“Nós vencemos o bastardo!”

Os ensinamentos sobre planejamento deixados pelos alpinistas que desafiaram a si próprios ao escalarem o Everest.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

O Monte Everest está situado literalmente no topo do mundo, elevando-se a 8.850 metros acima do nível do mar. Assim que foi coroado como a montanha mais alta do mundo, os alpinistas inevitavelmente sentiram-se tentados a escalá-lo. E muitos falharam e lá deixaram suas vidas.

Então, por que escalar o Everest? A resposta mais famosa para essa pergunta veio do alpinista George Mallory: “porque está lá.”

  • em 1953, Edmund Hillary e Tenzing Norgay foram os primeiros alpinistas a alcançarem o cume do Everest;
  • em 1975, uma mulher japonesa chamada Junko Tabei tornou-se a primeira mulher a chegar no topo;
  • em uma incrível jornada, o americano Erik Weihenmayer tornou-se a primeira pessoa cega a escalar o Everest em 2001.

Após o sucesso da chegada ao pico em 1953, mais e mais alpinistas começaram a chegar ao Everest, com a intenção de imitar os primeiros escaladores.

“Ei”, você pode estar se perguntando, “e o que isso tem a ver com as minhas finanças?”.

Se você considerar que a oportunidade para reavaliar os hábitos financeiros, a fim de dar início à escalada financeira ”está bem na frente” de todos os que queiram viver com qualidade de vida financeira, tanto quanto o fato do Everest “estar lá” para os alpinistas que queiram escalá-lo, então, tem tudo a ver.

A Subida

Tanto no caso dos alpinistas do Everest quanto na escalada financeira pessoal, o que importa de fato – por mais incrível que pareça – não é o ponto final, mas os desafios da subida; o desejo profundo de querer encarar e acreditar que é possível superar a si mesmo.

“Ida e volta, a maioria das viagens ao topo do Everest leva cerca de dois meses e meio. Para uma aproximação do sul, os escaladores normalmente voam até Katmandu e passam vários dias comprando suprimentos e conseguindo vistos de viagem. De Katmandu, eles voam para Lukla e viajam por terra até o acampamento base, onde se preparam para a escalada. Até o acampamento base está situada a grande altitude, assim a jornada deve progredir gradualmente, geralmente levando uma ou duas semanas.”

Estas são informações muito superficiais já que, quando uma pessoa decide que irá escalar o Everest, ela começa o seu planejamento muito antes: precisa avaliar suas despesas, precisa receber instruções detalhadas sobre o que enfrentará, a fim de minimizar seus riscos; terá que aprender a usar ferramentas; precisa de roupas adequadas; realizar exames e preparar-se física e psicologicamente,  uma vez que ela tem consciência que o risco existe e é grande, mas esta pessoa está determinada a realizar o grande feito de sua vida.

Como na escalada do Everest, para iniciar a escalada financeira pessoal também é preciso que se prepare com antecedência: reavaliar comportamentos financeiros, libertar-se de medos e crenças com relação ao dinheiro, criar um plano de economias e gastos; cumprir metas para  atingir cada fase da escalada, receber o conhecimento; respeitar o perfil financeiro e iniciar a subida. Tudo isso deve ser realizado de forma coordenada e gradual.

À medida que você se sentir mais seguro, você desejará dar mais um passo adiante e mais um passo e mais outro, pois compreenderá que o risco existe em todos os níveis, mas você estará preparado para enfrentá-lo, pois terá o seu “sherpa” – neste caso um especialista financeiro – auxiliando-o a utilizar as técnicas e ferramentas que irão ajudá-lo a minimizar os riscos e que irá encorajá-lo a continuar seguindo.

Obviamente, esta é apenas uma analogia e embora haja momentos de tensão nas questões relacionadas a investimentos, você não precisará entrar na “zona de morte” ( Os níveis de oxigênio no pico é de apenas um terço do encontrado ao nível do mar. Seres humanos não podem sobreviver por um longo período de tempo em uma elevação acima de 8 mil metros, o que é conhecido no Everest como “zona da morte”). Por isso a importância de educar-se financeiramente, ainda que tenha um “sherpa”, para evitar que caia nas armadilhas de investimento.

O que eu demonstro aqui – e guardadas as devidas proporções – é que tanto para escalar o Everest quanto para dar início à sua escalada financeira pessoal é preciso ter aquela determinação dos que sabem onde querem estar e, definitivamente, dúvidas e hesitações não fazem parte do pensamento dos que querem alcançar seus objetivos.

O importante é se preparar para começar a subida, subir e não desistir.

Na escalada financeira pessoal também é assim: uns chegam antes, outros chegam depois, mas com determinação e disciplina todos podem chegar àquele lugar chamado “independência financeira”. Basta escolher querer chegar.

Desafie-se.

Dizem que Edmund Hillarly ao chegar ao topo do Everest, voltou-se para o seu sherpa, Tenzing Norgay, e exclamou: “Nós vencemos o bastardo!”

Consegue imaginar a emoção da conquista de algo que, até então, parecia ser impossível?

Vai iniciar a sua subida quando?

Silvia Alambert Hala

Silvia Alambert Hala é CKO da Progress Educacional, co-fundadora da The Money Camp™, empresa licenciada no Brasil pela Creative Wealth™ Intl (USA) onde atua há 13 anos como educadora financeira de crianças, jovens e adultos, coach especializada em finanças comportamentais, palestrante, co-autora do livro “Pai, ensinas-me a poupar!” (Ed. Rei dos Livros) publicado em Portugal e coordenadora do projeto de educação financeira para jovens atletas de alto desempenho da empresa Tênis to Go™.