“Happy hour” ou “sad hour”? Como vai pulsar o coração financeiro de São Paulo?

Explosão de alegria ou micareta da depressão? O que vai acontecer com a Avenida Faria Lima na reta final da corrida presidencial?

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São Paulo – Segundo um instituto brasileiro de estatística, desde o início da série histórica do mundo corporativo, essa sexta-feira pode ser a primeira em que o “happy hour” dará lugar a sua versão em tons de cinza (entenda como quiser). Com a reta final da eleição presidencial, há riscos de o “sad hour” tomar conta dos bares do entorno da Avenida Faria Lima – o reduto dos maiores bancos e corretoras do Brasil, localizado na zona sul de São Paulo.

Circula nas baias a opinião de que a social de hoje é só o “esquenta”, e que a verdadeira micareta da depressão começa mesmo é na segunda-feira, às 10h, com a abertura da bolsa.

Mas, como dizem o especialista em assuntos gerais e o analista de redundâncias, a corrida eleitoral configura um cenário binário. Ou seja, também há chances de uma explosão de alegria. E de acordo com o mesmo instituto de estatísticas, pela primeira vez na série histórica das segundas-feiras, o trabalhador do mercado financeiro vai pular da cama em festa.

Temos a chance de presenciar uma cena inédita: em lugar das iniciais bordadas junto ao bolso da camisa, o pessoal da firma vai ostentar adesivos tintos de azul e amarelo.

E por falar em cores, ao longo da semana, a Faria Lima foi uma verdadeira aquarela. Na quarta-feira, o azul-esperança. Na quinta, o vermelho-Ibovespa ao longo do dia e, no fim da tarde, o amarelo-no-copo, para afogar as mágoas do trader que viu as notas verdinhas voando para longe. Nesta sexta-feira, todo mundo concluiu que a coisa está mesmo é cinza.

A discussão em torno das eleições ganhou contornos metafísicos. Dilma dá Ibope só mesmo na pesquisa. O eleitor segue atônito, porque Sensus (de humor) mostra Aécio à frente. O mercado teme pelo porvir e se benze, apegado à máxima: “O Ibovespa Futuro a Deus pertence”.

Nos grupos de whatsapp do pessoal do mercado, até a sacanagem e as piadinhas deram um tempo e cederam a vez para a militância virtual. Segue o depoimento emocionado de um bravo guerreiro: “Não estou triste. No primeiro turno, a Dilma teria 44% e o Aécião (SIC), 27%, segundo a pesquisa boca de urna. Erraram feio! Agora está valendo a campanha corpo a corpo até o final.” Será como nos filmes épicos do Mel Gibson. Chega a hora em que ataques de massa não bastam e é preciso pegar a lâmina da baioneta e partir para cima.

Na reta final, para quem pensa que a corrida eleitoral é como esporte, saiba que as metáforas não estão tão longe da realidade. Como no boxe: o pugilista de azul diz que o de vermelho só está focado no terceiro assalto (ao povo brasileiro). O de vermelho aproveita a brecha e aplica mais um gancho de esquerda. Ou como na imprevisibilidade do futebol: o atacante popstar Neymar declara apoio a Aécio, depois de trocar #toiss com Dilma no Twitter. Ele, provavelmente, argumentará que foi só um lance, e que tudo “parça”.

Com a colaboração do criador dos “Contos da Faria Lima” (siga no Facebook clicando aqui)

Equipe InfoMoney

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