Como zerei minhas despesas com bancos – e ainda lucro em cima deles

Tomando algumas atitudes simples você vai fazer muito bem para seu bolso e passar a não entender como os bancos brasileiros lucram tanto

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

(SÃO PAULO) – Estamos em meio à temporada de publicação de balanços e mais uma vez os bancos brasileiros aparecem no topo da lista das empresas da Bolsa com lucros bilionários. Com um resultado líquido na casa dos R$ 3 bilhões por trimestre, instituições financeiras como o Bradesco, o Banco do Brasil e o Itaú costumam ficar atrás apenas da Vale da Petrobras no ranking dos maiores ganhos. Os lucros dessas instituições costumam vir de algumas fontes: “spread” nas operações de crédito, cobrança de tarifas dos clientes, venda de serviços financeiros como seguros e cartões, taxas de administração de investimentos e resultados de tesouraria, entre outros. Mas, olhando para meu próprio caso, não consigo entender como os bancos ganham tanto dinheiro no Brasil. Na verdade, fazendo um minibalanço que considera somente minhas próprias movimentações, acredito que hoje eu dê prejuízo para as instituições financeiras que me têm como cliente. Vou detalhá-las abaixo porque acredito que talvez interesse para pessoas que querem ter uma relação mais vantajosa com os bancos:

1 – Conta corrente. Não gasto um centavo com isso. Tenho contas digitais no Banco do Brasil e no Itaú que não cobram tarifas para movimentações realizadas pela internet ou por telefone e são isentas de pagamento daqueles pacotes mensais de serviços tão comuns no Brasil. Isso quer dizer que só pago tarifas quando preciso resolver algo numa agência ou uso serviços que não são eletrônicos, com cheques. Como nunca uso nada disso, na prática não pago nada e ainda gero custos ao banco pela manutenção da minha conta. A não ser que você faça questão de parecer Prime ou Personnalité diante de seus amigos, recomendo essa opção.

2 – Crédito. Não contato isso. É muito caro no Brasil. Prefiro ir economizando para pagar tudo à vista – ainda que tenha que adiar a realização de alguns sonhos. Você não vê sentido em fazer isso? Pois saiba que especialistas em psicologia das finanças dizem que essa é uma das formas de ser mais feliz com o próprio dinheiro. Vou dar um exemplo. Imagine que você economizou uma parte de sua renda por 10 anos para comprar uma casa. É lógico que isso vai exigir algum sacrifício e a renúncia a alguns prazeres da vida durante a fase de acumulação da poupança, mas o fato de adiar a realização desse sonho por tanto tempo vai aumentar muito o prazer que você sentirá quando alcançá-lo. Então é como se o mesmo dinheiro lhe comprasse mais felicidade.

3 – Investimentos. Por determinação da área de compliance, meus (poucos) investimentos precisam ficar na XP, empresa que controla o InfoMoney. A XP distribui fundos de investimento e ativos de renda fixa e faz intermediação de negociações em Bolsa cobrando taxas e tarifas menores que as dos grandes bancos. Para quem não está restrito a nenhuma instituição, há corretoras que oferecem um custo ainda menor – ainda que eu ache mais importante avaliar a qualidade dos serviços do que apenas as tarifas isoladamente. Nas corretoras, é fácil de encontrar Tesouro Direto sem taxa de negociação, CDB que rende mais que 100% do CDI e bate a poupança, LCA e LCI com ganhos ainda maiores, fundos DI com taxa de administração de 0,3%, fundos de investimento em ações ou multimercados dos melhores gestores, home broker mais barato e com ótimos recursos, e por aí vai… Olhando para as plataformas de produtos e os custos de um conjunto de boas corretoras, não consigo enxergar um motivo para um brasileiro investir pelo banco.

4 – Cartões de crédito. Até o ano passado, eu ainda possuía um cartão do Itaú que cobrava uma anuidade de quase R$ 300, mas já cancelei esse plástico. Agora tenho um cartão American Express que não cobra anuidade desde que eu concentre minhas compras nele, oferece serviços excelentes como sala vip em aeroportos ou Sem Parar sem mensalidade e ainda paga 1,5 milha para cada dólar gasto. Possuo ainda um Credicard Mastercard basicão isento de anuidade até expirar. Como esse plástico não inclui programa de milhagem, só o uso em lugares em que o Amex não é aceito. E também tenho um cartão Visa no qual concentro os gastos em conjunto com minha mulher – e que ainda está no período de dois anos de anuidade gratuita. É lógico que todos esses gastos com cartão geram receitas para o banco. Mas não acho correto incluir isso no meu balanço pessoal de gastos bancários porque, se eu pagasse todas essas compras em dinheiro, não economizaria um centavo e ainda perderia os benefícios do programa de milhagem. Devido às milhas, na verdade, esses cartões são uma forma de virar o balanço ainda mais a meu favor. Apenas neste ano, comprei seis passagens aéreas com milhas, que me pouparam um gasto de R$ 1.000 a R$ 2.000. Quem assumiu essa conta foram o Itaú e o Bradesco.

5 – Seguros. Meu carro tem seguro da SulAmérica (bom e barato). Já o seguro de minha residência é do Bradesco (também bom e barato). Custa R$ 600 por ano. Então vamos chutar que o serviço gere um ganho líquido R$ 200 para o Bradesco. Ou seja, é bem menos que os custos de minhas passagens aéreas que foram arcados por ele.

6 – Câmbio. Quando preciso, geralmente uso esses cartões pré-pagos de viagem que podem ser carregados em moeda estrangeira. O meu é do banco Rendimento, que oferece um serviço mais prático e barato que o das grandes instituições financeiras.

7 – Títulos de capitalização, consórcios, previdência, outros seguros. Não contrato porque não gosto desses produtos. Acho que são todos mais vantajosos para o banco do que para mim.

E você, acredita agora que é possível lucrar em cima do banco? Comente abaixo.

João Sandrini

Leia também