Petrobras quebra recorde atrás de recorde; mas isso realmente importa agora?

Corrupção ofusca resultados operacionais e a maior estatal brasileira mergulha na Bolsa apesar de quebrar recordes de produção

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SÃO PAULO – Se você desembarcasse na Terra agora e lesse os dados de produção da Petrobras (PETR3; PETR4), acharia que a estatal vai de vento em popa e nada de errado ocorre no reino do petróleo brasileiro. Como o leitor não é um marciano, ele sabe que, pelo contrário, a companhia sofre com uma brutal perda de patrimônio e uma desvalorização de suas ações que já chega a 10% no ano e mais de 60% do topo alcançado em setembro do ano passado até agora. 

A verdade é que produzindo ou não produzindo, há ainda muitos poréns que envolvem a Petrobras. Esses dados ficam em terceiro plano quando considera-se que ainda há em jogo a Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal, e a queda abrupta dos preços do petróleo. 

As operações da estatal podem até ir bem, com crescimento da produção e vendas, apesar de mais uma vez ficaram abaixo da meta estabelecida (que foi revisada para baixo em novembro), porém, a situação que as denúncias de corrupção têm levado a empresa são chocantes, desde a não publicação do balanço (que não deve ser resolvido tão cedo como bem pontuou a empresa nesta manhã) até a suspensão da possibilidade de realizar contratos com seus tradicionais fornecedores, comentou a Planner Corretora. 

Isto é, até mesmo a produção, que mostrou crescimento, ainda pode ser contestada por ter ficado abaixo das projeções da própria companhia. “Produção veio abaixo das expectativas e projeções da companhia, mesmo quando foi revisada para baixa”, salientou a XP Investimentos. Em novembro do ano passado, a companhia revisou para baixo a extração do petróleo a uma taxa entre 5,5% e 6% no período – em 2014 ficou em 5,3%, 0,2 ponto percentual abaixo da nova meta. Anteriormente, a companhia projetava aumentar a produção em 7,5%, com um ponto percentual de margem para baixo ou para cima.

Mas, ainda assim, vendo isso como uma evolução consistente (mesmo que abaixo do previsto), o progresso da empresa ainda resvala na condição institucional atual da companhia com seus desdobramentos decorrentes das investigações em andamento, disse a Concórdia Corretora. E, não bastasse isso, a companhia se vê em um momento complexo, com ritmo cadente das cotações de seu principal ativo – o petróleo – o que até pode representar uma folga de caixa no curto prazo, tendo em vista sua condição de ainda importadora líquida, mas que não é saudável no médio/longo prazo aos seus projetos. 

Os preços internacionais do petróleo estão nos níveis mais baixos desde 2009. Hoje, o barril do WTI (West Texas Intermediate) fica cotado a US$ 45,71, enquanto o Brent opera a US$ 46,14. Com isso, os níveis de preço da commodity perto dos US$ 100, para os quais todo o planejamento da exploração do pré-sal foram feitos, ficam cada vez mais para trás, assim como a viabilidade dessas reservas. 

“Como, até o momento, nenhum desses aspectos encontram-se dissipado, não vemos porque a volatilidade nos papéis não se sustentar”, disse a Concórdia. “Prudência convém”. Hoje, as ações da companhia operam em alta, mas, principalmente, puxadas por otimismo do mercado após fala do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que sinalizou sua autonomia no governo. O ministro disse que a estatal passará a tomar suas decisões de preço como empresa. Uma possibilidade de menor intervenção do governo, que fez mais pela ação do que os próprios resultados da Petrobras.

Em nota na segunda-feira, a Petrobras anunciou que, apesar de não bater a meta do ano, a empresa conseguiu ultrapassar os recordes históricos de produção de petróleo e gás natural. Em dezembro, foram produzidos 2,863 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), melhor resultado já alcançado na história da petroleira. O volume é 4,4% maior do que o registrado em novembro, que foi de 2,741 milhões de boed.  

Vale mencionar, no entanto, que pela manhã, a Folha de S. Paulo soltou mais uma notícia dizendo que um grupo de acionistas minoritários brasileiros da empresa deverá entrar na Justiça com um pedido de indenização financeira para reparar perdas obtidas depois do escândalo da Lava Jato. A matéria conta que, segundo o advogado, os investidores ofendidos alegam ter pago R$ 48 por cada papel em 2008, sendo que hoje, eles já ficam entre os R$ 8 e R$ 9. 

Equipe InfoMoney

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