Por que apresentações ruins geram prejuízo?

E como evitar esse rombo invisível

Alessandra Braga

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Apresentações mal estruturadas geram retrabalho, decisões equivocadas e reuniões intermináveis. Um custo invisível que poucas empresas calculam.

Você conhece a obra de arte, “O castelo”, do artista Jorge Méndez Blake? Ele construiu uma parede de tijolos de 23 x 4 metros. À distância, a estrutura parece sólida e impecável. De perto, um detalhe desequilibra tudo: há um livro na base da parede, exatamente, no centro. O objeto cria uma curvatura que deforma toda a estrutura e gera instabilidade.

Muro de longe (Foto: Reprodução)
Muro de perto (Foto: Reprodução)

Um elemento pequeno, quase invisível, altera completamente a solidez do conjunto. Acredito que a obra de arte ilustra bem o impacto que as apresentações têm no dia a dia das empresas.

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Geralmente, a liderança despende tempo em decisões estratégicas, mitiga os riscos com medo de grandes falhas operacionais, tributárias… Mas o perigo está, muitas vezes, em algo sorrateiro no dia a dia: apresentações ruins.

Slides confusos, reuniões que poderiam ser um e-mail, textos longos e sem uma mensagem clara. A princípio, parecem inofensivos, mas geram um efeito acumulado que custa caro e aos poucos mina a estabilidade das companhias. Quando uma apresentação falha, ela costuma gerar novas reuniões de “alinhamento”, ações são adiadas, as relações entre os membros do time se desgastam porque ninguém entendeu nada e, ainda que sem querer, induz ao erro nas tomadas de decisões.

Um relatório da Society for Human Resource Management (SHRM) revelou que empresas com 100 colaboradores perdem, em média, US$420 mil por ano devido a falhas de comunicação. No caso das organizações com mais de 100 mil funcionários, o prejuízo anual, segundo estudo da Holmes Report, é de US$62,4 milhões. Daí a importância cada vez maior das áreas de RH e desenvolvimento humano nas empresas em investirem na capacitação da liderança. Os gestores precisam ser como um farol que serve de guia para o time, dando exemplo na condução de apresentações em reuniões no dia a dia.

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O powerpoint é uma ferramenta valiosa, mas antes de focar na construção de slides o primeiro passo é pensar na intenção de comunicação. Qual o objetivo da conversa? Identificar o real “pra quê” de uma reunião é essencial para a partir daí, criar um storytelling claro, conciso e que traga o resultado esperado ao final da conversa. A habilidade de comunicação é essencial para a eficiência e estabilidade de grandes empresas. As empresas que têm times com a comunicação afiada, sem dúvida, tem um diferencial competitivo.

Em um cenário em que tempo, foco e atenção são ativos cada vez mais escassos, apresentações ruins do dia a dia podem abalar as estruturas sólidas de uma empresa. Quando a base da comunicação falha, até as estruturas mais robustas começam a ceder.

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Alessandra Braga

Alessandra Braga é jornalista, Mestra em linguística aplicada pela PUC/SP e expert em palestras TED Talks. Em sua trajetória profissional, passou por diversas áreas da comunicação. Foi repórter de TV, produziu e dirigiu programas ao vivo, atuou numa agência de produção de vídeos corporativos e como roteirista em uma agência de apresentações. Com esse repertório, passou a trabalhar no meio corporativo, aliando a habilidade de comunicação às dinâmicas de convenções, reuniões de resultados, eventos para lançamentos de produtos, dentre outros momentos decisivos nas grandes empresas. Há 10 anos a comunicadora é a fundadora e CEO da All Presentations, empresa responsável por preparar líderes de alta performance para momentos estratégicos por meio de workshops e palestras in company, além de ensaios individuais para momentos decisivos. Ao longo desses anos, já trabalhou com grandes empresas de diferentes segmentos como Bradesco, VLI, Merz, Ericsson inovação, Aramis, Dotz, Moema Wertheimer Arquitetura, Ifood, palestrantes reconhecidos.