Eu não quero ter razão. Eu quero ser feliz.

Emoções, apegos, normas sociais, comparações e  expectativas são alguns dos fatores invisíveis que nos levam a fazer escolhas irracionais.

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“Ao lidar com pessoas, lembre-se que você não está lidando com seres lógicos e sim com seres emocionais.” – Dale Carnegie

 

Entender o comportamento do consumidor não é uma tarefa fácil, pois se faz necessário  entender hábitos, gostos, desejos e necessidades, além dos históricos de compras.

O marketing de relacionamento, o monitoramento das ações dos consumidores e até os acessos à internet são estratégias empresariais que acompanham este mercado.

No meio desse processo investigativo sobre o comportamento do consumidor: nós, esses seres emocionais.

Para entendermos a origem de tanta emoção seria preciso que retornássemos pelo menos uns 300 milhões de anos no tempo, mas o que vamos tratar aqui é sobre como em pleno século XXI, onde o controle das emoções parece ter se tornado o grande desafio para que entendamos o conceito de “ser humano”, ainda sejamos tão previsivelmente irracionais.

Nessa nossa correria diária, não damos a devida atenção sobre como nos permitimos ser tão facilmente manipulados.

Como já mencionado em um outro artigo e cujo título era “Filhos, os nossos pequenos grandes vendedores”, chamei a atenção sobre o fato de nossos filhos serem os nossos grandes “emocionadores”  e quando eles querem algo, dramatizam de tal maneira que até Dionísio, o Deus do teatro grego, se surpreenderia.

As motivações e considerações que nos levam ao imediatismo e ao consumo exacerbado são diferentes para cada um de nós, mas ao final se conseguirmos fazer uma análise superficial sobre nós mesmos, das coisas que temos, das coisas que já nos desfizemos, das enroscadas financeiras que já nos metemos e de tudo o que ainda desejamos ter, observaremos que tudo estará muito mais aglomerado no campo do instinto emocional do que no da lógica.

A racionalidade não nos coloca em situação desfavorável contra nós mesmos, mas a vemos como limitadora e não como aliada.

Além do mais, frases como a do título deste artigo apenas reforçam como somos mestres em querer sabotar a racionalidade e, assim, vamos seguindo reféns de nós mesmos em nossa cegueira irracional.

Por entendermos, então, que a lógica e o bom senso são comportamentos aprendidos muitas vezes de forma dolorida ao longo da formação do ser humano e que a emoção já vem grudada nos genes, apenas por isso, já deveríamos considerar que as crianças precisam aprender desde cedo a harmonizar emoção e razão.

No caso específico da educação financeira, podemos pontuar alguns fatores considerados importantes para que essa parceria “ganha-ganha” se estabeleça:

1)    Para que a criança cresça com uma visão ampla de realidade da vida, do mundo.

2)    Para que a criança entenda a questão do planejamento de vida como uma ferramenta para a conquista de sonhos e não como algo limitador.

3)    Para que a criança desenvolva a noção de senso de urgência e, consequentemente, passe a fazer escolhas de consumo de forma consciente.

Ao cedermos emocionalmente aos apelos de consumo das crianças, estaremos permitindo que elas deixem de ganhar a aprendizagem de saber valorizar aquilo que já tem ou que recebem, já que pela percepção delas o que elas receberão será somente mais uma “coisa” que elas nem tinham certeza se queriam tanto assim. Não fosse isso, elas não mudariam tanto o “querer” e não abandonariam ou passariam a desdenhar seus objetos de desejo em tão curto prazo para logo quererem adquirir outros.

Vale lembrar que as crianças testam os seus pais o tempo todo, já que precisam de um norte para saber até onde podem ir e isso inclui as finanças.

 

É possível, então, equilibrarmos emoção e razão, a fim de realizarmos escolhas financeiras de forma consciente?

É certo que sim, mas para isso é importante que façamos uma visita ao nosso próprio histórico de vida, nossas crenças com relação ao dinheiro, motivações, em fim, o mais importante é  termos um conhecimento profundo sobre nós mesmos e nossa visão de mundo, a fim de podermos avaliar criteriosamente a forma como temos feito as nossas escolhas ao longo da vida: se motivados pelo impulso e instinto emocional ou se, paralelamente, as fazemos através do uso criterioso da racionalidade e do pensamento crítico.

Silvia Alambert Hala

Silvia Alambert Hala é CKO da Progress Educacional, co-fundadora da The Money Camp™, empresa licenciada no Brasil pela Creative Wealth™ Intl (USA) onde atua há 13 anos como educadora financeira de crianças, jovens e adultos, coach especializada em finanças comportamentais, palestrante, co-autora do livro “Pai, ensinas-me a poupar!” (Ed. Rei dos Livros) publicado em Portugal e coordenadora do projeto de educação financeira para jovens atletas de alto desempenho da empresa Tênis to Go™.