Semana de euforia no Brasil. E Eu Com Isso?

Semana foi de euforia com o resultado do primeiro turno e preocupação com os mercados externos

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O Brasil vai explodir e Levante já sabia…

O resultado do primeiro turno mostrou uma ampla vantagem do candidato reformista Jair Bolsonaro, cenário que a Levante vem falando, desenhando e insistindo há meses – e totalmente diferente dos institutos de pesquisas. Quem ouviu nossas recomendações está feliz da vida, muito diferente daqueles que esperavam o quinto mandato de Lula.

No entanto, vamos aos fatos de segunda, pós-eleições: com o feriado nos Estados Unidos (para a renda fixa apenas), as bolsas europeias recuaram no dia (08) com a queda das ações asiáticas após a China reduzir o compulsório como medida para reduzir os impactos da guerra comercial com os EUA. Além disso, o dólar seguiu se fortalecendo ao redor do mundo.

Enquanto isso, a terça (09) foi negativa para principais mercados internacionais com o dólar ganhando força e as bolsas caindo. Nos EUA, os juros futuros de 10 anos (Treasuries) se aproxima de 3,25 por cento. É o maior nível em sete anos – com a possibilidade de mais altas de juros do que as sinalizadas pelo Banco Central de lá. Na Europa, as notícias negativas continuaram vindo da Itália, com preocupação com as contas públicas do país.

Nesta quinta (11), véspera de feriado aqui no Brasil, os mercados externos tiveram um dia negativo. As bolsas asiáticas fecharam em forte baixa, assim como as europeias e as americanas, que também ficaram no campo negativo. Os receios sobre a guerra comercial sino-americana se intensificaram após empresas informarem que as taxações já estão prejudicando os consumidores chineses – um dos pilares de crescimento do gigante chinês e do mundo.

E Eu Com Isso?

A perspectiva de forte alta da Bolsa brasileira foi confirmada no começo da semana, e o mercado local ignorou o mercado externo. Na segunda-feira (08), a Bovespa fechou em alta de 4,57, o maior fechamento desde março de 2016. No entanto, ao longo dos dias a Bovespa acabou caindo e o dólar teve uma tendência de alta.

Ainda não acabou – ainda

Após a votação de primeiro turno de domingo (07), Jair Bolsonaro e Fernando Haddad foram escolhidos pela população para disputar o segundo turno, que será realizado no final do mês. Por pouco, Jair Bolsonaro não conseguiu se eleger no dia de ontem, ficando com 46 por cento dos votos válidos, enquanto Fernando Haddad alcançou 29. Em terceiro, Ciro Gomes teve 12,5 por cento dos votos válidos, seguido de Alckmin, com quase 5.

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Na Câmara, o Partido dos Trabalhadores teve o maior número de deputados federais eleitos, seguidos pelo PSL – partido de Bolsonaro –, PP e MDB. Já no Senado, dos ? que foram renovados, o MDB, a Rede, o PP e o DEM tiveram maior parcela. No entanto, 20 partidos conseguiram pelo menos uma das 54 cadeiras em disputa.

E Eu Com Isso?

Os resultados das eleições presidenciais vieram acima das expectativas das pesquisas e quase consolidaram o improvável. Com isso, Jair Bolsonaro larga como favorito para o segundo turno. Serão três semanas de intensa disputa com o PT, mas com a vantagem da inércia, ou seja, se nada mudar, Bolsonaro será eleito.

As eleições para o Congresso Nacional também demonstram a confirmação de um importante fenômeno para o arranjo político brasileiro nos próximos anos: a mudança do eixo de centro-direita, antes concentrado no PSDB, para um eixo de direita menos moderado, liderado por Bolsonaro e seu partido. Nesse sentido – com a ressalva de que há de se esperar a definição de segundo turno para alguns governos de Estado –, o maior derrotado das eleições de 2018 é definitivamente o PSDB.

Bolsonaro já tem nove nomes para ministérios

O candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) já tem pelo menos nove nomes que pretende indicar para ocupar os Ministérios de seu governo. O militar já afirmou que quer reduzir o número para quinze pastas. Nomes como Onyx Lorenzoni (DEM) para a Casa Civil, Stravos Xanthopoylos (diretor da Associação Brasileira de Educação a Distância) para a Educação, Henrique Prata (diretor do Hospital do Câncer de Barretos) para a Saúde, entre outros, estão nos planos de Bolsonaro.

E Eu Com Isso?

O candidato, como prometido, não dá indícios que deixará ministérios como moeda de troca para construir uma sólida base aliada no Congresso. Os nomes são, segundo ele, de gente competente e preparada para assumir os cargos. Esse é um dos desafios de Jair Bolsonaro se ganhar a Presidência – formar maioria, principalmente na Câmara dos Deputados, para que seus projetos sejam aprovados, mas mantendo-se fiel ao discurso de não-concessão.

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Petistas mudam o tom

Os petistas aliados de Fernando Haddad decidiram em conjunto com o candidato mudar a estratégia para a disputa do segundo turno com Jair Bolsonaro. Entre as mudanças estão a desistência de uma nova Constituinte, se afastar de José Dirceu e Lula, assim como focar na trajetória profissional e política do ex-prefeito de São Paulo. Outro ponto consensual é o de que a campanha deve ignorar Bolsonaro completamente, para evitar dar visibilidade ao outro candidato.

E Eu Com Isso?

Haddad já sinaliza algumas mudanças que são consideradas necessárias por analistas políticos se o petista ainda quiser ter alguma chance nessa disputa à Presidência. Evitar associações com figuras pouco aceitas pela população é o primeiro passo, seguido de uma guinada ao centro político. Ainda sim, Bolsonaro caminha muito à frente do petista por ter um eleitorado já bastante consolidado e cristalizado. Haddad teria de, de alguma forma, tirar votos do candidato do PSL, o que é pouco provável.

Estatais no foco

Na quarta (10), os investidores penalizaram as ações estatais na Bolsa, depois que o candidato favorito à presidência fez declarações que colocaram em xeque possíveis privatizações. A principal penalizada foi a Eletrobras, que inclusive já tem seu processo de privatização em tramitação no Congresso.

E Eu Com Isso?

A notícia foi negativa para as ações da Eletrobras (ELET3) que que caíram 9,2 por cento na quinta (10). Na esteira, as ações Petrobras (PETR4) caíram 2,9 por cento.

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No entanto, o dia ontem foi bem negativo para os mercados mundiais, que tiveram um dia de venda generalizada derrubando ações e commodities.

As declarações de Bolsonaro criaram um ruído sobre possíveis privatizações. O candidato se colocou contra a privatização do “miolo” da Eletrobras e da Petrobras, com argumento de que o errado na companhia é a ingerência estatal e não seria necessária a venda total, e também enfatizou a importância do setor de geração de energia para o país.

No entanto, isso não impede que diversos ativos detidos pelas empresas estatais sejam vendidos, preservando apenas o miolo. A relação do candidato com o mercado tem sido muito positiva.

Ao compasso que se posicionou a favor de diversas reformas, que inclusive já estão prontas para serem apresentadas – fato que é positivo.

BRF (BRFSA3) – reunião com investidores

A BRF realizou na segunda-feira (08) uma reunião com investidores para apresentar o planejamento estratégico da companhia para os próximos anos (2019-2023).

Os principais destaques da apresentação ficaram por conta de que as margens operacionais atuais e baixas deverão ser revertidas apenas no ano de 2019. Além disso, é esperado que a companhia volte a ter lucro somente no ano de 2020. Uma das principais missões do presidente da companhia, Pedro Parente, é a definição de um novo time de executivos da BRF.

E Eu Com Isso?

O novo planejamento anunciado por Pedro Parente não conseguiu animar o mercado e as ações da BRF (BRFS3) fecharam praticamente zeradas (queda de 0,09) na segunda-feira (08), em um dia de forte alta (4,57 por cento) do Ibovespa .

A empresa escolheu uma data não muito conveniente para apresentar o seu planejamento estratégico: um dia após o resultado das eleições (talvez até intencionalmente).

O processo de venda de ativos anunciado por Pedro Parente é o principal catalisador para o preço das ações. Os recursos da venda dos ativos na Argentina, Europa e Tailândia devem totalizar 5 bilhões de reais. No entanto, esses valores somente deverão entrar no caixa da companhia no próximo ano.

O principal objetivo fica com a redução do elevado nível de endividamento da companhia (relação dívida líquida/Ebitda ajustada de 5,7 vezes em junho de 2018). A meta é reduzir o nível de endividamento para o intervalo entre 1,5 e 2,0 vezes no horizonte de cinco anos.

A BRF tem um longo caminho pela frente e a perspectiva é negativa para os resultados do terceiro trimestre de 2018, com pressão de margens e alto nível de endividamento. Contudo, as expectativas do mercado já estão ancoradas para tais números.

B3 (B3SA3) – Resultado operacional de setembro de 2018

A B3 divulgou nesta segunda-feira (08), após o fechamento dos mercados, o resultado operacional referente ao mês de setembro e do terceiro trimestre de 2018.

Os números foram regulares. O destaque negativo dos dados fica por conta do segmento Bovespa em setembro, com volume médio diário negociado de 9,6 bilhões de reais, valor 3,6 por cento inferior ao mês de agosto de 2017, que registrou volume de 10,0 bilhões de reais. Na comparação com o mês agosto, o volume médio negociado no segmento Bovespa apresentou queda de 10,2 por cento (10,7 bilhões de reais).

E Eu Com Isso?

Esperamos impacto neutro no preço das ações da B3 (B3SA3) no curto prazo. O volume negociado mais fraco no segmento Bovespa já era esperado pelo mercado devido à proximidade das eleições presidenciais, pois o mercado estava em compasso de espera.

Uma semana antes do primeiro turno das eleições em outubro houve forte aumento do volume negociado na Bovespa, com volume acima de 20 bilhões por dia. Nesta segunda-feira (08), no primeiro pregão após o resultado do primeiro turno das eleições, o volume do Bovespa foi muito alto de 24,6 bilhões de reais.

No acumulado dos nove meses de 2018, o volume médio negociado foi de 11,2 bilhões de reais, crescimento de 38,3 por cento em relação ao mesmo período de 2017. Provavelmente, o volume em outubro do Bovespa deverá crescer mais após as eleições.

O aumento do volume negociado (da média de 2017 de 8,1 bilhões para R$ 11,2 bilhões de reais) é “resultado na veia” para a B3, já que atualmente a Bovespa representa cerca de 25 por cento da receita líquida da B3.

MRV Engenharia (MRV3) – resultado operacional do trimestre

A MRV divulgou um resultado operacional regular do terceiro trimestre. O destaque positivo ficou por conta do crescimento do volume de lançamentos, que totalizou 1,7 bilhão de reais, alta de 18,5 por cento em relação ao segundo trimestre de 2017.

Por outro lado, houve redução de 8,7 por cento nas vendas líquidas, que somaram 1,2 bilhão de reais, reflexo do aumento do cancelamento de vendas de 5,5 por cento.

E Eu Com Isso?

Esperamos impacto neutro no preço das ações (MRVE3) no curto prazo.

O resultado operacional dessa vez não veio tão forte, pois o volume de lançamentos foi menor devido aos atrasos na liberação dos projetos e às vendas, que foram afetadas pelo período eleitoral. A velocidade de vendas caiu para 20 por cento no trimestre (22 por cento no segundo trimestre).

O ponto mais positivo foi a forte geração de caixa de 233 milhões de reais no trimestre e de 421 milhões de reais nos nove primeiros meses de 2018.

Acreditamos que a redução do ritmo de vendas foi pontual, com aumento do cancelamento de vendas (distratos) em relação às vendas brutas: cresceu de 15,9 por cento no segundo trimestre para 19,2 por cento no terceiro trimestre.

A MRV apresenta uma boa geração de caixa, tem baixo endividamento (dívida líquida/PL de apenas de 10 por cento) e distribui dividendos recorrentes aos seus acionistas, fatores positivos para a companhia.

Estreia com o pé direito

Após o primeiro mês de vida, o primeiro ETF de renda fixa negociado no Brasil conta com 175 cotistas e rendimento de 1,9 por cento. O desempenho foi bom quando olhamos para a atual taxa Selic, que está em 6,5 por cento.

E Eu Com Isso?

A Mirae é responsável pela gestão do fundo e, para explicar mais sobre a novidade, o Felipe Bevilacqua conversou com o André Pimentel, diretor de investimento em um vídeo para que você sabia mais. Clique aqui para conferir.

Ainda não está lotado

A Bolsa ganhou mais de 110 mil novos investidores em 2018. É o recorde de pessoas físicas na B3, que volta a superar o número de investidores ativos no Tesouro Direto.

E Eu Com Isso?

Acreditamos que o dado seja excelente e demonstra o quanto os brasileiros estão interessados em melhorar os seus rendimentos. Esse é o momento para aproveitar uma onda de valorização da Bolsa, mas tem que ser logo para não chegar a atrasado.

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Marcela Kasparian