Levy não está sendo bem compreendido – e quem diz isso é o Ministério da Fazenda

Além do esclarecimento feito sobre o câmbio após a fala do ministro em evento no Bradesco, Ministério da Fazenda prestou mais dois esclarecimentos na última semana sobre as falas do ministro

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SÃO PAULO – Joaquim Levy não está sendo bem entendido pelo mercado. Ou pelo menos é isso que o Ministério da Fazenda acha. 

Em apenas uma semana, o Ministério prestou três esclarecimentos sobre falas de Joaquim Levy que, segundo a assessoria de imprensa, não teria sido exatamente o que o ministro teria dito. 

A última se deu na manhã desta sexta-feira: em evento realizado pelo Bradesco, Levy afirmou que não há a intenção de manter o câmbio artificialmente valorizado, o que foi um dos fatores para a disparada do dólar no dia de hoje.

Contudo, logo depois, a assessoria esclareceu que o ministro se referia ao cenário global e não ao Brasil. 

E o ministério já tinha feito esclarecimentos deste tipo em duas notas anteriores, ambas na última sexta-feira (23): a pasta divulgou nota para esclarecer informações da entrevista que o ministro Joaquim Levy concedeu ao jornal Financial Times em Davos sobre programas sociais. 

Segundo a nota enviada pelo ministério, “não estava correta a afirmação de que o ministro tenha dito a frase “Brasil está em um período de austeridade e de reformas do lado da oferta, incluindo a revisão de programas sociais”. A frase é de autoria do jornalista e traz uma afirmação incorreta de que o “governo brasileiro estaria promovendo uma reforma controversa de programas sociais”.

Mais tarde, na mesma sexta-feira, foi prestado um novo esclarecimento. Desta vez, sobre uma entrevista concedida a Dow Jones. O Ministério negou que Levy tenha se referido a um racionamento de energia ou à possibilidade dele ocorrer.

De acordo com a nota, “não procede a informação de que ‘….ficará mais claro em um mês se haverá necessidade de um racionamento de eletricidade’”, fala atribuída ao ministro. 

Vale ressaltar que estes são três temas bastante sensíveis para o governo e que atingem diretamente o cotidiano da sociedade brasileira: programas sociais, racionamento e câmbio. Isso em meio a um cenário em que se pede mais transparência do governo e declarações mais contundentes sobre o que precisa ser feito no segundo mandato de Dilma Rousseff.  

Assim, essas erratas acabam sendo negativas e indicam que, talvez, a liberdade de Levy não seja tão grande assim.

E, se em apenas um mês já foram feitas estas “erratas” sobre as falas de Levy, uma coisa pode se dizer: a assessoria do ministério deve ter pela frente bastante trabalho. 

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.

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