Há 50 anos, Marcha da Família mudou o rumo do Brasil; a história vai se repetir?

Cinco décadas depois, uma nova "Marcha da Família" está sendo marcada para o próximo sábado (22). O que pretendem esses manifestantes?

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores
arrow_forwardMais sobre

SÃO PAULO – No dia 19 de março de 1964, cerca de 800 mil pessoas se reuniram na Praça da República pedindo uma intervenção militar para tirar o comunista João Goulart do poder. Agora, 50 anos depois, uma nova “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, como foi chamada na época, está sendo marcada para o próximo sábado (22). Será que iremos ver a história se repetir?

Para quem não sabe, na época, a passeata surtiu efeito e ajudou a mudar a história do Brasil, visto que, 11 dias depois, no dia 1º de abril, um golpe militar foi instaurado. Em pouco tempo, o chefe do Estado-Maior do Exército, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, foi colocado na presidência da República, dando início a 20 anos de ditadura militar.

Apesar de todos os horrores da época militar (1964-1984), há quem diga que, sem o golpe, Jango teria instaurado o comunismo no país, que hoje já teria se tornado mais uma Cuba no mundo. No entanto, ao mesmo tempo, os anos militares simbolizam também um grande retrocesso em nossa economia, que posteriormente teve que encarar anos de hiperinflação e uma forte crise da dívida externa.

Apesar de hoje o país não passar por um medo comunista, como em 1964, muitas pessoas temem que o modo de condução da política econômica da presidente Dilma Rousseff nos leve a virar uma nova Venezuela ou Argentina, visto o excesso de intervencionismo em diversos setores, a falta de transparência, falta de autonomia do Banco Central, protecionismo etc.

Talvez seja este o motivo da Nova Marcha: não estamos com medo de virar Cuba, mas sim estamos com medo por estar cada vez mais parecido com a Venezuela, enquanto éramos para estar caminhando em direção a países como Colômbia, Chile e México, que estão com um crescimento saudável e inflação e taxa de juros completamente alinhadas e controladas.

Agora a pergunta que fica é: quais os objetivos dos organizadores da nova Marcha da Família? Afinal, não queremos virar a Venezuela, mas, ao mesmo tempo, ninguém quer viver (ou pelo menos não deveria querer viver) uma nova ditadura militar. Segundo a sua organização, que falou à TV Folha no último domingo (16), a principal reinvindicação é uma intervenção militar, cujos objetivos seriam acabar com a corrupção, retirar do poder políticos considerados corruptos, promover a moralização dos três poderes e, posteriormente, convocar novas eleições para a criação de um governo constituído apenas por fichas limpas.

Perfeito. Quem não quer acabar com a corrupção e fazer uma nova eleição com fichas limpas? Acho que todos desejam isso. Mas, será que uma intervenção militar é a melhor forma? A história nos mostra que não, visto que o período militar ficou marcado não só por retrocesso econômico, como por muita corrupção, torturas e os horrores que todos já sabem. Aliás, sem contar que outra forte crítica à nossa atual presidente é que a sua economia é tão fechada que nos faz lembrar o período militar, então não faz sentido tirá-la do poder para colocar militares, que promoverão um país ainda mais estatista.

Pois é, parece que temos poucas alternativas, mas, uma coisa é certa, a democracia sempre deve prevalecer, então, se a presidente foi colocada no poder por meio dos votos da própria população, que ela termine seu mandato e, nas próximas eleições, que já estão chegando, as pessoas votem com mais consciência.

Arthur Ordones

Leia também