack demonstrou uma capacidade ímpar de mobilização de uma comunidade em um ambiente de código aberto e redes distribuídas. Ponto positivo para a consolidação no longo prazo.

E como diz o ditado: o que não te mata, te fortalece. Força, DEFI!

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Gustavo Cunha

Profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro brasileiro e ex-diretor do Rabobank Brasil, escreve sobre inovação e os impactos dela no mercado financeiro (essencialmente Blockchain, criptomoedas e Fintechs). É experiente palestrante que concilia prática e teoria nos seus estudos para o doutorado (PHD) na Universidade do Porto (Portugal).