Jornal argentino traz 7 cotações de dólar; diferenças chegam a 50%

A situação já não era positiva nos últimos anos, quando um mercado paralelo se formou pelas restrições oficiais e pela disparidade entre os dados que o governo divulgava e os reais

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SÃO PAULO – Você que fica preocupado com as diferentes cotações do dólar aqui no Brasil – comercial, turismo, ptax -, saiba que os argentinos têm uma verdadeira inveja de você: por lá, são sete diferentes cotações para a moeda norte-americana, com variações de preços superiores aos 50%!

A situação já não era positiva nos últimos anos, quando um mercado paralelo se formou pelas restrições oficiais e pela disparidade entre os dados que o governo divulgava (e usava para determinar o dólar oficial) e os reais. A inflação, por exemplo, superou os 25% nos últimos anos – mas para o governo de Cristina Kirchner, ela é de “apenas” 10%, o que faria o peso muito mais resiliente do que é na verdade. 

E agora, piorou bastante. Na semana passada, o governo tentou desvalorizar (levemente, é bom frisar) o peso para aumentar a competitividade das exportações argentinas e tirar o país do marasmo econômico. Saiu do controle e a moeda teve uma das maiores quedas da história, perdendo valor muito rapidamente. 

Para ajudar a trazer algum fluxo de capitais, o governo ainda decidiu afrouxar as restrições cambiais impostas. De leve. Criou uma verdadeira corrida pela moeda norte-americana, já que os argentinos – para salvar suas economias e não perdê-las – tem guardado a moeda em suas camas, o famoso “colchão bank“. 

Com isso, dependendo de onde o Argentino for comprar a moeda, é uma cotação diferente. Oficial, poupança bancária, poupança fora do banco, cartão de crédito, bolsa de valores, liquidado e no mercado paralelo – todos esses nomes fazem parte do dia-a-dia do argentino que quer comprar dólares, já que muitas vezes é necessário recorrer aos dólares mais caros para escapar das restrições oficiais. É confuso, para dizer no mínimo.

As diversas cotações do dólar vistas no jornal argentino:

dólar argentino

Felipe Moreno

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