Plano Real, 20 anos, passa por seu mais duro teste

O Plano que salvou o Brasil da hiperinflação completou 20 anos nesta terça-feira (1º de julho)

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

SÃO PAULO – O Plano Real, colocado em prática pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e sua equipe de economistas, composta por Edmar Bacha, Gustavo Franco, Gustavo Loyola, Armínio Fraga, Pérsio Arida, André Lara Rezende, Pedro Malan, entre outros, completa 20 anos nesta terça-feira (01).

O plano que colocou em circulação o Real, moeda que usamos até hoje, salvou o país da hiperinflação, causada principalmente pelas crises do petróleo nas décadas de 70 e 80 e por sucessivos planos equivocados, como o Cruzado, Verão, Bresser e Collor, colocados em prática pelo ex-presidente José Sarney, que irá se aposentar da política neste ano, e pelo ex-presidente, Fernando Collor de Mello, que sofreu impeachment, após ser acusado de corrupção, em 1992.

Hoje, 20 anos depois de o país entrar nos trilhos, a população e o mercado temem que a inflação saia do controle novamente, por conta de um governo mais tolerante com aquilo que dita o poder de compra de nossa moeda. Afinal, além de ficar marcado pela falta de transparência e pelo excesso de intervenções em diversos setores da economia, o governo Dilma também será lembrado por uma inflação beirando o teto da meta, de 6,5% ao ano, por quatro anos seguidos.

A meta estipulada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), composto pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, é de 4,5% ao ano e não de 6,5% ano. Os dois pontos percentuais para mais ou para menos são para acomodar eventuais choques. No entanto, a partir do momento que o governo já declara que a inflação vai estar acima do centro da meta e tomas medidas insuficientes para combater tal fato, isso deixa de ser um “choque” temporário e aumenta os riscos para a economia brasileira. 

Além do que o mercado considera ter sido uma queda “forçada” dos juros, o governo também tem tomado medidas que estimulam o consumo e corroboram com uma inflação mais alta, mesmo com o crescimento econômico cada vez menor e o congelamento de preços da gasolina.

A conta ficará para o proximo presidente, independente de quem seja eleito. Segundo contas do economista Ricardo Amorim, se todas as tarifas públicas que foram congeladas durante o atual governo forem corrigidas de uma só vez, a inflação dos preços administrados chegaria a 14% em 2015. Quanto ao Plano Real, feliz aniversário e obrigado por salvar o Brasil.

Arthur Ordones

Leia também