Você foi indicado a uma vaga? Sem problemas, mas responsabilidade é maior

Headhunter alerta que, embora o mercado não veja problema nessa prática, profissional deve mostrar que de fato é bom

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SÃO PAULO – Você foi indicado para uma vaga? Não se preocupe. Não há nada de errado nisso. “Antes, existia a ideia de que o profissional indicado era o protegido. Hoje, não é mais assim”, afirma a headhunter da De Bernt Entschev Human Capital, Emmanuele Spaine.

A prática da indicação é mais comum no mercado de trabalho do que se pensa. De acordo com a especialista, devido à competição forte, muitas empresas têm até programas de indicação, que remuneram os colaboradores a cada indicação realizada com sucesso. Esse tipo de iniciativa, segundo Emmanuele, ocorre mais em empresas de grande e médio porte.

Apesar da disseminação da prática, algumas dúvidas ainda pairam no ar sobre esse processo. “Geralmente, quando um profissional entra em uma empresa através de uma indicação, ele traz uma carga de responsabilidade muito grande”, afirma a headhunter. “É quase uma promessa de que ele é bom”, diz. Tanto é assim que, segundo Emmanuele, o índice de desempenho dos indicados costuma ser maior, devido ao alto grau de comprometimento deles.

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Para quem entra por meio de indicação, é preciso manter a discrição – o que não significa que há problemas ao se dizer que entrou sendo indicado. A indicação precisa ser um processo aberto para ser bem aceita por outros profissionais, na avaliação da headhunter. As regras precisam ficar claras. Se for assim, quem entrou indicado não precisa temer qualquer tipo de reação negativa dos colegas.

E para quem indica…
“Invariavelmente, a pessoa que está indicando está se comprometendo com o desempenho do indicado”, ressalta Emmanuele. Por isso, quem indica deve tomar mais cuidado do que aquele que é indicado.

Emmanuele também alerta àqueles que utilizam a indicação como uma forma de aumentar a remuneração. Embora a prática de remunerar a cada profissional indicado com sucesso ainda não seja recorrente, fazer desse processo um negócio é arriscado. “Indicar para agradar o chefe e para aumentar a remuneração é mais arriscado”, afirma.

Para não correr riscos, atestar a qualidade da pessoa que você pensa em indicar é o primeiro passo. E não é o único: é preciso confiar nesse profissional. Afinal, o desempenho e comportamento dele dentro da empresa estarão, por muito tempo, atrelados ao nome de quem indicou. E esse é o maior risco para quem resolve indicar alguém para a empresa.

Para além desses cuidados, a headhunter não vê nenhum problema nesse processo. “Vejo os mesmos riscos que qualquer outro processo de seleção”, afirma. “O plano de indicação é bom para a empresa e esse processo está se profissionalizando”, reforça a headhunter. Para ela, o mercado já mostrou que não existe diferença entre quem entrou por indicação e quem entrou por meio de algum processo. As exigências são as mesmas. “Indicação não assegura a vaga a ninguém”, ressalta.