Pagamento invisível

Boa experiência de compra pode ser um aliado da inadimplência na falta de Educação Financeira

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(Shutterstock)

Pagamento Invisível foi o nome atribuído aos sistemas de pagamento em que o consumidor não precisa utilizar dinheiro em espécie ou cartão físico para efetuar uma compra.

É claro que, em um primeiro momento, é necessário cadastrar os dados bancários ou o número do cartão de crédito para fazer uso dos serviços. Mas, uma vez realizado o primeiro procedimento, as próximas compras podem ser realizadas sem que haja a necessidade de informar novamente os mesmos dados.

O sistema de débito automático é o irmão mais velho do Pagamento Invisível. Basta cadastrar, por exemplo, a conta de energia elétrica ou a conta de água no banco e, havendo fundo e conformidade com os critérios previamente definidos pelo correntista, a conta é paga.

Com o avanço da tecnologia, novos sistemas de Pagamento Invisível vêm aparecendo. O interessante é que a operação financeira ocorre de forma indireta.

É possível pedir comida por meio do celular e quem recebe o seu pagamento não é o restaurante, mas a empresa que disponibiliza o aplicativo. O mesmo acontece com o uso de aplicativo para transporte.

Não é preciso informar qualquer dado pessoal ou número de cartão, eles estão previamente cadastrados e o consumidor pode utilizar os serviços confortavelmente, sem se preocupar com o pagamento.

É possível também pagar pedágio, estacionamento e encher o tanque de combustível do carro sem se incomodar em portar dinheiro em espécie, cartão de plástico ou qualquer dispositivo com sistema por aproximação. A cobrança é automática, não demandando uma ação por parte do consumidor.

O PIX está funcionando a todo vapor e o Banco Central já revelou novas aplicações, com possibilidade de operação sem conexão à internet. Transfere-se o dinheiro a qualquer hora do dia, de forma muito simples e garantida. Em menos de cinco segundos identifica-se o dinheiro transferido, sem possibilidade de a operação ser revertida, a não ser que, em breve, pelo novo mecanismo anunciado pelo Banco Central, haja indícios de fraude.

O comércio também está se mobilizando e as lojas autônomas estão começando a aparecer. O aplicativo reconhece o consumidor por meio de câmeras e sensores e realiza a cobrança automaticamente, sem filas no caixa.

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Com a Internet das Coisas, os sistemas farão as compras por nós. A despensa da casa deve administrar o estoque mínimo previamente cadastrado, buscar as melhores ofertas e fazer o pedido ao fornecedor para a reposição, sem que haja a necessidade de intervenção humana.

A grande vantagem é a praticidade, rapidez e a boa experiência de compra que traz para o consumidor. No entanto, exige disciplina financeira porque, se não houver uma boa administração do dinheiro, a probabilidade de tornar-se inadimplente aumenta consideravelmente.

Talvez os sistemas tragam inteligência artificial, com modelos matemáticos pré-programados para tomarem as melhores decisões financeiras. Nesse caso, a vontade de consumir será barrada por uma máquina. Os computadores passarão a impor limites aos humanos.

Ainda assim, os sistemas deverão questionar se essa é a vontade do usuário e, para tomar uma decisão inteligente, o consumidor precisará estar financeiramente educado.

Eli Borochovicius

Eli Borochovicius é docente de finanças na PUC-Campinas. Doutor e Mestre em Educação pela PUC-Campinas, com estágio doutoral na Macquarie University (Austrália). Possui MBA em gestão pela FGV/Babson College (Estados Unidos), Pós-Graduação na USP em Política e Estratégia, graduado em Administração com linha de formação em Comércio Exterior e diplomado pela ADESG. Acumulou mais de 20 anos de experiência na área financeira, tendo ocupado o cargo de CFO no exterior. Possui artigos científicos em Qualis Capes A1 e A2 e é colunista do quadro Descomplicando a Economia da Rádio Brasil Campinas