Sem Campos, chance de oposição se unir no segundo turno cai muito

Marina Silva, que pode se lançar candidata no lugar de Campos, é bem mais reticente em relação a uma possível união de forças com Aécio no segundo turno do que era o pernambucano

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(SÃO PAULO) – Ainda é muito difícil prever o que deve acontecer no cenário político brasileiro após a morte do candidato Eduardo Campos, do PSB. Mas os analistas já têm feito algumas considerações:

– Marina Silva provavelmente será a candidata do PSB à Presidência. Ela é um nome forte, com potencial para tirar votos tanto de Dilma Rousseff (PT) quanto de Aécio Neves (PSDB). Vale lembrar que Marina teve 20% dos votos na última eleição.

– Marina tem vontade de ser presidente: foi candidata em 2010 e tentou criar a Rede para concorrer em 2014. Ou seja, só ainda não é candidata porque não conseguiu colocar o próprio partido de pé.

– A decisão, no entanto, cabe ao PSB. Marina era apadrinhada de Campos, mas está longe de ser unanimidade no partido. O mais provável é que a decisão seja pragmática, com base em pesquisas.

– O PSB também sofrerá pressões de todos os lados antes de anunciar se terá ou não candidato. O PT e principalmente Lula devem pressionar para que o PSB se junte à candidatura Dilma. Já o PSDB deve fazer o possível pelo lançamento de Marina – a não ser que pesquisas mostrem ela e Aécio muito próximos em intenções de voto.

– O PSB ficou menor com a morte de Eduardo Campos, seu principal líder. Ter um candidato com votação expressiva pode ser um primeiro passo para reerguer a legenda. Já se Marina se lançar e tiver um desempenho ruim, as coisas podem ficar ainda mais difíceis.

– A primeira pesquisa eleitoral após a morte de Campos deve ser totalmente diferente das últimas.

– Com Marina, aumenta a chance de haver segundo turno porque ela tirará votos de Dilma.

– Sem Marina, cai a chance de segundo turno porque só haveria dois candidatos com votações expressivas.

– A chance de a oposição se unir no segundo turno cai com a morte de Campos. Marina não gosta da ideia de o PSB se juntar ao PSDB em um eventual segundo turno nas eleições. Marina tampouco gosta de Dilma. Então o mais provável é que se mantenha neutra em um eventual segundo turno.

João Sandrini

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