10 casos de uso para uma Stablecoin

Muitos têm me perguntado para que serve uma Stablecoin e o que podemos fazer com ela que hoje já não fazemos

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Desde o anúncio da Libra, Stablecoin criada por uma associação liderada pelo Facebook, muitos têm me perguntado para que serve uma Stablecoin e o que podemos fazer com ela que hoje já não fazemos.

Para responder isso, nada melhor do que discutir com quem está criando uma Stablecoin e foi o que fiz. Troquei várias mensagens com o Thomaz Teixeira da Ntokens sobre esse assunto, sobre as quais faço um resumo abaixo.

Se você começou sobre esse tema agora vale ler também o texto explicando o que é uma Stablecoin.

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Os 10 casos de uso de uma Stablecoin:

Pagamentos Digitais com custos baixos
Com uma Stablecoin em uma carteira digital é possível fazer pagamentos via QR code para, por exemplo, pagar um café. A transação funciona via a transferência de valores no campo digital, mais precisamente, da transferência do valor a ser pago para a cafeteria em stablecoins que representem a moeda transacionada o país.

Ela é uma representação no campo digital de um pagamento via papel moeda. Não há intermediários nem tampouco taxas a serem pagos, à exceção da taxa de transação da rede que estaria sendo usada (Ethereum ou Stellar, por exemplo), mas que hoje são ínfimos se comparados às taxas cobradas pelos participantes da das redes de pagamento atuais. 

2. Transferências entre pessoas sem intermediários
Caso tenha que pagar sua parte do churrasco do fim de semana para um amigo, isso tb poderia ser feito através de uma transferência dessa Stablecoin. Novamente sem envolver TED, DOC ou qualquer intermediário do sistema financeiro.

Essa Stablecoin poderia ser transferida via uma carteira digital ou até via um aplicativo de mensagens. Afinal de contas uma transferência de dinheiro no campo digital é o mesmo que uma transferência de dados, só que com algumas características que a diferenciam, como privacidade e não possibilidade de gasto duplo, entre outras. 

3. Transferências 24/7
Como a base de desenvolvimento de uma Stablecoin é um Blockchain ou DLT, ele funciona na rede 24 horas por dia 7 dias por semana. Não será preciso esperar a segunda-feira o horário bancário para fazer a transferência que necessita. 

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4. Transferências entre wallets de diferentes aplicativos
Ainda que pessoas usem carteiras digitais diferentes, as transferências de moeda digital permitem a liquidação entre elas 24/7 online, o que não é possível via TED ou DOC atualmente.

5. Câmbio
Se tivermos duas Stablecoins em uma determinada Exchange ou carteira, o fechamento de câmbio pode ser feito entre elas de forma fácil, barata e sem intermediários.

Será como vender ações da Vale para comprar do Itaú sem ter que passar pelo Real, já que o par VALE/Itaú pode ser o par negociado. No exemplo poderíamos ter o par StablecoinREAIS x Stablecoin dólares e trocar de uma para outra diretamente.

A possibilidade do ponto de vista técnico já é possível, mas precisa-se observar a regulamentação para não infringir nenhuma norma. 

6. A integração do registro de transações com os documentos fiscais e comprovantes
O mesmo QR-code para a transação de transferência pode carregar, além da informação da transferência, registros de nota fiscal, imposto pago para posterior declaração, propriedade, número de licença e outras informações que facilitam a vida do consumidor e cidadão sem que precisemos guardar registros em duplicidade. Esse registro pode ficar atrelado à transferência da Stablecoin e, portanto, ser uma fonte única de consulta para o usuário.

7. Moedas digitais permitem programar comportamentos diretamente no sistema de transações.

Valores mínimos, máximos, transferências automáticas, e virtualmente tudo que as normas exigirem ou permitirem, podem ser diretamente aplicadas em camadas de inteligência que agem sobre a stablecoin, independentemente da aplicação que interage com ela.

8. Programas de finalidade exclusiva
Existem casos, tais como programas de financiamento público ou subsidiado, programas de isenção tributária ou mesmo cadeias de fornecedores fechadas em que pré-requisitos são exigidos para que transações sejam aceitas, onde as Stablecoins podem facilitar a validação redundante de documentação.

Ao invés de habilitar cada transação, os agentes se habilitam uma única vez, as regras de funcionamento estão definidas e programadas no sistema via smart contracts e a partir daí as transações são validadas de forma segura, automática e sem custo extra de burocracia.

9. Como proteção em investimentos em criptomoedas

Traders de criptomoedas podem ter interesse em alocar ativos em moedas não expostas a volatilidade, sem sair do ambiente cripto.

Esse caso de uso de moedas estáveis tem tido amplo sucesso mesmo através de moedas que embora pioneiras são discutivelmente menos consistentes que as versões mais atuais.

O sucesso é tamanho que emissão, exposição e circulação diária ficam na casa de bilhões de dólares.

10. Rendimentos e dividendos de cripto-ativos
Cripto-ativos que representem participação em investimentos provavelmente vão ter distribuição de rendimentos. Considerando que esses cripto-ativou ou security tokens existem no meio digital, as wallets e endereços que detém tais participações, provavelmente, não serão capazes de receber moedas não digitais. 

Além disso, os dividendos farão sentido se forem nominativos em valores estáveis e que possam ser comparáveis a investimentos tradicionais.  

Coloquei aqui o resumo das nossas discussões e o que entendemos serem os 10 principais casos de uso de uma Stablecoin, mas essa lista está longe de ser completa e finita.

Caso você tenha conhecimento ou queira discutir outros casos de uso estamos à disposição.

Gustavo Cunha – LinkedIn, Facebook ou Youtube

Thomaz Teixeira – Linkedin, nTokens.com,

Gustavo Cunha além desse blog é professor do curso dólar para investidores da infomoney.

Para quem quiser se aprofundar sobre Stablecoins:

Explicando a Libra (cripto do Facebook)  – Youtube

9 respostas sobre a LIBRA – Blog do Gcunha

White paper da LIBRA

Explaining Stablecoins the holy grail of Crytpocurrency – Sherman Lee – Forbes

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Gustavo Cunha

Profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro brasileiro e ex-diretor do Rabobank Brasil, escreve sobre inovação e os impactos dela no mercado financeiro (essencialmente Blockchain, criptomoedas e Fintechs). É experiente palestrante que concilia prática e teoria nos seus estudos para o doutorado (PHD) na Universidade do Porto (Portugal).