Visando novos clientes, Itaú e Bradesco fecham contrato com administrações públicas

Os negócios garantem aos dois bancos gestão exclusiva dos salários de funcionários públicos em Santa Rosa e Rio de Janeiro

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SÃO PAULO – A exclusividade na administração da folha de pagamento de funcionários públicos vem sendo alvo de interesse dos grandes bancos nacionais no período recente.

O dispêndio de milhões de reais não parece incomodar os bancos, que prevêem grandes ganhos potenciais, como venda de produtos e serviços, com a inclusão dos novos clientes.

Itaú e Bradesco

Nesta semana, os bancos Bradesco e Itaú anunciaram negociar com administrações públicas municipais e estaduais este tipo de contrato. O Bradesco teria pago cerca de R$ 3,1 milhões para ser o único gestor das folhas dos servidores da cidade de Santa Rosa, no Rio Grande do Sul.

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Já o Itaú, terá que desembolsar mais R$ 750 milhões para estender, de 2010 para 2011, a administração exclusiva das folhas de pagamento dos cerca de 400 mil dos funcionários públicos estaduais do Rio de Janeiro.

Avaliação do mercado

A renovação do contrato de exclusividade na gestão dos pagamentos dos servidores do Rio de Janeiro, pelo Banco Itaú, foi avaliada como positiva pelos analistas da corretora Prosper.

A equipe da Prosper coloca que as ações do Itaú serão beneficiadas apenas no longo prazo, mencionando a capacidade dos servidores do Rio de Janeiro em movimentar cerca de R$ 800 milhões por mês.

A visão dos analistas da Ativa e da Planner, porém, é de neutralidade na operação do Itaú. O relatório diário da Ativa afirma que a falta de detalhes no contrato dificulta uma “análise detalhada sobre a operação”.

O caso da Nossa Caixa

No dia 27 de março, o banco Nossa Caixa pagou cerca de R$ 2,084 bilhões para administrar com exclusividade os salários dos funcionários públicos do estado de São Paulo.

Apesar do negócio significar à Nossa Caixa cerca de 800 mil novos clientes, e um giro em torno de R$ 2 bilhões, entre salários e benefícios pagos aos servidores, o mercado acabou não recebendo bem a notícia.

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Um dia após a divulgação do contrato, o UBS Pactual e o JP Morgan rebaixaram o preço-alvo e a recomendação às ações do banco. Na avaliação destes bancos, o valor de mais de R$ 2 bilhões pagos pela Nossa Caixa fora alto demais, e havia riscos de queda na rentabilidade do banco.