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Variante ômicron, novo aporte da Ânima e vendas da Black Friday

Aquele 1% investido em ativos de alto risco

Gosto de ver investimentos como uma carteira balanceada, mas com o pé no fogo e a cabeça no freezer: grande parte dos investimentos devem estar alocados no ativo de menor risco e uma pequena parte no ativo (na verdade, nos ativos) de maior risco que encontrar

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Fui formado na escola de diversificar investimentos para ter uma melhor relação de risco retorno, e ainda acredito nisso. A diferença é que hoje acredito que a melhor forma de fazer isso é pegando os extremos.

Quando falamos de alocação de investimentos, não há como fugir de modelos clássicos baseados no histórico dos ativos e que tem suas raízes nos modelos de Markowitz, criados na década de 1950.

Desde então, muita água passou por baixo da ponte. Teorias baseadas no comportamento dos mercados e dos agentes ganharam (e ainda ganham) cada vez mais relevância. Modelos com uma visão diferente, como o de Antifragilidade, criado por Nassim Nicholas Taleb, também têm seu espaço consolidado.

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Em contraponto às teorias mais clássicas, que de uma forma ou de outra jogam com a diversificação como uma forma de ter uma melhor relação risco/retorno, temos as provocações feitas em Axiomas de Zurich. Uma delas é que só a concentração das apostas lhe fará ter sucesso de verdade.

Com tudo isso na cabeça, confesso que a forma como vejo que devemos fazer investimentos mudou consideravelmente nos últimos anos.

Hoje, gosto de ver investimentos como uma carteira balanceada, mas com o pé no fogo e a cabeça no freezer. O que quero dizer com isso é que grande parte dos investimentos devem estar alocados no ativo de menor risco que você encontrar e uma pequena parte no ativo (na verdade, nos ativos) de maior risco que encontrar. E aqui, cripto e startups tem um papel importantíssimo.

Mas, vamos por partes. Qual o ativo de menor risco em que a maioria dos investimentos deve estar?

Entendo que esse ativo deve ser na moeda que você pretende gastar (viver) nos próximos cinco a dez anos, e em um investimento que ao menos consiga te suportar no curto prazo, além de manter seu poder de compra nessa moeda no médio e longo prazo.

Se você mora no Brasil e pretende continuar morando aí, o melhor ativo seria uma composição entre os papeis do Tesouro Direto Selic e IPCA. Se estamos falando de EUA, seria uma composição e T-bills e TIPs.

Definido esse ativo de menor risco, vamos ao ativo de altíssimo risco.

Aqui, gosto muito das criptomoedas. Fazendo papel de “engenheiro de obra feita”, imagine, por exemplo, se há cinco anos você tivesse investido 1% do seu patrimônio no Bitcoin. Mesmo se o restante do seu patrimônio tivesse se mantido estável, hoje ele teria dobrado. E o Bitcoin representaria 50% dele. E aqui fui em um dos ativos menos voláteis, ou seja, de menor risco, dentro do mundo cripto.

Outro exemplo interessante é se você tivesse usado 1% do seu patrimônio em ações da Tesla há cinco anos. Estamos falando de mercado tradicional aqui. Hoje, seu patrimônio seria 26% maior e a Tesla representaria 21% do total.

Fiz esses exemplos em dólar para facilitar, não envolver questões de cambio e poder assumir que o restante renderia perto de zero. Para o Brasil, apesar de termos que corrigir pelos juros os 99% restantes do patrimônio, essa conta seria ainda mais vantajosa, pois os ativos mencionados são cotados em dólar.

Acertar o 1% é que é a questão. Você poderia ter investido em uma infinidade de ações ou criptos que viraram pó e valem zero hoje. E aqui voltamos à diversificação. Apesar de nos outros 99% a diversificação ser menos importante, aqui ela é crucial.

A taxa de mortalidade de startups (e ela vale para criptos e mercado tradicional) é superior a 85% para esse período de cinco anos. Isso quer dizer que, se você investiu em dez é bem provável que nove delas não existam mais ou tenham valor próximo de zero. E conseguir investir em mais de 10 startups, sem considerar o mercado cripto, é uma dificuldade imensa, principalmente pelo investimento inicial ser muito alto para a maioria das pessoas. Isso sem contar fatores como precificação, comprar e vender quando quiser etc.

Por outro lado, se você quiser montar uma carteira com 100 criptos consegue fazê-lo facilmente. Já existem mais de 14 mil criptos listadas no CoinMarketCap, que você pode acessar, estudar, entender e ver por onde investir. E o melhor, consegue diversificar mesmo tendo pouco dinheiro, diferentemente dos investimentos em startups do mercado tradicional.

Usei a relação 99/1 como exemplo para fins de entendimento da estratégia. Cada um deve ajustá-la levando em consideração fatores como idade, renda, apetite ao risco, entre outros.

Por fim, o ponto mais importante é que estudando bem as criptos que você vai comprar e tendo uma cabeça de investimentos de longo prazo, “aquele 1% vagabundo” (lembra da música do Wesley Safadão?) pode ser a fonte de uma vida financeira mais confortável para frente. Já pensou nisso?

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Gustavo Cunha

Profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro brasileiro e ex-diretor do Rabobank Brasil, escreve sobre inovação e os impactos dela no mercado financeiro (essencialmente Blockchain, criptomoedas e Fintechs). É experiente palestrante que concilia prática e teoria nos seus estudos para o doutorado (PHD) na Universidade do Porto (Portugal).