Novo Quarteto é uma boa surpresa, mas ainda está longe de ser Fantástico

Nova tentativa de levar o supergrupo ao cinema tem seus méritos, mas, no fim, a maior sensação é de decepção

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SÃO PAULO – A Fox não desiste. Pela quarta vez o estúdio tenta levar para o cinema a primeira super-equipe dos quadrinhos e desta vez a aposta é em tentar mudar o tom e transformar o que seria mais um filme de super-herói em uma obra de ficção científica, focada nos conceitos e no drama dos personagens. Aí está um grande acerto, mas que não basta para sustentar Quarteto Fantástico, que chega nesta quinta-feira (6) aos cinemas nacionais.

Infelizmente, esta era uma franquia que precisa recomeçar. Após dois fracassos nos anos 2000, era insustentável tentar manter a equipe no cinema. Por outro lado, a Fox precisa fazer filmes do grupo para não perder seus direitos, o que culmina nesta produção problemática e que – como qualquer filme de origem – perde muito tempo mostrando como os heróis ganharam poderes.

Apesar de alterar um pouco a origem do grupo, este Quarteto Fantástico consegue fazer uma boa trama de relação entre jovens. Mas passado 10 minutos de projeção já começam a surgir os primeiros sinais do que seria o maior problema do novo filme: a pressa. É importante destacar que esta foi uma produção extremamente complicada, passando por diversas refilmagens e, principalmente, um orçamento bem baixo quando comparado com superproduções: foram US$ 120 milhões (para se ter ideia, o último X-Men custou R$ 200 milhões).

E este corte de verba (será que nem a Fox acreditava em seu filme?) prejudica todo o filme, que em diversos momentos tem efeitos visuais dos piores já vistos e uma trama bastante apressada, principalmente no que seria o grande momento onde os heróis se unem para “salvar o dia”.

Além de excessivos “dias depois”, “meses depois” e etc., o último ato do longa é uma correria só. Resumindo: após ter sua genialidade ignorada na infância, Reed Richards (Miles Teller) vai parar no Instituto Baxter, onde poderá finalmente desenvolver sua máquina para se deslocar para outra dimensão. Lá, ele e seu amigo Ben Grimm (Jamie Bell) conhecem os irmãos Sue e Johnny Storm (Kate Mara e Michael B. Jordan) e o revoltado Victor von Doom (Toby Kebell).

Até aí o filme tem um ótimo andamento, fugindo do tradicional e apostando em um tom de ficção que é ótimo. Porém, de repente os homens do grupo decidem usar a máquina antes que sejam expulsos do projeto pelo governo e quando você todo mundo tem poderes (com direito à uma exclusão completamente sem sentido de Sue Storm de parte importante da história) e num piscar de olhos eles sabem usar os poderes e já se juntam em um grupo e precisam enfrentar o vilão (que não tem tempo nem de parecer realmente amedrontador).

No fim, a sensação é uma mistura de decepção e esperança, já que a falta de recursos e a pressa do roteiro estragam a mudança de tom que é o grande trunfo deste novo Quarteto Fantástico. Mas fica a expectativa para que em uma continuação a Fox acredite mais no que tem nas mãos e permita expandir esta trama que tem tudo para se tornar mais uma ótima referência neste universo de quadrinhos onde cada estúdio ainda está aprendendo o tom certo para suas produções.

Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.