Nem a Mônica e nem o Cebolinha estão satisfeitos com o Brasil, ressalta jornal

Em encontro com o vice-presidente do Brasil, Michel Temer, Maurício de Sousa destacou que está pronto para voar, mas custo-Brasil o deixa de "mãos amarradas"

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores
arrow_forwardMais sobre

SÃO PAULO – Enquanto alguns economistas se mostram bastante otimistas sobre o Brasil e destacam que o País não está mais vulnerável, boa parte do empresariado brasileiro ainda está cética com os rumos nacionais.

Noticiado pelo jornal Folha de S. Paulo, ganhou destaque nesta quarta-feira (19) o jantar realizado pelo vice-presidente Michel Temer em Brasília com grandes empresários. E o grande centro das atenções, conforme destacou a reportagem, foi o cartunista e empresário do setor de entretenimento Maurício de Sousa, mais conhecido por ser o criador da “Turma da Mônica”. 

No encontro, o criador da turma fez fortes críticas ao custo-Brasil, apesar de ressaltar que o seu negócio teve um forte crescimento nos governos Lula e Dilma com o fortalecimento da classe média. Mas, agora, que ele está pronto para voar, os custos do País “o deixam de mãos amarradas”. 

Segundo Maurício, a despesa de impressão no exterior chega ser um terço da cobrada no Brasil e concordou com a crítica de um empresário do setor de tecnologia sobre a burocracia no País, reclamando a grande demora na aprovação de licenciamento de produtos. 

Maurício de Sousa afirmou, contudo, que não pode reclamar uma vez que hoje ele controla a maior parte do mercado editorial infantil que até pouco tempo era dominado pela Disney. Porém, mesmo com o forte crescimento, ele sente agora dificuldades para dar novos saltos, o que motivou um dos participantes do encontro a fazer o seguinte comentário: “Nem a Mônica nem o Cebolinha estão satisfeitos com o País”. 

Ele não é o único descontente
Vale destacar que os encontros de integrantes do governo com o empresariado não estão tendo finais felizes, apesar do esforço do governo para ouvir o mercado. Em reunião realizada na semana passada com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, boa parte dos empresários saiu insatisfeita. Também reclamando do custo-Brasil, pelo menos quatro deles levantaram a possibilidade de criar uma holding no exterior para fugir da “sangria arrecadatória do governo”. Um dos empresários, segundo a colunista, afirmou que “não iria aceitar que tirasse a competitividade das empresas e, caso o governo insistisse, muitas iriam transferir o centro das suas operações”. 

O almoço da semana passada, que contou com a presença de 18 executivos de grandes empresas brasileiras, não foi grátis. Cada empresário desembolsou R$ 40,00 para almoçar com Mantega, gerando uma “arrecadação” de R$ 720,00. 

Cabe lembrar que, em seminário realizado na última terça-feira, o laureado com o Prêmio Nobel de Economia em 2008, Paul Krugman, destacou que tantas preocupações com a economia brasileira não se justificam e que o País não está mais tão vulnerável. E ressaltou que a China é uma das maiores preocupações dos mercados atualmente. Porém, os empresários brasileiros parecem ter uma visão bastante distinta sobre o assunto. 

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.

Leia também