Os 2 rumores vitais para o futuro da Petrobras

A empresa divulgou um balanço muito ruim, mas diz que pode ajustar os preços dos combustíveis; o que está por trás disso?

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(SÃO PAULO) – As ações da Petrobras disparam nesta segunda-feira com o anúncio de que a estatal estuda adotar uma política mais clara e transparente sobre o preço dos combustíveis vendidos no Brasil. A forte valorização dos papéis sugere que o comunicado da estatal pegou ao menos parte do mercado de surpresa. Mas, no último dia 18, uma pessoa que conhece muito bem a estatal já havia me telefonado para dizer exatamente o que foi divulgado: que uma metodologia de reajuste para o diesel e para a gasolina está em análise e que teria como objetivo reduzir, bem gradualmente, a defasagem entre o preço do petróleo no mercado internacional e os valores praticados internamente. Não publiquei a informação porque não consegui confirmar com nenhum executivo da empresa. Mas com certeza não fui o único que ouviu isso – em relatório divulgado na semana passada, analistas do Itaú BBA já cogitavam a divulgação de uma metodologia.

De acordo com o que me foi passado, o conselho da Petrobras estaria ciente que anunciar um reajuste de 5% a 7% para o diesel e a gasolina, como vinha sendo cogitado, pouco adiantaria para recuperar a credibilidade perdida. Já a nova política de preços em estudo faria com que, no médio prazo, a empresa parasse de perder dinheiro com a importação de petróleo e derivados. Não se sabe se os aumentos de preços seriam repassados ao consumidor ou absorvidos pelo governo – via conta-petróleo, redução de impostos ou outras inovações. Mas suspeito que o povo talvez não pague a conta diretamente. Afinal, se a presidente Dilma preferiu nos últimos anos fazer populismo com a estatal à custa dos acionistas e subsidiar os combustíveis para que pudéssemos gastar menos em nossos deslocamentos, por que logo agora que estamos bem mais próximos da eleição ela mudaria de ideia? E por que neste momento a presidente quer mudar a política de preços?

Aí entra o segundo rumor que circula constantemente nas mesas de operações de grandes bancos e corretoras sobre a estatal. Não é de hoje que o mercado especula sobre a possibilidade de a Petrobras fazer uma nova oferta de ações em 2014. A empresa sempre nega. Mas quem sabe fazer conta tem certeza que a geração de caixa da estatal não é suficiente para colocar em pé seus ambiciosos planos de investimento. Somente em Libra, a Petrobras precisará investir US$ 80 bilhões nas próximas três décadas. Já todo o plano atual de investimentos supera US$ 200 bilhões. Com um lucro trimestral que encolheu de R$ 8 bilhões há pouco tempo para R$ 3,4 bilhões agora, esses investimentos não cabem no balanço da empresa.

A Petrobras ainda tem em caixa uma parte dos R$ 120 bilhões que captou de investidores na megacapitalização realizada em 2010. Mas o dinheiro está acabando mais rápido que o imaginado devido aos subsídios aos preços dos combustíveis no mercado interno, ao estouro de orçamento de obras e ao repasse de dinheiro ao governo federal em troca do direito de exploração de 5 bilhões de barris de petróleo no pré-sal, entre outras coisas.

Para reforçar o caixa, a Petrobras poderia buscar dinheiro no mercado com a contratação de dívida. O problema é que os indicadores de solvência já não são tão bons assim: são quase R$ 200 bilhões em dívidas, que correspondem a mais de 3 vezes o Ebitda anual. Captar mais dinheiro com emissão de bônus pode ser igual a perder “rating”. É justamente por isso que uma emissão de ações pode estar tão próxima. O problema, nesse caso, é de credibilidade. É difícil captar dinheiro em um mercado em que sobram críticas à governança da estatal. Uma fórmula clara de reajuste de combustíveis seria vital para a empresa conseguir passar o pires entre os investidores e não receber um monte de portas na cara. Nos próximos 12 meses, saberemos o que há de verdade sobre esses dois rumores que pairam sobre a Petrobras.

João Sandrini

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