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Empresas vão migrar para o interior? O home office veio para ficar? Veja destaques da live com XP Inc. e LinkedIn

Live aborda mudança da XP Inc. para São Roque, no interior de São Paulo, e discute como serão os novos espaços de trabalho após a pandemia

SÃO PAULO – O anúncio da migração da sede da XP Inc., do maior centro financeiro do Brasil, para São Roque, cidade do interior de São Paulo, provocou uma avalanche de discussões sobre como será o novo local de trabalho após a pandemia.

E para dar sequência ao assunto, nada melhor do que ir direto à fonte e ouvir quem é autoridade no assunto. Por isso, o InfoMoney realizou nesta quarta-feira (08), uma live com a gerente-executiva de Gente e Gestão da XP Inc., Lana Brandão, e com o diretor-geral do LinkedIn na América Latina, Milton Beck.

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No bate-papo, além de mergulhar nos novos conceitos de espaços de trabalho, os executivos falam sobre temas como: os erros das empresas na adaptação ao home office; os novos processos de recrutamento online; como se dar bem nas entrevistas em tempos de pandemia; e os aprendizados sobre foco e disciplina após meses de trabalho em casa.

Para ver a entrevista completa, veja o vídeo acima. E confira a seguir os destaques:

Fuga para o interior? 

Lana ressaltou que a Villa XP, nome dado à nova sede da XP Inc., foi criada para consolidar as transformações que a pandemia provocou no mundo corporativo. “Queremos trabalhar de qualquer lugar sem precisar estar no escritório ou ter um local definido para ir todo dia. É flexibilidade para os funcionários. A ideia é que seja um espaço de convivência, usado para fins específicos, como treinamentos, onboarding, teste de produtos, recepção de clientes, entre outras coisas”, diz.

Apesar do otimismo com as novidades como a da XP Inc., Milton Beck defende que as empresas estão se reposicionando e avaliando como se encaixar nesse novo momento.

“A adaptação depende muito do setor em que a empresa atua, do nível de digitalização que tem. Os cenários são bem distintos para as companhias. Há uma redução no número de aluguel de escritórios comerciais e pode ser que isso se acentue nos próximos meses. Muitas pessoas querem ir para o interior agora, mas acredito em um meio termo para o médio prazo”, afirma.

Para ele, a fuga para interior não deve acontecer em larga escala. As empresas de modo geral vão encontrar modelos híbridos. “A adoção de home office, que muita empresa achava impossível, se provou possível. Mas muitas coisas do espaço físico se perdem fora do escritório. Elas devem mesclar dias presenciais com os dias à distância”, diz.

Ele acredita que é provável que multinacionais, por exemplo, comecem a contratar profissionais não só que estão em estados diferentes, mas também países diferentes.

No entanto, não é uma regra. “Está havendo uma redução de escritórios, mas no LinkedIn, por exemplo, estamos aumentando o espaço para conseguir manter os funcionários com distanciamento”, afirma.

Lana também acredita que o mercado caminha para uma rotina híbrida. “A sede da XP em São Roque não elimina os pontos de apoio que teremos. São Paulo é super importante porque parte dos nossos clientes estão lá, funcionários moram na região. Teremos escritórios menores por lá e onde quer que a gente ache interessante para os clientes e funcionários”, disse.

Segundo ela, a expectativa é que menos 50% dos funcionários terão que ir para o mesmo lugar todo dia. “Queremos trabalhar de casa, poder viajar e trabalhar de outro lugar, mudar para João Pessoa [a exemplo do que um espectador mencionou] e continuar trabalhando. A Villa XP é conceitual, mas não é para que as pessoas tenham que bater ponto”, diz.

Ao falar sobre o mercado de forma geral, Beck pondera que muitas atividades não podem ser realizadas de forma remota. “O percentual de pessoas que tem a opção de trabalhar em casa é pequeno. No médio prazo, acho que será algo que, para muitos será viável, mas que para a grande maioria da população não será real”, diz.

O home office realizado forçadamente em função da pandemia não é uma situação comum, segundo ele, e está incentivando pessoas a pensarem em possibilidades que não passam de “ilusão”, segundo Beck. “Nem sempre é produtivo trabalhar da praia. As pessoas precisam de um balanço entre resultado e produtividade, carga horária, etc. Há variáveis que ainda não estão 100% alinhadas”, diz.

Para ele, o que precisa ser compreendido é que a volta ao escritório que todo mundo deseja não é a que, de fato, deve ocorrer. “A realidade mudou. Novas metodologias, menos viagens, menos eventos. O cansaço que as pessoas acumulam do home office é reflexo de uma ideia de que retornar para o dia a dia será algo similar com o que se conhecia pré-pandemia. E isso não deve acontecer”, diz.

Mercado de trabalho mais competitivo  

Segundo Beck, o mercado está passando por uma forte diminuição de ofertas de vagas. “Mas sempre há exceções. Algumas empresas estão contratando para áreas de tecnologia, logísticas, supply chain. Mas não é um processo generalizado”, diz.

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Além disso, é importante entender quais mudanças vão acontecer: o processo de seleção de candidatos vai mudar e as habilidades requisitadas também.

“O recrutamento de candidatos será por videoconferência, por isso, sempre teste a tecnologia para evitar problemas, se vista como se fosse uma entrevista presencial, tenha um bom perfil no LinkedIn – e use a ferramenta para se conectar com empresas do seu setor, pessoas de RH e profissionais que possam de ajudar de alguma maneira”, diz Beck.

E complementa: “Como as entrevistas terão mais candidatos por vagas, em vez de aplicar para várias posições e esperar as oportunidades, melhor escolher as que têm mais fit com você e se dedicar ao máximo”.

Na contramão do mercado, Lana comenta que a XP está com 600 vagas abertas até o fim do ano e diz que, com o modelo de home office agora os candidatos podem se candidatar mesmo morando longe de São Paulo e até do Brasil. “Hoje o empregado pode trabalhar de lugares e para empresas que jamais sonhou e o empregador pode contatar talentos que nunca cogitou”.

Segundo ela, características como coragem, para migrar para um trabalho que não será presencial e que começará sem um contato presencial com o gestor, e disciplina, para se dedicar e gerar valor sendo dono da própria carreira, são cruciais.

“Para o líder, a demanda é por competência que gere confiança, crie ambiente em que o time se sinta seguro e com foco nas entregas e não em horas trabalhadas”, diz.

Beck é mais objetivo e diz que hoje todo profissional deve ter cinco características: persuasão, criatividade, inteligência emocional, colaboração e, principalmente, adaptabilidade.

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