Petistas detonaram o Plano Real há 20 anos; veja as previsões mais furadas

Mantega, Mercadante, Lula: todos previram o fracasso do Real; interessante notar que o plano vive agora um de seus priores momentos

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SÃO PAULO – Não é de hoje que os membros do atual governo fazem previsões que não costumam condizer com a realidade. Muitas declarações do atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre dados macroeconômicos, por exemplo, acabaram não se concretizando, o que prejudica sua imagem e do próprio governo perante empresários e o mercado. Se considerarmos o que algumas das principais lideranças petistas diziam na época do lançamento do Plano Real, há 20 anos, percebe-se que erros nas previsões econômicas não são nenhuma novidade. Trata-se de tempo suficiente para julgar os méritos e problemas do Plano – e também para concluir que os petistas estavam redondamente enganados quando fizeram a avaliação inicial, conforme pode ser conferido a seguir:

Guido Mantega – Ministro da Fazenda

“Existem alternativas mais eficientes de combate à inflação. É fácil perceber por que essa estratégia neoliberal de controle da inflação, além de ser burra e ineficiente, é socialmente perversa” (Publicado na Folha de S. Paulo em 16 de agosto de 1994).

Lula – Ex-presidente do Brasil
“Esse plano de estabilização não tem nenhuma novidade em relação aos anteriores. Suas medidas refletem as orientações do FMI. O fato é que os trabalhadores terão perdas salariais de no mínimo 30%. Ainda não há clima, hoje, para uma greve geral, mas, quando os trabalhadores perceberem que estão perdendo com o plano, aí sim haverá condições” (Publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 15 de janeiro de 1994). 

Aloizio Mercadante – Ministro-Chefe da Casa Civil
“O Plano Real não vai superar a crise do país. O PT não aderiu ao plano por profundas discordâncias com a concepção neoliberal que o inspira” (Publicado no livro “O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto).

Gilberto Carvalho – Ministro-Chefe da Secretaria Geral da Presidência da República
“Não é possível que os brasileiros se deixem enganar por esse golpe viciado que as elites aplicam, na forma de um novo plano econômico” (Publicado no livro “O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto).

Marco Aurélio Garcia – Assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais
“O Plano Real é como um relógio Rolex, destes que se compra no Paraguai e têm corda para um dia só. A corda poderá durar até o dia 3 de outubro, data do primeiro turno das eleições, ou talvez, se houver segundo turno, até novembro” (Publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 7 de julho de 1994).

Vicentinho – Líder do PT na Câmara dos Deputados
“O Plano Real só traz mais arrocho salarial e desemprego” (Publicado no livro “O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto).

Maria da Conceição Tavares – Filiada ao Partido dos Trabalhadores; Ex-deputada Federal pelo Rio de Janeiro
“O Plano Real foi feito para os que têm a riqueza do País, especialmente o sistema financeiro” (Publicado no Jornal da Tarde em 2 de março de 1994).

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Paul Singer – Um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores
“Haverá inflação em reais, mesmo que o equilíbrio fiscal esteja assegurado, simplesmente porque as disputas distributivas entre setores empresariais, basicamente sobre juros embutidos em preços pagos a prazo, transmitirão pressões inflacionárias da moeda velha à nova” (Publicado no Jornal do Brasil em 11 de março de 1994).

“O Plano Real é um arrocho salarial imenso, uma perda sensível do poder aquisitivo de quem vive do próprio trabalho” (Publicado no jornal Folha de S.Paulo em 24 de julho de 1994).

Arthur Ordones

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