A OGX é o retrato do Brasil? Entenda

A The Economist que deu a luz: a OGX está para o Brasil, assim como o Eike está para a Dilma

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SÃO PAULO – A capa da revista The Economist desta semana surpreendeu, pois mostrou uma grande imparcialidade e sinceridade da publicação britânica. Em 2009, a revista elogiou o Brasil e colocou uma imagem do Cristo Redentor, um dos símbolos nacionais mais conhecidos, decolando como um foguete e com o título ‘Brazil takes off’ (O Brasil decola). Porém, nesta semana, a imagem da capa, apesar de ser muito semelhante, mostra o foguete do Cristo totalmente maluco e caindo em direção ao corcovado, com a frase ‘Has Brazil blown it?’ (O Brasil está estragando tudo?).

É nítido que eles não erraram em sua publicação anterior, pois, na época, o Brasil realmente tinha os instrumentos necessários e parecia que ia decolar, mas, mesmo sem ter cometido qualquer equívoco, eles se ‘redimiram’ de suas especulações e, admito, foi admirável os ver reconhecendo a mudança de cenário, afinal, os que enxergam bem sabem que o governo Dilma conseguiu estragar tudo. Os ‘cegos’ irão discordar, mas faz parte.

É indiscutível, a capa foi uma grande sacada, mas o que isso tem a ver com a OGX (OGXP3), como mostra o título deste artigo? Vamos pensar: quem mais era uma grande aposta e parecia que ia decolar há quatro ou cinco anos atrás e hoje se mostrou um verdadeiro fracasso e está desabando? Quem mostrava que ia crescer muito nos próximos anos, mas só andou para trás por conta, principalmente, de seu controlador? Quem tem seguidores fiéis (quase xiitas) que se mostram ‘cegos’ perante os consecutivos erros deste controlador? Tudo está ficando mais nítido, não é mesmo?

A OGX está para o Brasil, assim como o Eike está para a Dilma. Aliás, digo mais, a OGX é o retrato do Brasil e o Eike é o retrato da ‘presidenta’ Dilma. As semelhanças são infinitas: erros atrás de erros, promessas não cumpridas, manipulações e enganações descabidas e descaradas (do povo no caso de Dilma e dos acionistas minoritários no caso de Eike) e por ai vai… A lista é longa.

Como aponta a revista britânica, no Brasil, os impostos já tomam 36% do PIB e faz com que o governo não possa contar com novas fontes de financiamento para elevar a qualidade do sistema de saúde, educacional e de transporte público. Além disso, o país já caminha para o seu terceiro ano consecutivo de crescimento pífio do PIB; está com uma inflação beirando o topo da meta, imposta pelo próprio governo; uma péssima taxa de investimento; e um juro básico fora dos padrões mundiais. Ou seja, estamos precisando urgentemente de uma reforma política, tributária e em diversos outros campos.

Outra coisa que incomoda são as diversas intervenções governamentais, que prejudicaram (para não falar ‘destruíram’) diversos setores, como o elétrico (com a MP 579), o bancário (com instituições públicas, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, sendo utilizadas para induzir bancos privados a também reduzirem seus spreads), o de petróleo (com o congelamento de preços dos combustíveis) e o de Telecom (com grandes operadoras, como TIM, Vivo, Claro e Oi, tendo que compartilhar, a um custo duas vezes e meia menor, infraestrutura e redes com empresas menores, como CTBC, Nextel e Sercomtel). Sem nos esquecer das intervenções nas decisões de política monetária do Banco Central, que deveria ser independente.

Já o OGX, do empresário ex-bilionário, Eike Batista, além de apresentar uma queda de 98,71% entre seu preço máximo e mínimo histórico de fechamento, ao passar de R$ 23,27 para R$ 0,28, em menos de três anos, ainda mostra um prejuízo líquido de mais de R$ 6 bilhões e uma dívida líquida de quase R$ 8 bilhões. A companhia, que, segundo seu controlador, estaria produzindo 730 mil barris de petróleo por dia até 2015 e 1,4 milhão até 2019, não está produzindo nada. Isso mesmo, NADA.

O empresário, famoso por suas promessas não cumpridas, ainda está envolvido em diversos casos de ‘insider trading’, um crime de mercado que envolve o uso de informações privilegiadas, como o da disparada das ações da CCX antes do anúncio da OPA; o da disparada das ações da LLX antes do anúncio da criação da MFX; e o da venda de 56 milhões de ações da OGX dias antes de anunciar que muitos poços de petróleo não são viáveis economicamente.

Pois é, qualquer semelhança é mera coincidência… Ou não.

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Parabéns, The Economist!

Arthur Ordones

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