“Pelé do cartoon” foi assassinado em ataque ao Charlie Hebdo; veja capas do jornal

Mundo está de luto pelo ataque terrorista realizado ao jornal francês, que tentava mostrar ao mundo com humor o significado de liberdade de expressão

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SÃO PAULO – 7 de janeiro de 2015 será um dia para sempre marcado na história, principalmente entre jornalistas e desenhistas. Infelizmente será uma lembrança triste. Nesta fátidica quarta-feira um grupo terrorista invadiu a sede do jornal francês Charlie Hebdo e matou 12 pessoas, ferindo outras 10. O atentado tirou a vida de grandes nomes do cartunismo mundial e que influenciaram artistas espalhados pelo globo em suas obras. Mas mais que tudo isso, esse foi um atentado à liberdade de expressão.

A publicação nunca teve medo de mostrar suas opiniões e isso já havia levado a diversas ameaças sobre a equipe de redação. O Charlie nunca poupou políticos, a classe alta, governo, banqueiros ou mesmo a religião. Essa última sendo apontada como a grande causa do que ocorreu hoje. É importante destacar aqui – e como pode ser visto logo abaixo – que o jornal nunca teve um alvo preferido, sendo que judeus, católicos, muçulmanos e todas as outras crenças já foram retradas em charges do Charlie.

Segundo a imprenssa local, os terroristas que invadiram a redação da publicação gritaram “Vingamos o Profeta”, em referência à Maomé, que em 2011 já tinha causado problemas ao Charlie. Em novembro daquele ano, uma charge mostrava o profeta com a frase “Cem chibatadas se você não morrer de rir”. Por conta das piadas feitas pelo jornal, desde 2006 sua sede já era protegida pela polícia.

Ainda em 2011, o editor do Charlie, Stephane Charbonnier – morto no ataque de hoje – fez um vídeo mostrando o estado da redação após um ataque feito ao jornal, que havia colocado Maomé como editor de sua edição daquele dia. “Isso me mostra que estamos certos em publicar a revista, em desafiar os islâmicos e dificultar a vida deles assim como eles dificultam a nossa. Isto é o ato de extremistas idiotas, certamente não de todos os muçulmanos que moram na França. É um ataque contra a liberdade”, disparou Charb, como era conhecido.

Entre os que perderam a vida hoje estava George Wolinski, considerado um mestre do desenho. Em entrevista ao El País Brasil, o desenhista brasileiro André Dahmer disse que “quem foi assassinado foi o Pelé do cartoon”. Segundo ele, três gerações do jornalismo mundial foram influenciadas pelo trabalho do cartunista. O mundo parece estar de luto e no início da noite de hoje começam a aparecer na internet diversas fotos sobre atos na Europa, onde milhares de pessoas estão nas ruas, e no resto do mundo, com a expressão “Je suis Charlie” (“Eu sou Charlie” em francês) em todos os lugares.

Em um dia triste como hoje, fica a homenagem ao Charlie Hebdo, que mostrou ao mundo como rir da vida e ensinou – ou pelo menos tenta fazer isso todos os dias – às pessoas que você pode ter suas crenças e opiniões, mas que também precisa aceitar a dos outros. O Charlie tenta ensinar ao mundo o que é a liberdade de expressão. Veja abaixo algumas das polêmicas capas da publicação nos últimos anos:

Charlie Hebdo

“Intocáveis 2 – Não se deve zombar”

Charlie Hebdo

“Finalmente livre”

Charlie Hebdo

“O Partido Socialista escolheu sua governanta”

Charlie Hebdo

“A verdadeira felicidade é ‘zero’ papai e ‘zero’ mamãe”

Charlie Hebdo

“Se Maomé voltasse…” “Eu sou o profeta, seu bruto!”, afirma o homem prestes a ser decapitado. “Cale a boca, infiel”.

Charlie Hebdo

“Cem chibatadas se você não estiver morto de rir”

Charlie Hebdo

“O Alcorão é uma merda – Isto não para as balas”

Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.

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