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Um ano depois do “trágico” 7 a 1, o Brasil parece ter levado uma goleada muito maior

Naquele dia 8 de julho de 2014, a derrota acachapante da seleção canarinho chocou os brasileiros - mas as surpresas (ruins) estavam apenas começando

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SÃO PAULO – Quando o juiz deu o apito final, uma sensação de alívio e desespero tomou conta de boa parte dos brasileiros há exato um ano. Sim, foi o fatídico 7 a 1, com o placar amplamente favorável para a seleção da Alemanha, futura tetracampeã, contra um humilhado Brasil, em uma plena semifinal no Mineirão.

O sonho de um hexacampeonato em território nacional acabou naquele final de terça-feira, que ecoou pelo mundo como a derrota mais humilhante da seleção canarinho. Porém, poucos poderiam contar que este seria apenas o início de seguidas frustrações com o Brasil.

Entre tantas lágrimas e traumas que assolaram o Brasil, as emoções estavam apenas começando. Além do futebol, a economia enfrentava apenas o começo dos reveses, enquanto a volatilidade da Bolsa ainda iria durar muito, em meio ao começo da campanha eleitoral para presidência da República.

Aliás, muitas coisas curiosas aconteceram após o 7 a 1. Na volta da Bolsa, no dia 10 de julho (9 de julho foi feriado em São Paulo e, com isso, a Bolsa não abriu), o Ibovespa registrou alta de 1,8%. A derrota histórica contra a Alemanha faz investidores apostarem em nova queda da presidente Dilma Rousseff, que não agradava o mercado por conta de suas políticas intervencionistas em diversos setores, na corrida eleitoral. Esta foi mais uma das fortes emoções da Bolsa e da corrida eleitoral, que sofreu um baque muito maior com a morte de um dos presidenciáveis, Eduardo Campos (PSB), em 13 de agosto, que chocou o País e mudou totalmente o cenário eleitoral.

Voltando ao cenário da Copa, uma reportagem do Financial Times já destacava o cenário de turbulência: elogiando a organização do evento e classificando-o de esplêndido, o jornal destacou que o drama real da eleição iria começar. E já dava para sentir alguns efeitos do pleito logo na abertura da Copa, em São Paulo no dia 12 de junho, quando Dilma foi vaiada.

E o cenário de tensão não parou por aí: também no Financial Times, pouco mais de uma semana após a acachapante derrota, uma notícia foi destaque: “a humilhante derrota do Brasil para a Alemanha na Copa do Mundo já era ruim o suficiente, mas agora parece que a economia do país também pode estar caminhando para uma outra derrota esmagadora da mesma forma”. E esta derrota seria na economia: o 7 representaria a inflação brasileira e 1 o crescimento fraco da atividade no ano de 2014.

O final de chegou, Dilma foi reeleita, o ministro da Fazenda foi substituído. Em 2015, saiu Guido Mantega, entrou Joaquim Levy. E os números da economia chegaram, não sendo nada animadores: a inflação oficial medida pelo IPCA fechou 2014 em 6,41%, perto do teto da meta de 6,5% e bem perto dos 7% previstos. Mas isso em meio ao controle dos preços administrados (sem este, a inflação de 2014 seria bem maior). De qualquer forma, foi a maior alta de preços desde 2011. Enquanto isso, os números da atividade econômica foram piores do que o esperado, com o PIB registrando uma alta bem menor do que o 1% esperado, com alta de apenas 0,1%.

O ano de 2015 começou e as expectativas para a economia só pioraram, em meio ao cenário de ajustes que teve de ser feito em meio à tendência de crescimento da dívida e ao ambiente insustentável de alta de gastos. Os ajustes na economia começaram, com cortes nos gastos para fazer superávit primário e alta da Selic em 2 pontos percentuais somente este ano para conter a inflação. Em meio ao cenário de esgotamento do mercado consumidor do Brasil e com o aumento do desemprego, as perspectivas econômicas só pioraram, o que fizeram com que o 7 a 1 de 2014 parecesse pouco perto do que está se desenhando para 2015. 

O último relatório Focus, com compilações de expectativas de mercado, aponta uma expectativa de retração da economia de 1,5% e um IPCA de 9,04%. Mas há economistas que preveem um cenário ainda pior, com contração econômica de 2% e inflação de 9,5% ao ano. E, “pelo andar da carruagem”, a expectativa é de cortes ainda maiores nas previsões, em meio a dados cada dia mais decepcionantes, até mesmo para os mais pessimistas, tanto no varejo, quanto na indústria, além dos dados de desemprego que batem recordes. Soma-se a isso o “dilema” do Banco Central: aumentar a Selic para conter a inflação, mas elevar a dívida e comprometer o ajuste fiscal ou diminuir o ciclo de altas e mudar a sinalização para o mercado? Com isso, a expectativa é de que haja o fim do ciclo de altas em breve. Seriam 9 gols contra o Brasil e 2 feitos contra? O placar no final de 2015 ficará 11 a 0?

E, como não poderia deixar de ser, a repercussão internacional sobre a atividade econômica, além da crise política, segue intensa. Com uma rejeição cada vez maior, Dilma foi retratada em abril pela “The Economist” como a “fantasma do Planalto” e afirmou que, para muitos efeitos práticos, a presidente não estava mais no poder. E isso para uma presidente com poucos meses de reeleita, que sofreu com uma forte queda de popularidade em meio a acusações de estelionato eleitoral e do ambiente econômico bastante ruim pela frente. E com perspectivas de piora.

Voltando ao futebol e no que aconteceu depois do 7 a 1, a seleção canarinho também não está mais dando tantas esperanças para o Brasil, vide a campanha bastante ruim na Copa América em junho, quando o Brasil caiu nas quartas-de-final para o Paraguai nos pênaltis, apresentando um futebol apático. Apatia também vista na economia. 

Se o futebol do Brasil hoje é visto como algo do passado, o Brasil segue sendo o “País do futuro”. Entre o desencanto com o futebol e a decepção com a economia, o Brasil parece ter ficado com os dois. Mas ainda segue a esperança para que dias melhores venham para o País – e que a crise seja vista como uma oportunidade. 

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.

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