O impeachment é passado e o mercado é o futuro

Alguns dizem que o maior risco do mercado é o atraso de entrega das propostas de reformas fiscais, trabalhistas e/ou da previdência, mas o mercado é enfático - estamos diante de um novo cenário e reversão da tendência de baixa

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Muitos falam que o impeachment está precificado, eu sou um deles. Alguns, desconfiados, dizem que o maior risco do mercado é o atraso de entrega das propostas de reformas fiscais, trabalhistas e/ou da previdência, e eu também sou um deles. Mas o mercado é enfático – estamos diante de um novo cenário e reversão da tendência de baixa. Vejamos:

– Como verificar tal mudança de cenário?

– Projeções do Ibovespa

– Nova dinâmica do mercado

– Comprovado o impeachment, a bolsa sobe?

– Setores promissores

– Riscos para avaliar

Ninguém falou que 2016 seria fácil. Afinal, nem mesmo sabíamos que o processo de impeachment iria se concretizar. Agora, diante dos nossos olhos, muita coisa mudou. O impeachment fará um registro na linha do tempo da história Brasileira, mas o mercado já vive essa transformação.

Até ontem, o Ibovespa acumula uma alta de mais de 35% neste ano. Está claro para mim que o mercado já saiu na frente sobre a ótica apenas da expectativa, retomada da confiança e sensação que o pior já passou. Segue firme numa tendência de alta muito bem aplicada desde 45 mil pontos e, desde então, as projeções continuam animadoras para o final do ano.

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Uma das coisas que reforçam meu otimismo é o recente rompimento dos 55 mil pontos. Tal registro, nos mostra uma trégua do mercado para todas as notícias ruins que afetaram a credibilidade oriundas da Lava Jato e falta de governabilidade.

Neste momento, já estamos diante de um novo cenário e uma reversão primária da tendência de baixa que vinha desde 2010. Veja abaixo o gráfico semanal do Ibovespa (cada barra representa uma semana). Primeira avaliação importante é o rompimento da Linha de Tendência de baixa (LTB) com origem em novembro de 2010 (círculo vermelho), que nos mostra numa nova direção do fluxo de mercado para o médio e longo prazo. Além disso, este rompimento representa, em termos técnicos, uma entrada de dinheiro novo no mercado, o que vai contra todos os argumentos ditos por aí que só teremos entrada de recursos após o impeachment. Não é por menos que o Ibovespa tem a melhor performance entre os emergentes e o Real a moeda que mais se valoriza entre todos os seus pares.

Veja abaixo do gráfico do Ibovespa o saldo de volume, que chamamos de OBV (On Balance Volume). Repare que em 2016 andou forte para cima e já está em níveis de saldo de quando o Ibovespa pertencia a casa dos 66 mil pontos. Esta é mais uma importante evidência de que o mercado acumula novas entradas de dinheiro novo.

Repare que o OBV diverge positivamente dos fundos do Ibovespa entre 2014 e 2016 (linhas amarelas). Chamamos isso de uma divergência de alta, que é um posicionamento muito comum para prever uma reversão de tendência primária, ou seja, reversão dos preços de baixa para alta para no mínimo seis meses.

Para finalizar a análise do comportamento do mercado até agora, veja que o há um padrão de reversão no mercado chamado de “ombro-cabeça e ombro”. O nome é esquisito, mas é um padrão de comportamento de preço de alta confiabilidade que também sinaliza uma reversão de tendência já em andamento.

Os riscos que o mercado deverá se preocupar
O mercado saiu na frente, mas também sabemos que quanto maior a altura, maior o tombo. A visão do mercado segue promissora, mas devemos observar o Ibovespa também sob a ótica dos gringos.

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O gráfico abaixo nos mostra o Ibovespa indexado ao dólar. Veja que apesar de já estamos numa tendência de alta, há uma dificuldade pela frente destacada pela resistência do canal de baixa através das setas vermelhas. Do ponto de vista técnico, tal configuração impõe limites técnicos para evolução do Ibovespa no curto prazo. Já no ponto de vista macroeconômico, a decisão de elevação dos juros nos EUA para setembro poderá criar um pouco mais de dificuldade na escalada do Ibovespa.

Além disso, desde o início do ano, venho dizendo que a Lava Jato é um fator importantíssimo de risco por aquilo que ainda não é sabido e imponderável. Há riscos de novas denúncias, delações e até mesmo envolvimento de participantes do governo (Temer). Nada deve ser descartado.

O foco do mercado a partir de agora será as avaliações do discurso e apresentação das reformas prometidas (fiscal, trabalhista e previdência). Portanto, qualquer desalinhamento, falta de pulso com o congresso ou sinais de procrastinação é entendido como risco e o mercado poderá responder negativamente.

Conclusão
O ano de 2016 está funcionando para aqueles que estão conseguindo separar bem o que é economia e o que é mercado. O Sr. Mercado, historicamente, sempre trabalhou a frente dos números da atividade econômica de seis meses há um ano. Esta tendência de alta do Ibovespa é representada pela mudança da expectativa sobre a economia em 2017, pois 2016 já é “default”. O impeachment está sim muito mais do que “precificado” pelo mercado por todos os motivos citados acima.

Representado pelas linhas vermelhas verticais, veja que sempre nas grandes inflexões e reversões de ciclo econômico é representado por tais divergências entre o preço do mercado (Ibovespa) e atividade econômica (PIB). Foi assim em 2002, final da crise de 2008 e agora 2016.

Há muito que precisa ser feito, mas a sensação de que parou de piorar traz otimismo e oportunidades. É hora de investir em bolsa de valores e procurar empresas de valor. Procure formar patrimônio e acumular riqueza usando o mercado como nova fonte de renda. As especulações continuarão, mas em um ambiente de melhor previsibilidade será mais fácil conduzir investimentos do que meros “trades”.

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Minha projeção para o Ibovespa para o final deste ano está entre os 62 até os 66 mil pontos. Acredito numa alta mais modesta e com uma inclinação menor do que já observado até agora. O mercado continuará subindo com vista para 2017, mas velocidade do preço estará 100% ligada a previsibilidade do governo em pautar e decidir sobre o equilíbrio das contas públicas e também a evolução do mercado de commodities ligado ao petróleo.

Setores ligados ao consumo/varejo e bancos são promissores para este novo cenário pela, assunto para um novo artigo.

Estamos curados de um problema. Agora é hora de cuidar da saúde para longevidade. Impeachment é passado e o mercado é o futuro!

Raphael Figueredo