Como eu e mais 500 executivos reagimos à notícia da morte de Eduardo Campos

Informação de queda de avião chegou aos poucos para os participantes do Fórum Exame, realizado nesta manhã em São Paulo

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SÃO PAULO – Esta quarta-feira (13) parecia ser apenas mais um dia comum. Na verdade, meu dia começou mais cedo que o usual, já que eu iria acompanhar o Fórum Exame, que contaria com presença de grandes nomes da economia e política, como Armínio Fraga, os presidentes do JP Morgan e do Goldman Sachs no Brasil, além do candidato à presidência Eduardo Campos.

O evento teve início às 10h (horário de Brasília), mesmo horário em que ocorreu o fatídico acidente de avião em Santos. Porém, a informação não chegou no momento para as 500 pessoas que estavam no auditório. Eram pouco mais de meio-dia, hora em que o candidato faria sua palestra, quando um representante da Revista Exame informou que haveria uma troca na ordem das apresentações: Armínio Fraga falaria naquele momento, enquanto o representante do candidato não poderia falar, já que Campos teria sofrido um acidente de avião.

Naquele momento, todas as pessoas presentes deram um suspiro, mostrando grande preocupação. O ex-presidente do Banco Central estava pronto para começar sua fala quando foi interrompido pela informação de que Campos estava presente na aeronave que caiu. Acho que Armínio Fraga nunca foi tão ignorado em toda sua carreira.

Para todos os lados que eu olhava estavam todos olhando para seus celulares e tablets tentando buscar informações atualizadas sobre o acidente. Algumas poucas pessoas apenas pareciam olhar para o vazio, tentando entender o que poderia estar ocorrendo naquele instante. Após alguns minutos eu recebi a confirmação dos meus colegas de redação. Apesar de já confirmada a fatalidade, muitas pessoas pareciam não saber da notícia.

Ao terminar sua fala Armínio completou: “Obrigado e vamos ficar de olho nas notícias. Vamos torcer para que o que estão falando não seja verdade”. Neste momento duas mulheres se levantaram e disseram, com voz tremula, “é verdade sim! É verdade”. Mesmo assim, integrantes do Grupo Abril e da Revista Exame deram continuidade ao evento. “Apesar da triste notícia, vamos continuar com a entrevista em respeito aos presentes aqui”, disseram.

Algumas pessoas tentavam ignorar o fato, enquanto outras pareciam não saber o que fazer com a notícia. Um senhor ao meu lado na plateia ficava repetindo em voz baixa um triste “que droga”. Como jornalista, até aquele momento eu só conseguia ficar procurando as notícias pela internet do meu celular. Nós não temos tempo de deixar a ficha cair.

O mundo corporativo não pode parar, ou seja, por mais triste que todos estivessem, as pessoas ali presentes precisavam ignorar um pouco a tristeza e continuar os debates. Antes do almoço, o apresentador do evento, o jornalista Ricardo Boechat subiu ao palco e pediu um minuto de silêncio. Durante um minuto, todos os executivos, economistas, palestrantes, jornalistas ficaram de pé em memória a Eduardo Campos.

É difícil tentar entender tudo que aconteceu. O ser humano parece ter dificuldade em assimilar uma notícia trágica como essa. Entre as pessoas que conversei, tanto no evento como o taxista que me levou para a redação, todos diziam não acreditar e que a ficha ainda não tinha caído. Parece que mesmo agora, no fim do dia, com cada um em sua casa descansando, a ficha ainda não caiu. Um dia trágico na história política do País.

Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.

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