O que o Credit Suisse achava da Petrobras no dia 2/9 e o que virou no 9/2

Relatórios do banco suíço do ano passado e de fevereiro de 2015 mostram coincidência assustadora com as ações da Petrobras

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SÃO PAULO – Parece até uma daquelas histórias surreais, mas a verdade é que se tivéssemos colocado um relatório do Credit Suisse divulgado no dia 2/9 do ano passado sobre a Petrobras (PETR3; PETR4) no espelho poderíamos ter visto o futuro. Não acredita? Ontem (9/2), o mesmo banco suíço revelou um relatório sobre a estatal. O conteúdo, no entanto, trazia uma visão completamente oposta da primeira. Coincidência?

Difícil saber. A questão é que colocando no espelho encontramos no relatório de ontem exatamente o oposto do que diz o relatório de 2/9: enquanto na véspera, o banco suíço dava ordem equivalente à venda para as ações da estatal, rebaixando o preço-alvo para R$ 6,50; no ano passado, ele falava que se sentia confiante com as ações da Petrobras, recomendando compra até R$ 28. 

Do fato, não dá para se tirar nenhuma conclusão, somente um mero acaso difícil de se ver no mercado, lembrando que o cenário da petroleira mudou, e muito, de lá para cá. Enquanto naquela ocasião, os papéis da Petrobras viviam o auge do rali eleitoral, com ganhos de mais de 100% de março a setembro de 2014, hoje as ações minguam na Bolsa, pressionadas por todo o noticiário negativo sobre a corrupção que assola a empresa e as incertezas sobre seu futuro. De setembro do ano passado até o pregão de ontem, os papéis da petroleira caíram 62,7%. 

Naquela ocasião, era difícil estimar o rombo que a corrupção tinha gerado na Petrobras – questão que até hoje não há uma conclusão. Fala-se de uma baixa de R$ 61 bilhões, mas que ainda não foi devidamente reconhecida. E não somente isso, naquela época, o petróleo seguia em ventos favoráveis, hoje é cotado na casa dos US$ 50 o barril. O próprio Credit Suisse cortou sua projeção para a commodity de US$ 100 para US$ 80. Uma situação complicada na qual a estatal encontra-se e que levou ontem o Credit Suisse a cortar a recomendação da Petrobras de neutra para underperform (desempenho abaixo da média), revisando o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) de US$ 7,30 para R$ 5, que corresponde a R$ 6,50 das ações ordinárias.

E, você, lembra-se de alguma coincidência assim no mercado? Se tiver, deixe seu comentário. 

Paula Barra

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