Como ficar milionário na Bolsa do dia para a noite

Rumores sobre pesquisas eleitorais estão criando dezenas ou centenas de milionários no mercado brasileiro - às custas de muitos desavisados

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(SÃO PAULO) – Quem não quer ficar milionário do dia para a noite na Bolsa? Todo mundo, certo? E como conseguir isso? Aqui vai um passo a passo com a maneira mais simples, mas também a mais desonesta:

1 – Seja alguém reconhecido por outros investidores como alguém muito bem informado. Um funcionário de tesouraria de um grande banco, um investidor com um bolso gigantesco ou alguém com amigos influentes, por exemplo.

2 – Compre lotes gigantes de opções de compra de ações da Petrobras fora do dinheiro, pagando míseros centavos por papel.

3 – Comece a espalhar nas mesas de operações de grandes corretoras ou até em salas de bate-papo de investidores na internet que há rumores de que Dilma vai cair na próxima pesquisa eleitoral.

4 – Para dar credibilidade à história, diga, sempre em off, que ouviu a história toda de algum político de Brasília com acesso privilegiado a informações.

5 – Pronto. Quando o boato se espalhar, suas opções de compra de Petrobras se valorizarão 100%, 200%, 300% ou 500% do dia para a noite. PETRD17, por exemplo, subia quase 340% no momento em que esse texto estava sendo escrito.

6 – Repita o procedimento várias vezes até juntar R$ 1 milhão.

Está rindo? Pois saiba que é exatamente isso que está rolando no mercado nas últimas semanas. Com o agravante que quem tem feito isso pode ter ouvido mesmo de alguém com acesso privilegiado a informações qual será o resultado da próxima pesquisa eleitoral. Não acredita? Já reparou como as ações de Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobras reagem muito mais a rumores de pesquisas do que às pesquisas em si? Você acha que é coincidência?

Ok, você venceu, estou convencido. Mas como acabar com isso? Sinceramente não sei. Mas se todas as pessoas do mundo tivessem certeza que resultados de pesquisas não vazam antes de serem divulgados, já seria um excelente começo. Afinal, se fosse consenso que há um compromisso sério com a confidencialidade nos institutos de pesquisa, ninguém acreditaria nesses boatos. Concorda?

João Sandrini

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