Finalmente conheci alguém que foi entrevistado pelo Datafolha: eu

Pesquisas eleitorais normalmente são acusadas de manipulação e o argumento mais usado pelos céticos é de que nunca conheceu ninguém que respondeu a estas pesquisas; contudo, eu fui surpreendida durante meu almoço por um dos pesquisadores

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SÃO PAULO – “Como acreditar em pesquisas eleitorais. Você conhece alguém que já respondeu estas pesquisas?”. Provavelmente, você já ouviu alguém falar isso (ou até já falou isso) ao questionar a veracidade das pesquisas eleitorais. Não tiro a razão deles, afinal eu mesma nunca tinha visto alguém responder pesquisas. Até que o dia que eu fui “surpreendida” por um dos pesquisadores do Datafolha. Deixarei meu testemunho como prova de que existem sim pessoas que respondem pesquisas eleitorais.

Era quarta-feira (1), cerca de 14h30 (horário de Brasília). Estava voltando do almoço quando fui abordada por uma pesquisadora do Datafolha e concordei prontamente a fazer a pesquisa. Confesso que, mesmo acompanhando diariamente quais pesquisas foram registradas, assim como o perfil do eleitorado de cada candidato e outros fatores, ao participar da pesquisa como entrevistada tive a dimensão real do que é estar na situação de um eleitor que é questionado, de bate-pronto, sobre as suas intenções de voto e qual o número do candidato que ele vai votar. 

Para quem está titubeando frente as suas intenções de voto, com certeza, estar naquela situação pode não ser tão confortável, ainda mais levando em conta que estamos há poucos dias das eleições, que contará com cinco postos em disputa: deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente. 

O questionário durou cerca de 10 minutos e contou com diversas perguntas: há a pesquisa espontânea, em que você escolhe o seu candidato sem que mostrem as opções, há a pesquisa estimulada, com o disco mostrando quem está na disputa. Também avalia-se o governo atual e em quem você não votaria de jeito nenhum. Houve até mesmo uma simulação de urna no tablet da pesquisadora, para saber se os números dos candidatos realmente estavam “frescos” na minha memória.

Depois de tantas perguntas, fiquei bastante satisfeita em poder ser uma das entrevistadas pelo instituto e, assim, contribuir para indicar qual é o cenário eleitoral que se desenha às vésperas da eleição. A pesquisa da qual participei foi feita entre os dias 1 e 2 de outubro com 12.148 eleitores e possui número de protocolo BR-00933/2014 e você pode conferir o questionário clicando aqui. Ela sairá hoje à noite. E, com certeza, haverá um olhar pessoal mais atento a ela, já que eu posso dizer que eu sou uma das que foram entrevistadas pelos institutos de pesquisa eleitoral.

Não conhece nenhum entrevistado? Datafolha explica
“Para conhecer o que uma determinada população (universo) acha sobre algo ou como se comporta diante de alguma coisa, basta ao pesquisador observar uma parcela com as características representativas desta população. Quando realiza uma pesquisa para conhecer a intenção de voto do eleitorado brasileiro, o Datafolha ouve apenas um grupo de pessoas (amostra) cujas características (idade, sexo, escolaridade, distribuição regional etc) traduzem o conjunto dos cerca de 136 milhões de eleitores (universo)”, ressalta o Datafolha em seu site.

Pois bem, nas pesquisas eleitorais nacionais, o Datafolha costuma fazer, normamente, entre 2.000 e 2.500 entrevistas, utilizando o sorteio dos municípios que serão feitas as entrevistas e depois os bairros selecionados. Além disso, os institutos de pesquisa utilizam cotas proporcionais de sexo e idade de acordo com dados obtidos junto ao IBGE e Tribunal Superior Eleitoral.

Por isso, é muitas vezes tipo como bastante difícil ser entrevistado ou conhecer alguém que tenha sido entrevistado, dado a aleatoriedade e também à adequação às cotas de sexo e idade, o que leva a que muitos reclamem sobre se estas pesquisas realmente acontecem.

E você? Já foi entrevistado pelo Datafolha, Ibope, MDA, Sensus, Vox Populi ou algum outro instituto de pesquisa? Conte para nós!

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.

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