Storytelling executivo: a técnica que move decisores

Como transformar dados técnicos em mensagens que geram direção

Alessandra Braga

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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No ambiente corporativo, ainda existe a crença de que decisões são tomadas apenas com base em planilhas, leis e processos. Mas quem vive esse dia a dia sabe que as escolhas também são cercadas pelo lado emocional.

Decisores escolhem caminhos quando entendem o contexto, os impactos para si e os outros, enxergam a lógica do argumento e, principalmente, quando confiam em quem fala. É aí que o storytelling executivo passa a ser uma técnica estratégica.

Por exemplo, ao trabalhar com advogados que atuam no contexto corporativo, percebo que o maior obstáculo é prender-se ao excesso de informação e dar pouca importância à habilidade de construir um discurso perspicaz, claro e que conecte com a mente e coração das pessoas.

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O que se vê são pessoas que durante a reunião acabam confusas e dispersas, o que enfraquece o alcance do objetivo ao final da conversa. Recentemente, preparei um time de advogados de gestão de patrimônio para reuniões com clientes. Todos profissionais experientes e atentos aos detalhes. O desafio foi, justamente, mostrar a eles caminhos para levar o conteúdo técnico de modo simples para leigos e que mostrasse a gravidade do assunto discutido.

Termos jurídicos, estruturas societárias, projeções complexas, tudo fazia sentido para os advogados, mas soava confuso e desconectado com a realidade para quem recebia a informação.

Dinheiro, poder e afeto moram na mesma casa quando falamos de planejamento patrimonial, societário e sucessório. Ele carrega histórias de sacrifício, comparação entre irmãos, culpas silenciosas e perguntas ocultas… “quem vale mais?”.

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A conversa deixa de ser técnica e vira emocional em dois minutos. Por isso, quando preparamos os advogados dessa área, mostramos a importância de reorganizar o discurso com foco na clareza, mas também de modo empático para assim as reuniões serem mais produtivas.

Eles aprenderam a tocar em pontos emocionais e que faziam sentido para quem escutava se tornar mais propenso a ouvir a perspectiva de um especialista.

Isso acontece porque, no fim, esses advogados precisam ser para seus clientes fonte de tranquilidade, direção e proteção do futuro. E confiança só existe quando o cliente entende o que está sendo apresentado.

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Um dos caminhos que mais uso em storytelling executivo é começar pelo problema. Apresentar o risco, a perda ou a ineficiência logo no início ajuda o decisor a compreender por que aquela conversa importa agora. Abrir com “estamos perdendo X milhões em ineficiência” cria foco imediato. A partir daí, os dados entram para construir o raciocínio, não para mostrar erudição.

Outro ponto essencial é selecionar apenas o que sustenta a tese principal. Alguns dados só tiram atenção do que realmente importa. A relevância sempre vale mais do que a quantidade.

Decisores trabalham com tempo escasso e múltiplas demandas; por isso, o próximo passo precisa ser claro e ao mesmo tempo ter uma abordagem mais relacional.

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Storytelling executivo é sobre “costurar” informações de modo coerente para evidenciar uma mensagem e provocar uma ação em quem escuta você. É gerar conexão e conquistar a confiança.

É transformar dados dispersos em um caminho lógico, didático e pertinente. E, acima de tudo, é usar a voz como instrumento estratégico, algo que exploro profundamente no meu livro Sua voz pra jogo.

No fim, acredito que a técnica de storytelling vale para áreas como financas, TI, marketing.. .e a apresentação só têm valor quando gera direção.

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Ganha espaço quem domina a habilidade de comunicação, porque clareza gera confiança e resultado.

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Alessandra Braga

Alessandra Braga é jornalista, Mestra em linguística aplicada pela PUC/SP e expert em palestras TED Talks. Em sua trajetória profissional, passou por diversas áreas da comunicação. Foi repórter de TV, produziu e dirigiu programas ao vivo, atuou numa agência de produção de vídeos corporativos e como roteirista em uma agência de apresentações. Com esse repertório, passou a trabalhar no meio corporativo, aliando a habilidade de comunicação às dinâmicas de convenções, reuniões de resultados, eventos para lançamentos de produtos, dentre outros momentos decisivos nas grandes empresas. Há 10 anos a comunicadora é a fundadora e CEO da All Presentations, empresa responsável por preparar líderes de alta performance para momentos estratégicos por meio de workshops e palestras in company, além de ensaios individuais para momentos decisivos. Ao longo desses anos, já trabalhou com grandes empresas de diferentes segmentos como Bradesco, VLI, Merz, Ericsson inovação, Aramis, Dotz, Moema Wertheimer Arquitetura, Ifood, palestrantes reconhecidos.